O Fluminense chega ao confronto contra o Santos neste domingo (19) enfrentando sua maior crise tática da temporada. Com quatro partidas consecutivas sem vitória e apenas um ponto conquistado em duas rodadas da Libertadores, Luis Zubeldía terá que reformular completamente seu sistema de jogo para enfrentar o Peixe na Vila Belmiro. As ausências simultâneas de Lucho Acosta (lesionado), Martinelli e Canobbio (suspensos) obrigam o técnico argentino a improvisar em setores fundamentais de sua formação preferida.

Acosta deixa vazio criativo no meio-campo

A lesão de Lucho Acosta representa o maior desfalque para o esquema de Zubeldía. O meia colombiano, contratado por R$ 15 milhões junto ao FC Cincinnati, era responsável por 68% das assistências qualificadas do Fluminense na temporada e ocupava a posição de armador central no 4-2-3-1 preferido pelo treinador. Sem o jogador de 30 anos, o Tricolor perdeu sua principal válvula de escape na criação, forçando adaptações que podem comprometer a fluidez ofensiva que caracterizou as melhores atuações da equipe em 2026.

Acosta deixa vazio criativo no meio-campo Zubeldía perde três titulares e precis
Acosta deixa vazio criativo no meio-campo Zubeldía perde três titulares e precis

A ausência do colombiano se torna ainda mais crítica quando analisados os números de criação: Acosta registrava média de 2,8 passes decisivos por partida e 72% de aproveitamento nos passes longos, estatísticas que nenhum outro jogador do elenco consegue replicar. O SportNavo apurou que Zubeldía testou diferentes formações nos treinos desta semana, incluindo a volta ao 4-3-3 com dois volantes de origem mais defensiva.

Dupla suspensão desfalca meio e ataque

As suspensões de Martinelli e Canobbio completam o cenário complicado para o técnico argentino. Martinelli, titular absoluto na função de primeiro volante, acumulava 89% de aproveitamento nos passes e era fundamental na transição defesa-ataque do sistema tricolor. O jogador de 22 anos havia disputado todas as 11 partidas do Brasileirão como titular, demonstrando sua importância no equilíbrio tático da equipe.

Canobbio, por sua vez, ocupava a ponta direita no esquema 4-2-3-1 e contribuía com velocidade e profundidade pelos flancos. O uruguaio registrava 1,4 dribles certos por jogo e era a principal opção de Zubeldía para quebrar linhas defensivas compactas. Sua ausência força o técnico a recorrer a jogadores com características diferentes, alterando significativamente a dinâmica ofensiva lateral.

Pressão da torcida aumenta cobrança

A sequência negativa gerou protestos organizados da torcida na quinta-feira (16), evidenciando o desgaste crescente com o desempenho da equipe. A derrota por 2 a 1 para o Independiente Rivadavia em casa pela Libertadores marcou o quarto jogo consecutivo sem vitória, deixando o Fluminense na terceira posição do Grupo C com apenas um ponto conquistado.

"A gente tem totais condições de classificar, mas fica aquele ponto de alerta que a gente não pode mais perder ponto bobo nessa competição", alertou o lateral Guga após a derrota para os argentinos.

A jornalista Bárbara Coelho, comentarista da CazéTV e torcedora assumida do clube, foi ainda mais incisiva em sua análise da situação atual do time carioca.

"Esse senso de urgência se perdeu no Fluminense. A gente tem sentido os jogadores aceitando muito essa condição. Eu sinto falta de cobrança, auto-cobrança", criticou Bárbara durante programa da emissora.

Soluções limitadas para confronto decisivo

Com o elenco limitado pelas ausências, Zubeldía deve promover as estreias de jovens da base ou adaptar jogadores em funções diferentes das habituais. A tendência é que o técnico opte por um meio-campo mais defensivo, com dois volantes de origem, e busque explorar as bolas paradas como principal arma ofensiva contra um Santos que ocupa a zona intermediária da tabela.

O confronto na Vila Belmiro representa uma oportunidade crucial para o Fluminense interromper a sequência negativa antes dos compromissos decisivos fora de casa na Libertadores. O Tricolor encara o Bolívar em La Paz no dia 30 de abril e visita o líder Independiente Rivadavia no dia 6 de maio, jogos que podem definir a permanência na competição continental.

O duelo contra o Santos está marcado para este domingo (19), às 16h, na Vila Belmiro, valendo pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro, com o Fluminense precisando urgentemente dos três pontos para recuperar a confiança e amenizar a pressão sobre Zubeldía.