O cartão vermelho de Diogo Barbosa aos dois minutos do segundo tempo transformou completamente o panorama de São Paulo 1x0 Juventude, no Morumbis, pela quinta fase da Copa do Brasil. O que inicialmente foi punido apenas com amarelo pelo árbitro Lucas Paulo tornou-se expulsão após intervenção do VAR, que considerou o lance como 'jogo brusco grave' na entrada sobre Luciano.

A situação remonta casos emblemáticos da arbitragem brasileira nos últimos anos. Em 2019, durante Grêmio 2x1 Palmeiras pela Libertadores, uma situação similar envolvendo Geromel também gerou polêmica após revisão do VAR. A diferença é que naquela ocasião, a decisão original de cartão amarelo foi mantida, evidenciando como a interpretação das imagens pode variar entre diferentes árbitros.

A mecânica da revisão que mudou o jogo

O protocolo seguido por Lucas Paulo seguiu exatamente as diretrizes estabelecidas pela CBF para uso do VAR. Inicialmente, o árbitro interpretou a falta de Diogo Barbosa como imprudente, aplicando cartão amarelo. Porém, o árbitro de vídeo identificou possível erro claro e óbvio, chamando Paulo para revisão no monitor.

Após análise das imagens em diferentes ângulos e velocidades, o árbitro reclassificou a infração.

"Jogo brusco grave"
, anunciou Paulo ao mostrar o cartão vermelho, seguindo a terminologia oficial das Regras do Jogo da FIFA.

Estatisticamente, o São Paulo já dominava a partida antes da expulsão. Com 64% de posse de bola no primeiro tempo e vantagem de 1x0 com gol de Luciano aos 31 minutos, o Tricolor controlava as ações. A expulsão de Diogo Barbosa ampliou ainda mais essa superioridade numérica.

Impacto tático da inferioridade numérica

A análise do SportNavo sobre o comportamento tático pós-expulsão revela como o Juventude precisou se reestruturar drasticamente. O técnico Jair Ventura reposicionou a equipe em um 4-4-1 compacto, priorizando a defesa da vantagem mínima do adversário.

O São Paulo, por sua vez, aumentou o volume ofensivo mas pecou na eficiência. Aos 28 minutos da segunda etapa, Luciano desperdiçou oportunidade clara de cabeça. Na sequência, Calleri também falhou ao chutar por cima da trave em posição privilegiada.

O pênalti perdido por Calleri aos 42 minutos simbolizou a noite pouco inspirada do ataque tricolor. O goleiro Pedro Rocha defendeu a cobrança, mantendo o Juventude vivo na disputa pela vaga nas oitavas de final.

Precedentes históricos de expulsões polêmicas

A Copa do Brasil acumula diversos casos de expulsões que mudaram o rumo de confrontos eliminatórios. Em 2017, a expulsão de Thiago Maia no primeiro tempo de Santos 0x1 Botafogo gerou revolta da torcida santista e contribuiu para a eliminação do Peixe.

Mais recentemente, em 2023, a expulsão controversa de Arrascaeta na semifinal entre Flamengo e Grêmio também dividiu opiniões. O uruguaio foi punido por entrada em Villasanti, mas as imagens geraram debate sobre a proporcionalidade da punição.

A mecânica da revisão que mudou o jogo VAR muda expulsão de amarelo para vermel
A mecânica da revisão que mudou o jogo VAR muda expulsão de amarelo para vermel

No caso de Diogo Barbosa, a força da entrada e o timing da jogada - com Luciano correndo em velocidade - foram fatores determinantes na decisão final. A diferença em relação aos casos anteriores está na unanimidade da cabine do VAR, que considerou clara a necessidade de revisão.

O resultado deixa o São Paulo em situação confortável para o jogo de volta, marcado para 13 de maio no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Um simples empate garante a classificação tricolor para as oitavas de final da competição nacional.