— Cara, você ainda acredita que o Diniz vai salvar o Corinthians?
— Depende do que você chama de salvar. Porque até agora ele não afundou, mas também não nadou.
— Domingo é a hora de nadar ou engolir água.
A conversa poderia ter acontecido em qualquer boteco da Zona Leste de São Paulo nesta semana. O Corinthians chega à 17ª rodada do Campeonato Brasileiro 2026 na 17ª colocação, com exatos 18 pontos — fruto de quatro vitórias, seis empates e seis derrotas. Abre o Z4. Recebe o Atlético-MG neste domingo (24), às 18h30, na Neo Química Arena, em Itaquera, numa partida que a própria comissão técnica de Fernando Diniz reconhece como final antes da pausa para a Copa do Mundo.
O Corinthians que Diniz encontrou e o que ele ainda não resolveu
Quatro meses e meio de trabalho, e a tabela ainda aponta para baixo.
Quando Diniz assumiu o comando alvinegro, o diagnóstico era de um elenco desequilibrado, sem identidade ofensiva e com um setor defensivo poroso. Parte desse diagnóstico permanece. O time marcou poucos gols nas rodadas mais recentes e segue com dificuldade de encadear vitórias consecutivas — o que explica os seis empates, número que em outro contexto seria sinal de solidez, mas aqui representa pontos perdidos contra adversários diretos na briga pela permanência.
A métrica de xG (expected goals) — que mede a qualidade das chances criadas, não apenas o volume de chutes — tem sido cruel com o Timão: o time cria oportunidades abaixo da média dos times da parte de cima da tabela e converte menos do que deveria nas poucas que constrói. Para o leigo, é como dizer que o Corinthians chuta, mas raramente de onde deveria. Esse dado, acompanhado de perto pelo SportNavo ao longo da temporada, ajuda a entender por que a equipe não transforma domínio territorial em resultado.
Diniz tem insistido em uma saída de bola mais elaborada pelo chão, característica do seu estilo, mas o elenco ainda patina na transição entre a fase defensiva e o último terço do campo. Com 16 rodadas disputadas, o aproveitamento de 37,5% é compatível com o de equipes que, historicamente no Brasileirão, terminam entre a 17ª e a 19ª posição.
O que está em jogo neste domingo contra o Galo
Três pontos de diferença na tabela transformam um clássico interestadual em confronto direto de seis pontos.
O Atlético-MG chega a São Paulo na 10ª colocação com 21 pontos, sob o comando do argentino Eduardo Domínguez. A equipe mineira vem de três jogos sem derrota no Brasileirão e tem objetivos opostos aos do adversário — quer encostar no pelotão que briga por vaga na Libertadores 2027. Mas a lógica matemática é implacável: uma vitória do Corinthians inverte as posições e empurra o Galo para perto do Z4; uma derrota do Timão amplia o fosso e pode chegar a seis pontos para o clube paulista sair da zona.
A transmissão será realizada pela Record (TV aberta), Premiere (pay-per-view), CazéTV (YouTube), RecordPlus e R7.com. A arbitragem ficará a cargo de Rafael Rodrigo Klein, do Rio Grande do Sul. O retrospecto recente do Corinthians como mandante na Neo Química Arena é um dos poucos argumentos que a comissão técnica usa para alimentar confiança — o estádio tem sido um trunfo em Itaquera neste segundo turno da primeira metade do campeonato.
Segundo a comissão técnica de Diniz, o grupo trabalhou a semana inteira com foco total neste jogo, tratando a preparação como se fosse uma decisão de mata-mata.
A torcida alvinegra, que compareceu em bom número mesmo durante a sequência negativa, deve lotar ao menos parcialmente o estádio. A pressão das arquibancadas pode ser fator — tanto para empurrar quanto para travar. Nos últimos jogos em casa, o Corinthians oscilou entre atuações encorajadoras e quedas de rendimento no segundo tempo, o que Diniz atribui à falta de consistência física e mental do grupo.
As semanas que definem se o Corinthians chega à pausa com sobrevida
Da rodada 17 até a pausa para a Copa do Mundo, cada ponto vale o dobro no calendário.
O Brasileirão entra na reta final antes da interrupção para o Mundial, e o Corinthians ainda tem pela frente um calendário que mistura adversários diretos na luta contra o rebaixamento com times da parte de cima da tabela. Vencer o Atlético-MG neste domingo não resolve o problema, mas muda o patamar psicológico do grupo e dá ao Diniz argumentos concretos para trabalhar durante a pausa.
A janela de transferências do meio do ano, que coincide com o período da Copa, pode ser decisiva para o clube reforçar setores deficitários — especialmente o meio-campo criativo e o ataque, onde a falta de um finalizador de área tem pesado nos números de aproveitamento. Com 18 pontos em 16 jogos, o Timão precisa de ao menos mais 20 pontos nas rodadas restantes para se aproximar da zona de conforto histórica de 45 pontos, que costuma garantir a permanência na Série A.
"A gente sabe da responsabilidade. Nenhum jogo daqui para frente pode ser tratado como normal", afirmou um dos líderes do vestiário corinthiano, segundo apuração da semana.
O Corinthians volta a campo neste domingo (24) às 18h30, na Neo Química Arena, contra o Atlético-MG, pela 17ª rodada do Brasileirão. Uma vitória não tira o Timão do Z4 imediatamente — depende dos resultados paralelos —, mas reduz a diferença para os times fora da zona de rebaixamento para no máximo dois pontos, recolocando o clube na briga real pela permanência antes da pausa mais longa da temporada.










