Quantos jogadores precisam estar no Brasil para que o futebol brasileiro deixe de ser paisagem e vire matéria-prima de uma seleção estrangeira em Copa do Mundo? A pergunta não é retórica por vaidade — ela nasce de um dado concreto divulgado em 14 de maio de 2026, quando o técnico Néstor Lorenzo publicou os 55 nomes da pré-lista colombiana para o Mundial e treze deles carregavam endereço fixo em clubes do Brasileirão.
A Colômbia chega a esta Copa com uma história curta, mas de peso: sete participações no total, incluindo 1962, 1990, 1994, 1998, 2014 e 2018. A melhor memória veio no Brasil, em 2014, quando James Rodríguez encantou o mundo antes de cair diante da Seleção nas quartas de final. Doze anos depois, o mesmo James — agora no Minnesota United, na MLS — ainda figura na relação de Lorenzo ao lado de Luis Díaz, que brilhou pelo Bayern de Munique no campeonato alemão desta temporada. O passado e o presente colombiano, porém, compartilham algo que pouca gente antecipava: uma dependência crescente do futebol brasileiro.
O número treze não é superstição. Athletico-PR e Vasco da Gama encabeçam a lista com três convocados cada, seguidos por Internacional com dois — Johan Carbonero e Rafael Santos Borré. Completam o grupo Jhon Arias (Palmeiras), Jordan Barrera (Botafogo), Jorge Carrascal (Flamengo), Sebastián Gómez (Coritiba), Andrés Gómez (Vasco), Carlos Cuesta (Vasco), Stiven Mendoza (Athletico-PR), Jhon Portilla (Athletico-PR), Jhon Viveros (Athletico-PR) e Christian Villarreal (Cruzeiro). A convocação definitiva sai no dia 29 de maio.
Carrascal e Borré, os dois nomes que Lorenzo não abre mão
Jorge Carrascal chegou ao Flamengo carregando a expectativa de quem já havia encantado na Europa, e encontrou no Rio de Janeiro o ambiente para consolidar sua melhor versão. O meia-atacante, de 27 anos, tem sido peça central no sistema rubro-negro em 2026, combinando dribles curtos com uma capacidade de condução que desconcerta marcadores no Brasileirão. Lorenzo já o escalou como titular em fases decisivas das eliminatórias sul-americanas, e sua presença na pré-lista não surpreendeu ninguém que acompanhou a temporada.
Rafael Santos Borré representa uma história diferente — e mais tortuosa. O atacante, que já defendeu River Plate e Eintracht Frankfurt, encontrou no Internacional a estabilidade que lhe faltava nos últimos anos. Com passagem irregular pela Europa, o centroavante reencontrou ritmo e confiança no Beira-Rio, onde divide o ataque com Carbonero, outro colombiano da mesma pré-lista. Para o SportNavo, que acompanha de perto o movimento de sul-americanos no Brasileirão, a dupla colorado simboliza algo raro: dois compatriotas em um mesmo clube, ambos com chance real de embarcar juntos para a Copa.
O Athletico-PR como celeiro inesperado da amarela colombiana
Três convocados de um único clube brasileiro para uma seleção estrangeira em Copa do Mundo não é episódio trivial, e o Athletico-PR vive essa singularidade com naturalidade desconcertante. Stiven Mendoza, Jhon Portilla e Jhon Viveros formam um trio que chegou ao Paraná por rotas distintas e encontrou no modelo de jogo do clube uma vitrine eficiente para Lorenzo. Mendoza, meia com passagens por Corinthians e Independiente Santa Fe, é o mais experiente e acumula presença nas convocações colombianas ao longo dos últimos anos. Portilla e Viveros representam apostas mais recentes do técnico.
O Vasco, por sua vez, tem em Carlos Cuesta seu nome mais consolidado internacionalmente. O zagueiro, de 26 anos, foi titular da Colômbia na Copa América de 2024 e é considerado um dos defensores mais completos surgidos pelo futebol colombiano na última década. Ao lado dele, Andrés Gómez e Johan Rojas completam a cota cruzmaltina — ambos com rodagem na seleção e regularidade suficiente para disputar posição na lista final.
O Grupo K e o que espera a Colômbia a partir de 17 de junho
A Colômbia foi sorteada no Grupo K ao lado de Portugal, RD Congo e Uzbequistão — uma chave que combina a ameaça de Cristiano Ronaldo com adversários teoricamente acessíveis. A estreia acontece em 17 de junho, na Cidade do México, diante do Uzbequistão. Cinco dias depois, em Guadalajara, o adversário é a RD Congo. O confronto mais aguardado está marcado para 27 de junho, em Miami, quando a Colômbia enfrenta Portugal.
Para que Lorenzo possa escalar sua melhor formação nesses três jogos, os treze jogadores que atuam no Brasil precisam encerrar bem suas temporadas e chegar sem lesões ao corte final de 29 de maio. Carrascal e Borré, em especial, têm o peso de ser os mais observados — não apenas por Lorenzo, mas por uma torcida colombiana que quer ver o futebol sul-americano, desta vez com sotaque brasileiro, repetir ou superar o que James fez em 2014. A pré-lista está montada — falta o palco.










