Foram 23 cartões vermelhos anotados na súmula, socos, chutes e até uma voadora do zagueiro Lyanco no meio da confusão — e menos de dois meses depois, Cruzeiro e Atlético-MG voltam ao mesmo palco. O Mineirão recebe o clássico pela 14ª rodada do Brasileirão 2026, e a maior questão tática do confronto não está na lousa dos treinadores: está na lista de quem pode entrar em campo.
Os 23 expulsos e o que diz o acordo com o TJD-MG
A final do Campeonato Mineiro, disputada em 8 de março, terminou com o título do Cruzeiro — o primeiro em sete anos — e com uma súmula histórica pelo pior motivo. O árbitro Matheus Candançan (SP) registrou 12 expulsões da Raposa e 11 do Galo, a maioria com a mesma justificativa técnica:
"Expulso por, durante a briga generalizada, após o término da partida, desferir e atingir com socos e pontapés seus adversários, não sendo possível apresentar o cartão vermelho devido ao tumulto."
Do Cruzeiro foram expulsos: Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, João Marcelo, Villalba, Kauã Prates, Christian, Lucas Romero, Matheus Henrique, Walace, Gerson e Kaio Jorge. Do Atlético: Everson, Gabriel Delfim, Preciado, Lyanco, Ruan Tressoldi, Junior Alonso, Renan Lodi, Alan Franco, Alan Minda, Cassierra e Hulk. Os dois clubes firmaram acordo com o Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais — quatro jogos de suspensão para cada envolvido, a serem cumpridos exclusivamente na próxima edição do Mineiro, e não no Brasileirão. Ou seja: para o confronto deste sábado, todos os 23 estão formalmente liberados para jogar.
Dois nomes que não estarão em campo por outros motivos
A liberação pelo TJD, porém, não resolve tudo. Dois dos protagonistas da pancadaria treinam separados de seus elencos por razões extracampo. No Cruzeiro, Walace — aquele que levou um soco de Junior Alonso e respondeu com um chute no paraguaio já caído no chão — está afastado do grupo desde o fim da primeira semana de abril, após criticar o goleiro Matheus Cunha em um grupo de mensagens interno do elenco. A reintegração ainda não foi confirmada pela diretoria celeste.
No Atlético, Hulk também realiza atividades separado do restante do grupo por um episódio mais recente, posterior à briga do Mineiro. O camisa 7, que trocou socos com Villalba na confusão de 8 de março, tem presença incerta no clássico. A análise do SportNavo aponta que as ausências dos dois veteranos alteram não apenas a escala numérica, mas o perfil de liderança e experiência dentro de campo em um jogo de altíssima voltagem emocional.
Prováveis escalações após os desfalques
Com Walace fora do ciclo normal de treinamentos, o técnico do Cruzeiro deve escalar um meio-campo reformulado. A tendência é que Lucas Romero — que retorna após cumprir a suspensão no Mineiro — assuma a função de volante de marcação, com Matheus Henrique ao lado. No setor ofensivo, Kaio Jorge, autor do gol do título mineiro, e Gerson aparecem como titulares. Na defesa, Fabrício Bruno e João Marcelo retornam à zaga titular, com Cássio no gol. Fagner e Villalba disputam a lateral direita.
Do lado atleticano, sem Hulk com presença garantida, Cassierra e Alan Minda brigam pela vaga no ataque. Everson volta ao gol — o mesmo que deu início à confusão ao ajoelhar sobre Christian nos acréscimos. A zaga deve contar com Lyanco e Junior Alonso, os dois com participação direta na briga. Renan Lodi retorna pela esquerda, e Preciado pelo lado direito. O meio-campo deve ter Alan Franco como âncora defensiva.
O peso tático das ausências e o clima esperado no Mineirão
Do ponto de vista competitivo, perder Walace e Hulk — mesmo que por razões disciplinares internas — representa retirar dois jogadores com funções híbridas de liderança e pressão física. Walace acumulava minutagem importante na construção do Cruzeiro no Brasileirão 2026; Hulk, aos 39 anos, ainda é referência de mobilização do Atlético nos últimos minutos. A ausência dos dois, segundo levantamento do SportNavo, favorece equipes que preferem jogar em transição rápida — e o Cruzeiro, em casa, tem exatamente esse perfil tático nesta temporada.
A súmula de 8 de março descreveu com detalhes o estopim da confusão: Everson defendeu chute de Matheus Pereira, no rebote Christian foi à disputa, e o goleiro prensou o volante no chão com o joelho. O que veio depois foi uma cascata — Lyanco com voadora, Gerson e um zagueiro atleticano trocando socos no meio-campo, Cássio chutando Lyanco, Hulk e Villalba se acertando. Tudo isso com jogadores saindo do banco de reservas para entrar na briga.
"Expulso por atingir com a canela a cabeça de seu adversário de Nº 22, com uso de força excessiva e intensidade alta, quando a bola já estava em posse do goleiro", registrou o árbitro sobre Christian na súmula oficial.
Para o reencontro no Brasileirão, a Federação Mineira de Futebol e a segurança do Mineirão já foram acionadas para reforçar o esquema operacional. Com capacidade para mais de 61 mil torcedores e a rivalidade em nível de ebulição, o jogo deste sábado será acompanhado de perto por observadores da CBF. Cruzeiro e Atlético-MG entram em campo com a memória de 8 de março ainda fresca — e com a tabela do Brasileirão 2026 cobrando resultado de ambos na 14ª rodada.









