Lamine Yamal, aos 17 anos, acaba de se tornar o mais jovem presidente de uma franquia na Kings League Espanha, assumindo o comando do La Capital. O movimento do jovem craque do Barcelona espelha a decisão tomada anteriormente por Neymar, que também adquiriu uma equipe no torneio criado por Gerard Piqué. A pergunta que surge naturalmente é: trata-se de um investimento calculado ou apenas um hobby dispendioso para estrelas do futebol mundial?
O modelo financeiro da Kings League
A Kings League, lançada por Piqué em 2023, opera sob um formato híbrido entre entretenimento e competição esportiva. Cada franquia custa entre 500 mil e 1 milhão de euros, valor que inclui direitos de transmissão, marketing digital e participação nas receitas de patrocínio. O torneio já atraiu mais de 2 bilhões de visualizações em suas plataformas digitais, principalmente Twitch e YouTube, gerando receitas estimadas em 15 milhões de euros na temporada inaugural.
Para Yamal, que tem patrimônio estimado em 8 milhões de euros segundo a revista Forbes, o investimento representa cerca de 12% de seu valor líquido atual. A cifra pode parecer elevada para alguém tão jovem, mas os números de engagement da Kings League sugerem potencial de retorno. O La Capital já acumula 300 mil seguidores nas redes sociais antes mesmo de estrear oficialmente.
Diferentemente do futebol tradicional, onde os investimentos em clubes raramente geram lucro imediato, a Kings League promete divisão de receitas mais transparente. Os presidentes recebem 40% dos lucros de suas respectivas franquias, incluindo vendas de merchandise, direitos de imagem e patrocínios individuais.

Neymar como precursor do modelo
Neymar abriu o caminho ao investir em sua franquia na Kings League Brasil, movimento que coincidiu com sua transferência para o Al-Hilal, da Arábia Saudita. O brasileiro, com patrimônio superior a 200 milhões de euros, tratou o investimento como diversificação de portfólio, seguindo tendência comum entre atletas de elite que buscam fontes alternativas de renda.
O sucesso de Neymar na plataforma - sua equipe foi uma das mais assistidas da primeira temporada - validou o modelo para outros jogadores. A estratégia combina exposição midiática com potencial lucrativo, especialmente atrativa para atletas que já possuem marca pessoal consolidada nas redes sociais.
Perfis de investimento distintos
A comparação entre Yamal e Neymar revela estratégias diferentes. Enquanto Neymar possui capital suficiente para absorver eventuais prejuízos, Yamal está apostando em crescimento a longo prazo. O jovem espanhol, que já acumula 8 milhões de seguidores no Instagram, vê na Kings League uma oportunidade de construir império empresarial paralelo à carreira no Barcelona.
Os números da geração Z corroboram a aposta de Yamal. Pesquisa da consultoria Nielsen Sports indica que 73% dos torcedores entre 16 e 24 anos consomem conteúdo esportivo através de plataformas digitais, preferindo formatos curtos e interativos. A Kings League, com partidas de 40 minutos e regras dinâmicas, atende precisamente a essa demanda.
Gerard Piqué, idealizador do torneio, já sinalizou expansão para mercados asiáticos e norte-americanos em 2025. Para presidentes como Yamal, isso representa multiplicação potencial de audiência e, consequentemente, de receitas publicitárias.
Estratégia de marca versus retorno financeiro
A decisão de Yamal transcende o aspecto puramente financeiro. Aos 17 anos, o atacante já compreende a importância de diversificar sua imagem além do Camp Nou. A Kings League oferece plataforma para desenvolvimento de marca pessoal em ambiente menos formal que o futebol profissional, permitindo maior proximidade com fãs jovens.
Consultores financeiros especializados em atletas estimam que investimentos em propriedades digitais e entretenimento podem representar até 30% da receita total de um jogador de elite até 2030. Yamal, ao entrar precocemente neste mercado, posiciona-se estrategicamente para maximizar ganhos durante e após a carreira ativa.
A Kings League Espanha inicia sua segunda temporada em março, com Yamal e o La Capital enfrentando oito outras franquias comandadas por influenciadores e ex-atletas. O sucesso financeiro do investimento será medido não apenas pelos resultados em campo, mas pela capacidade de monetizar a crescente base de fãs digitais da competição.

