Não, Lamine Yamal não é o jogador mais experiente nem o mais testado em Copas do Mundo — tem 18 anos e zero minutos em Mundiais. O que o torna decisivo para a Espanha de 2026 é mais específico: nas 38 partidas em que atuou pela seleção espanhola até abril deste ano, a equipe registrou aproveitamento de 78%, contra 61% nos jogos sem ele. Esse diferencial, e não o talento em abstrato, é o que explica a cautela cirúrgica — literal e figurada — adotada pelo Barcelona e pelo staff de Luis de la Fuente diante da ruptura parcial do bíceps femoral da perna esquerda sofrida no final de abril.

A lesão que mudou o planejamento do Barcelona e da seleção

O diagnóstico confirmado no final de abril apontou ruptura parcial do bíceps femoral esquerdo — lesão que, dependendo da extensão, pode exigir de quatro a doze semanas de afastamento. Clube e comissão médica da seleção espanhola optaram pelo tratamento conservador: sem cirurgia, com foco em fisioterapia intensiva e condicionamento muscular progressivo. A decisão tem precedente clínico direto: lesões parciais do bíceps femoral tratadas de forma conservadora em atletas de alto rendimento apresentam taxa de recidiva menor quando o protocolo respeita o tempo biológico de cicatrização, tipicamente entre seis e dez semanas. O Barcelona já formalizou que Yamal não voltará a jogar pelo clube nesta temporada da La Liga 2025/2026, preservando cada sessão de treino exclusivamente para a recuperação voltada ao Mundial.

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O retorno aos treinos com bola e o que De la Fuente espera

O sinal concreto de progresso veio com o início dos exercícios individuais com bola no campo — etapa que, nos protocolos padrão de reabilitação muscular, antecede em duas a três semanas a reintegração ao trabalho coletivo. O técnico Luis de la Fuente não escondeu o alívio, e foi além da retórica habitual ao citar um caso específico como referência de gestão de crise.

"Estou muito otimista. Já vimos situações como a do Dani Olmo na última Euro, onde a paciência foi recompensada. Yamal é um jogador que muda o patamar da nossa equipe e faremos tudo o que for preciso para que ele esteja pronto para nos ajudar a buscar o título", afirmou De la Fuente.

A menção a Dani Olmo na Eurocopa de 2024 não é casual: o meia entrou em ritmo abaixo do ideal na fase de grupos e foi decisivo nas semifinais e na final — padrão que De la Fuente claramente projeta repetir com Yamal no formato de grupos da Copa do Mundo 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México a partir de junho. Segundo apuração do SportNavo, a ideia do treinador é poupar Yamal nas primeiras atividades coletivas da pré-temporada do Mundial, priorizando a presença do atacante nos jogos a partir da fase eliminatória.

O risco real e o que muda no panorama espanhol

A ruptura parcial tratada de forma conservadora carrega um risco mensurável: a literatura médica esportiva aponta reincidência em até 30% dos casos quando o atleta retorna antes de completar o protocolo completo de fortalecimento excêntrico. Para gerenciar esse risco, os médicos do Barcelona e da seleção monitorarão a carga diariamente nas próximas semanas, com testes funcionais antes de qualquer decisão sobre integração ao grupo. Nas últimas três edições de Copa do Mundo em que a Espanha participou — 2010 (campeã), 2018 e 2022 —, a seleção marcou 12 gols na fase de grupos, média de quatro por torneio. Com Yamal em campo nesta temporada europeia, o Barcelona sozinho marcou 87 gols na La Liga 2025/2026, e o atacante participou diretamente de 31 deles entre gols e assistências — número superior ao total de gols da Espanha em qualquer das três últimas fases de grupos combinadas. A Espanha faz sua estreia na Copa do Mundo 2026 no dia 15 de junho, contra a Croácia, em Nova York — data que os médicos já têm marcada como horizonte mínimo para a decisão final sobre a condição de Yamal.