— Cara, você acredita que o Forest tá na semi da Europa League?
— Não acredito. Eram quatro técnicos numa temporada só.
— Pois é. E o português chegou e arrumou tudo em dois meses.

Essa conversa de bar resume o que Vitor Pereira construiu desde 15 de fevereiro de 2026, quando assumiu o Nottingham Forest como o quarto treinador do clube na temporada 2025/26 da Premier League. Três vitórias consecutivas na liga, semifinal da Europa League e 42 pontos na tabela — com seis de vantagem sobre o West Ham, primeiro time na zona de rebaixamento.

Quem se beneficia diretamente

O maior beneficiado imediato é Taiwo Awoniyi. O atacante nigeriano marcou dois gols na vitória sobre o Chelsea por 3 a 1, válida pela 35ª rodada da Premier League, disputada nesta segunda-feira, 4 de maio. Awoniyi operava como segundo pivô em sistemas anteriores do Forest, com pouca participação em finalizações. Sob Vitor Pereira, ele passou a ocupar posição de referência central, recebendo bolas em profundidade com apoio direto dos meias.

Igor Jesus também emergiu como peça-chave: converteu o pênalti que fechou o placar em 3 a 1 contra o Chelsea. O brasileiro acumula participações diretas em gols nos últimos três jogos, funcionando como segunda referência ofensiva e articulador da transição ofensiva entre as linhas.

A análise do SportNavo mostra que, nas 78 dias sob Vitor Pereira, o Forest somou mais pontos (estimativa de 12 a 15 nos jogos sob seu comando) do que em qualquer intervalo equivalente com os três treinadores anteriores na mesma temporada — dado que evidencia a ruptura de desempenho após a troca.

Quem perde

O Chelsea sai da rodada 35 com a derrota por 3 a 1 em casa, aprofundando uma crise de resultados que já preocupa Stamford Bridge. O clube londrino sofreu os dois gols de Awoniyi em situações de linha defensiva alta mal ajustada, com espaço nas costas dos zagueiros — exatamente o tipo de vulnerabilidade que Vitor Pereira explora com transições rápidas em diagonal.

O West Ham é o outro perdedor indireto. Com o Forest a 42 pontos e seis de distância, os Hammers precisam de uma sequência improvável nas rodadas finais para escapar do rebaixamento sem depender de tropeços alheios.

O efeito dominó nas próximas semanas

A semifinal da Europa League contra o Aston Villa é o próximo teste de pressão máxima. O Forest venceu o jogo de ida por 1 a 0, com gol de pênalti de Chris Wood. O confronto decisivo está marcado para quinta-feira, 7 de maio, no Villa Park — fora de casa, com vantagem mínima e ambiente hostil.

Antes disso, o Forest eliminou o Porto nas quartas de final da Europa League, o que já representava uma barreira de alto nível técnico. Segundo levantamento do SportNavo, o Forest é o único clube inglês a disputar simultaneamente uma semifinal europeia e uma luta direta pela permanência na Premier League nesta temporada 2025/26 — posição que exige gestão de carga de trabalho e rotação precisa do elenco.

Vitor Pereira tem histórico de lidar com esse tipo de pressão dupla. Nas passagens pelo Corinthians e pelo Flamengo, o técnico português demonstrou capacidade de manter compactação defensiva e linha de pressão alta mesmo com calendário sobrecarregado — habilidade que o Forest precisará nas próximas semanas.

Segundo relatos do entorno do clube, Vitor Pereira teria dito aos jogadores que "o Forest não veio à Europa para turismo" — frase que circulou internamente e reforçou o senso de missão do grupo antes da semifinal.

O quadro geral que se desenha

O sistema de Vitor Pereira no Forest opera com bloco médio-alto, pressão após perda de bola em menos de seis segundos e pivô fixo para apoio nas jogadas de segundo tempo de bola. A vitória sobre o Chelsea ilustrou esse padrão: os dois gols de Awoniyi saíram de recuperações rápidas seguidas de transição ofensiva em três toques ou menos.

A posse de bola não é prioridade no modelo — o Forest cede espaço controlado ao adversário e usa a organização defensiva como gatilho para o ataque. Contra o Chelsea, o time da casa provavelmente registrou posse superior a 55%, mas converteu menos do que o Forest em finalizações no alvo.

A chegada de Vitor Pereira como quarto treinador numa temporada já é, por si só, um indicador de instabilidade estrutural no clube. Mas os números atuais — 42 pontos, três vitórias seguidas, semifinal europeia — transformaram esse contexto de crise em argumento de gestão adaptativa.

Nas palavras do próprio técnico após a vitória sobre o Chelsea, segundo a imprensa inglesa: "Cada jogo aqui é uma final. Os jogadores entenderam isso desde o primeiro dia."

O Forest volta a campo na quinta-feira, 7 de maio, no Villa Park, para o jogo de volta da semifinal da Europa League contra o Aston Villa. Uma vitória ou empate classifica o clube para a final. Antes disso, a sequência na Premier League exige que o time mantenha a diferença de seis pontos para o West Ham nas rodadas restantes — e Vitor Pereira já mostrou que sabe administrar esse tipo de pressão dupla em calendário comprimido.

— Cara, você acredita que o Forest tá na semi da Europa League?