Aos 38 minutos do primeiro tempo, um jogador do Estudiantes aplicou uma tesoura por trás em Emerson Royal no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata. O árbitro chileno Piero Maza viu o lance, foi ao VAR — conduzido por Juan Lara, também chileno — e manteve o cartão amarelo. Royal sangrou. Arrascaeta saiu para o hospital. E Leonardo Jardim foi expulso tentando intervir numa confusão que a arbitragem não soube conter.

O lance de Royal e a omissão do VAR

A entrada é, tecnicamente, uma falta de perigo claro para a integridade física do adversário. Nas Diretrizes do Jogo da FIFA, esse tipo de disputa — com o jogador segurando o tornozelo do adversário entre as pernas, por trás — enquadra-se na categoria de jogo violento, passível de cartão vermelho direto. Há um ângulo de câmera que registra o tornozelo de Royal preso sob o corpo do defensor argentino.

O ex-árbitro PC Oliveira foi direto: segundo ele, o VAR deveria ter intervido para converter o amarelo em vermelho. A regra do protocolo VAR permite a revisão quando o árbitro de campo comete um clear and obvious error na graduação da punição — exatamente o que a imagem sugere.

A análise do SportNavo sobre os acionamentos do VAR na fase de grupos desta edição da Libertadores mostra um padrão inconstante: lances semelhantes em outros confrontos resultaram em expulsão; aqui, o protocolo foi subutilizado.

Jardim expulso, Cacique Medina também

Aos 15 minutos do segundo tempo, um novo lance envolvendo Royal voltou a acirrar os ânimos. Leonardo Jardim, técnico português do Flamengo, deixou a área técnica e entrou no gramado para intervir na confusão entre atletas das duas equipes. A consequência foi imediata: cartão vermelho direto.

Alexander Medina, o Cacique, técnico do Estudiantes, cometeu o mesmo erro e recebeu a mesma punição. Dois treinadores expulsos no mesmo jogo, por razões idênticas — um dado que, por si só, evidencia o colapso no controle disciplinar da partida.

O lance de Royal e a omissão do VAR VAR falhou com Emerson Royal e Jardim pa
O lance de Royal e a omissão do VAR VAR falhou com Emerson Royal e Jardim pa
Segundo PC Oliveira, ex-árbitro da CBF, "o VAR deveria ter intervido para dar vermelho ao jogador do Estudiantes" após a tesoura em Emerson Royal.

A expulsão de Jardim tem impacto imediato na tabela: o técnico português está automaticamente suspenso e não poderá sentar no banco no próximo jogo do Flamengo pela Libertadores, contra o Independiente Medellín, em Medellín, na Colômbia, no dia 7 de maio.

Contexto tático do jogo e o peso das lesões

O Flamengo chegou ao Estádio Jorge Luis Hirschi como líder do Grupo A, com seis pontos em duas rodadas — vitórias sobre Cusco e Independiente Medellín. O Estudiantes somava quatro pontos, após empate com o Medellín e triunfo sobre o Cusco.

O onze de Jardim funcionava com Arrascaeta como pivô de criação entre linhas, apoiado por Jorginho e Evertton Araújo na construção. A saída precoce de Arrascaeta por lesão — o camisa 10 caiu sobre o próprio ombro após entrada dura no primeiro tempo e foi encaminhado ao hospital para exames — desestruturou a transição ofensiva do Rubro-Negro antes mesmo da explosão do segundo tempo.

Royal, mesmo com sangramento no nariz e jogando com algodão nas narinas após outro lance, permaneceu em campo. A resiliência física do lateral não compensou, entretanto, a falta de proteção arbitral num jogo de marcação argentina intensa, com linha de pressão alta e disputas físicas constantes.

O problema sistêmico da arbitragem na Libertadores

O VAR existe, entre outras funções, para corrigir erros de graduação em faltas violentas. Quando o sistema falha nessa função específica — e o ex-árbitro PC Oliveira confirma que houve margem para intervenção —, o saldo é exatamente o que aconteceu no Jorge Luis Hirschi: jogadores exaltados, dois técnicos expulsos e uma partida que escapa do controle da arbitragem.

A equipe de arbitragem era integralmente chilena: Piero Maza no campo, Jose Retamal e Miguel Rocha como assistentes, Juan Lara no VAR. A consistência das decisões ao longo do jogo — o amarelo em Royal, a não intervenção na tesoura, o escalamento das expulsões — apontam para um conjunto de leituras abaixo do padrão esperado em mata-mata de Libertadores, ainda que se trate da fase de grupos.

Conforme levantamento do SportNavo, a CONMEBOL ainda não se pronunciou oficialmente sobre os lances polêmicos da partida. O Flamengo, agora sem Jardim na beira do campo, enfrenta o Independiente Medellín em território colombiano no dia 7 de maio, às 21h30 (horário de Brasília), precisando administrar a liderança do Grupo A.