Quantos jogadores chegam à Copa do Mundo com apenas 15 minutos registrados sob o comando do técnico que os convocou? A pergunta parece absurda, mas é exatamente o cenário de Endrick — e o mais curioso é que esses 15 minutos foram o suficiente para ele estar na lista final do Brasil para o Mundial.

Não foi sorte, não foi nome. O atacante de 19 anos do Lyon saiu do banco no amistoso contra a Croácia, sofreu o pênalti que Igor Thiago converteu e ainda deu a assistência para Gabriel Martinelli fechar o placar em 3 a 1. Dois eventos diretos de gol em menos de um quarto de hora. Isso é impacto por minuto, e Ancelotti viu.

Como o empréstimo ao Lyon reacendeu a chama de Endrick na Seleção

A última vez que Endrick havia vestido a amarelinha antes da lista de Ancelotti foi em março de 2025, ainda com Dorival Júnior no comando — e o contexto foi brutal: o Brasil levou 4 a 1 da Argentina no Más Monumental pelas Eliminatórias. Dali em diante, o camisa 9 praticamente desapareceu do radar da Seleção.

Como o empréstimo ao Lyon reacendeu a chama de Endrick na Seleção 15 minutos for
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No Real Madrid, a sequência foi igualmente difícil. Uma lesão em meados de maio de 2025 o deixou fora do Mundial de Clubes — justamente o primeiro torneio de Xabi Alonso como técnico dos Merengues. Com Mbappé também indisponível no início do torneio, quem apareceu foi Gonzalo García, e a hierarquia do ataque madridista mudou. Endrick ficou à disposição de Xabi Alonso só em setembro, acumulando apenas 99 minutos na era do técnico espanhol no Santiago Bernabéu.

O empréstimo ao Lyon em janeiro de 2026 foi o divisor de águas. Na Ligue 1, com mais espaço e confiança, Endrick voltou a jogar de verdade — e o desempenho na França chamou atenção de Ancelotti quando o italiano assumiu a Seleção Brasileira.

O que os dados revelam sobre o impacto de Endrick em campo

Quando a gente analisa o perfil de jogo de Endrick pelo que ele oferece estatisticamente, algumas métricas saltam aos olhos. O ponto forte dele não é volume, é eficiência em espaços reduzidos — exatamente o tipo de jogador que faz diferença saindo do banco numa Copa do Mundo.

  • xG (expected goals): Endrick tende a criar finalizações de alta qualidade dentro da área. Mesmo com poucos minutos no Lyon, seu xG por 90 minutos está acima de 0.5 — o que significa que, estatisticamente, ele tem mais de meia chance clara de gol a cada 90 minutos em campo.
  • xA (expected assists): A assistência para Martinelli contra a Croácia não foi acidente. No Lyon, Endrick apresenta xA elevado para um centroavante, indicando que ele participa ativamente da criação, não só finaliza.
  • Progressive passes recebidos: Endrick é um dos atacantes que mais recebe passes progressivos por 90 minutos quando está em campo — ou seja, os companheiros confiam nele para adiantar a jogada. Isso explica por que ele sofreu o pênalti: ele estava na posição certa para receber a bola em profundidade.

Para comparar: um centroavante convencional de Copa costuma ter xG entre 0.3 e 0.5 por 90 minutos. Endrick opera acima dessa faixa, e o dado mais interessante é que sua taxa de conversão real está próxima do xG esperado — ele não desperdiça chances que a estatística diz que deveria converter.

O levantamento que o SportNavo fez com base nos dados de rastreamento do Lyon mostra que Endrick tem uma das maiores taxas de ações ofensivas por minuto entre os atacantes do elenco francês — o que reforça por que 15 minutos foram suficientes para convencer Ancelotti.

Endrick reserva na Copa não é o mesmo que Endrick invisível

A concorrência no ataque do Brasil é pesada. Vinicius Jr., Rodrygo, Raphinha, Gabriel Martinelli — são nomes de altíssimo nível, todos titulares em clubes gigantes da Europa. Endrick provavelmente não vai começar nenhum jogo da fase de grupos como titular.

Mas o próprio atacante já deixou claro que não está incomodado com esse papel. Em entrevista ao jornal português A Bola, ele foi direto:

"Se eu tiver um minuto em campo, vou dar o máximo nesse minuto. Se eu tiver 90 minutos em campo, vou dar o máximo em cada um desses 90 minutos em campo."

Essa mentalidade tem valor tático real. Num torneio com jogos a cada três ou quatro dias, a capacidade de um jogador de entrar frio e criar situações de perigo imediatamente — como ele fez contra a Croácia — é o tipo de recurso que decide eliminatórias. Pense numa entrada de Endrick como um temporal que cai de repente num dia de céu encoberto: sem aviso, sem aquecimento, mas com impacto total desde o primeiro raio.

O amistoso de março foi, na prática, o teste final. E Endrick passou com a nota máxima possível dentro do tempo que teve. Dois eventos diretos de gol em 15 minutos colocam seu impacto por minuto acima de qualquer outro jogador convocado naquela Data Fifa.

Ancelotti anunciou a lista definitiva do Brasil na segunda-feira, 18 de maio. O Brasil estreia na Copa do Mundo 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, em junho. Se Endrick entrar no segundo tempo de um jogo decisivo nas oitavas de final com o placar empatado, você apostaria que ele vai criar pelo menos uma situação de gol antes do apito final?