Não é o tamanho dos adversários que preocupa Alexander Volkov quando o assunto é Alex Poatan nos pesados. O russo de 34 anos, que mede 2,01m e carrega um cartel de 38 vitórias no MMA profissional, foi direto ao ponto em entrevista ao MMA Fighting: a ameaça real ao brasileiro pode vir de dentro do próprio corpo.
O que Volkov enxerga que o ranking ainda não mede
Volkov se prepara para enfrentar Waldo Cortes-Acosta no card principal do UFC 328, marcado para o dia 28 de maio, e usou a entrevista pré-luta para analisar o cenário dos pesados com olhar clínico. Quando perguntado sobre Poatan, foi preciso:
"Pelo que eu vejo e sem desrespeitar ninguém, lutar contra o Alex Poatan seria mais fácil para mim, mas também seria uma luta maior se ele vencer. Eu não sei exatamente como ele vai se sair nos pesados. Se o corpo dele não for geneticamente único, isso pode ser difícil. Pelo que vemos nas imagens, ele parece ter bastante retenção de líquido, e isso pode prejudicar o cardio, os golpes e tudo mais."
A leitura de Volkov não é técnica — é fisiológica. Massa muscular elevada, como a que Poatan exibe nos treinos divulgados ao lado de Glover Teixeira, exige maior consumo de oxigênio. Em lutas de até 25 minutos na divisão mais pesada do UFC, esse fator pode ser determinante. O russo completou o raciocínio:
"Nos pesados, tudo é mais intenso, você gasta muito mais energia do que nos meio-pesados ou médios. É uma sensação diferente. Eu realmente acredito que lutar nos pesados e nas outras categorias são praticamente esportes diferentes. Você precisa de habilidades distintas para competir entre os pesados."
A trajetória de Poatan pelas categorias do UFC
A jornada de Alex Pereira dentro do UFC é uma das mais verticais da história recente da organização. Estreou nos médios em novembro de 2021, conquistou o cinturão da categoria ao nocautear Israel Adesanya no UFC 281, em novembro de 2022, e migrou para os meio-pesados em 2023 — onde se tornou campeão ao nocautear Jiří Procházka no UFC 295. Agora, sem ter sequer estreado nos pesados, já gera especulações sobre um terceiro cinturão.
A próxima parada é o UFC na Casa Branca, onde Poatan disputa o cinturão interino dos pesados contra o francês Ciryl Gane. Cada mudança de categoria representou adaptações físicas e táticas distintas, e a transição para os pesos acima de 93kg é a mais radical de todas — uma divisão onde Volkov atua há anos e onde o cardio, como o russo frisou, é um personagem à parte.
Borrachinha vê oportunidade em três divisões enquanto Poatan mira o topo
Enquanto Poatan projeta um terceiro reinado, Paulo Borrachinha vive um momento diferente no cartel. O mineiro de Contagem somou mais uma vitória ao nocautear Azamat Murzakanov no UFC 327 — sem conquistar bônus de performance — e, segundo o Sherdog, já traça possibilidades de próximas lutas em até três categorias de peso diferentes. A flexibilidade de Borrachinha contrasta com a aposta concentrada de Poatan, que colocou todas as fichas na subida aos pesados.
Decidiram.

Os dois brasileiros, cada um a sua maneira, escolheram caminhos que testam os limites do corpo humano no esporte mais exigente do planeta. Poatan escolheu o risco calculado de subir mais uma categoria. Borrachinha escolheu a mobilidade. E Volkov, ao avaliar o rival potencial, entregou a análise mais fria da semana: não é a habilidade de Poatan que ele questiona — é a biologia.
A resposta para essa equação começa a ser escrita no dia em que Poatan e Gane entram no octógono do UFC na Casa Branca. Se o brasileiro sobreviver ao cardio da divisão e vencer o francês, a conversa com Volkov — atual número 4 do ranking dos pesados — ganha outra camada de urgência. Até lá, o russo tem trabalho pela frente no sábado, dia 28, contra Cortes-Acosta, numa luta que pode reforçar ou comprometer sua posição como voz legítima sobre quem pertence ao topo dos pesados. Uma receita incompleta não se critica antes de provar o primeiro garfo.









