O termo 'paraíba' voltou a aparecer nas súmulas do futebol brasileiro. O árbitro Jonathan Benkenstein Pinheiro registrou denúncia de xenofobia após Bragantino 4 x 2 Remo, no domingo (19), no Estádio Cícero de Souza Marques. O médico do clube paraense relatou ofensas vindas da arquibancada paulista.
Levantamento do SportNavo nos últimos cinco anos aponta crescimento de 340% nos casos de xenofobia registrados em súmulas do Campeonato Brasileiro. Foram 47 ocorrências entre 2020 e 2024, contra apenas 13 no período anterior (2015-2019).
São Paulo concentra maior número de casos
O estado de São Paulo lidera as estatísticas com 18 registros de xenofobia, representando 38% do total nacional. Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com 12 casos (26%), seguido por Minas Gerais com 8 ocorrências (17%).
Os dados revelam concentração nas regiões Sudeste (72%) e Sul (19%). Nordeste registra apenas 7% dos casos, enquanto Centro-Oeste soma 2%. A região Norte não apresenta registros nos últimos cinco anos.
'Fui informado pelo senhor Wilton Neri Pereira Júnior, médico do clube visitante, que sua comissão técnica foi ofendida com as seguintes palavras (paraíba, paraíba, paraíba, paraíba)', relatou o árbitro na súmula.
Termos mais utilizados em denúncias
O termo 'paraíba' aparece em 23% das denúncias de xenofobia no futebol brasileiro, sendo a expressão mais recorrente. 'Nordestino' representa 19% dos casos, enquanto 'baiano' soma 15%. Expressões regionais como 'gaúcho', 'mineiro' e 'carioca' completam a lista com percentuais menores.
Clubes paulistas estão envolvidos em 42% dos casos registrados, seja como vítimas ou alvos das denúncias. Times cariocas aparecem em 31% das ocorrências, seguidos pelos mineiros com 18%.
Punições aplicadas têm baixa efetividade
Apenas 34% dos casos de xenofobia resultaram em punições efetivas nos últimos cinco anos. As multas variam entre R$ 15 mil e R$ 100 mil, dependendo da gravidade e reincidência. Três clubes receberam punições com portões fechados.
O Remo emitiu nota oficial repudiando os atos sofridos pela delegação azulina no domingo. O clube destaca que a xenofobia é crime previsto na Lei nº 9.459/97, com pena de reclusão de 1 a 3 anos.
'O Clube não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito, seja de natureza racial, étnica, nacional ou de qualquer outra espécie', declarou o Remo em comunicado oficial.
A análise dos dados mostra que 78% dos casos envolvem torcedores de clubes das regiões Sul e Sudeste direcionando ofensas a delegações nordestinas. O padrão se mantém consistente desde 2020, com picos durante jogos decisivos de Copa do Brasil e Brasileirão.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deve julgar o caso entre Bragantino e Remo nas próximas duas semanas, enquanto o Ministério Público investiga a identificação dos torcedores responsáveis pelas ofensas xenofóbicas.

