Há uma premissa que circula nos corredores do futebol europeu — e que ganhou força depois das eliminações do Real Madrid na Champions League — de que Vinicius Júnior some nos jogos que realmente importam. Os 23 gols marcados nesta temporada de La Liga, o último deles neste domingo (17) no Ramón Sánchez Pizjuán, sugerem exatamente o oposto. E o timing não poderia ser mais cirúrgico: às vésperas da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, o camisa 7 merengue entregou mais uma vez.
O gol que saiu cedo e pesou até o apito final
Aos 14 minutos do primeiro tempo, Brahim Díaz levantou a bola na área, Kylian Mbappé — de volta ao time titular — fez o pivô com categoria e deixou Vini bater firme no canto. Sem chances para o goleiro do Sevilla. Um gol que, na frieza da execução, lembrava muito o que se vê no Camp Nou ou em Anfield: leitura de jogo, posicionamento, finalização limpa. Nada de improviso.
O placar de 1 a 0 pode enganar pela parcimônia. O Real produziu apenas três chances contundentes na partida — o gol de Vini e duas com Mbappé —, enquanto Thibaut Courtois segurou o resultado com intervenções seguras. O Sevilla, que comanda Alexis Sánchez, chegou ao jogo pressionado: estacionado nos 43 pontos e na 13ª colocação, o clube andaluz ainda precisa de ao menos um empate na rodada final para escapar do Z3.
Vini Jr em números que constrangem qualquer crítica
Cinco anos consecutivos superando 20 gols. É o que Vinicius acumula desde que se firmou como titular absoluto no Real Madrid. Nesta temporada 2025/2026, são 32 participações diretas em gols em 53 jogos — média de 0,60 por partida, um índice que poucos atacantes na Europa sustentam com essa consistência. Só em 2026, foram 17 gols em 29 jogos sob o comando de Álvaro Arbeloa, o técnico que assumiu o clube em crise.
O SportNavo mapeou os dados da temporada e o que se vê é um jogador que, mesmo dentro de um coletivo aquém — trocas de treinador, polêmicas institucionais, a coletiva controversa de Florentino Pérez — manteve uma constância que rivaliza com os melhores da posição no continente. Na Champions League, foram cinco gols e cinco assistências, o que o igualou a Cristiano Ronaldo como maior assistente da história do Real Madrid na competição.
Quem sai perdendo com essa forma de Vini
A resposta direta: os concorrentes à vaga na Seleção Brasileira. Com a convocação se aproximando, o gol no Pizjuán funciona como um argumento difícil de rebater. No futebol de seleção, forma recente pesa — e Vini chega com momentum, como se diria em qualquer redação esportiva de Londres ou Barcelona. É a diferença entre entrar na Copa do Mundo como dúvida ou como certeza.
Para o Real Madrid, a derrota simbólica é outra: a temporada termina sem título, com o Barcelona já coroado campeão e os Merengues estacionados nos 83 pontos, garantidos na vice-liderança apenas pela distância confortável do Villarreal, terceiro colocado. Num ambiente que, como o trânsito da Avenida Paulista às 18h de uma sexta-feira, mistura pressão, ruído e pouca saída à vista, Vini foi o único que encontrou espaço para acelerar.
O efeito cascata até a Copa do Mundo
Eleito o melhor em campo no Pizjuán — em uma partida que o Real cumpriu sem a urgência de quem briga por título —, Vinicius encerra sua participação na fase de grupos de La Liga em alta. A rodada final está marcada para o próximo sábado (23), quando o Real Madrid recebe o Athletic Bilbao no Santiago Bernabéu, enquanto o Sevilla visita o Celta de Vigo em busca do empate que garante sua permanência na primeira divisão espanhola.
Depois disso, o foco muda de continente. A Copa do Mundo bate à porta, e Vinicius chega a ela com 23 gols na temporada, eleições de melhor em campo e uma sequência de cinco temporadas acima de 20 gols. Qualquer debate sobre sua titularidade na Seleção, a essa altura, parece mais ruído do que análise.









