22 anos. Esse é o intervalo que separa a estreia profissional de Hulk — então um garoto de 18 anos defendendo o Vitória no Barradão, em 2004 — do sábado em que ele subiu ao palco do Maracanã como novo reforço do Fluminense. Não é um número qualquer. É o tempo de uma carreira inteira para a maioria dos atletas. Para Hulk, foi apenas o intervalo entre o começo e o capítulo mais improvável.

O número que fecha um ciclo de 22 anos

Naquela tarde de 2004, o adversário do Vitória na estreia do jovem Givanildo Vieira de Sousa era exatamente o Fluminense. O Barradão, em Salvador, foi o palco de um detalhe que nem o próprio jogador conseguia dimensionar na época. Dois anos depois, ele já estava no Japão, no Kawasaki Frontale, iniciando uma trajetória que passaria por Porto, Zenit, Hulk Shanghai, Atlético Mineiro e chegaria, aos 39 anos, ao Rio de Janeiro com um contrato assinado pelo clube que protagonizou sua primeira partida como profissional. A simetria é quase literária — e no futebol brasileiro, que tem o melodrama como idioma nativo, não passou despercebida.

Na coletiva de apresentação, Hulk não segurou a emoção ao conectar os dois momentos.

"Em 2004, eu estava estreando contra o Fluminense no Barradão. E hoje, depois de 22 anos, estar tendo oportunidade de estar sendo apresentado no Maracanã, nesse clube que é tão grande. Olho para trás e não consigo entender tudo que Deus fez na minha vida"
disse o atacante, com a voz carregada de quem já acumulou títulos suficientes para dispensar a emoção — mas não conseguiu. A frase funciona como uma síntese biográfica: de Salvador para o mundo, e de volta ao Brasil pelo caminho mais simbólico possível.

O que o Fluminense realmente contratou além do nome

Nos bastidores do Laranjeiras, a contratação de Hulk foi tratada como a operação comercial e esportiva mais relevante do clube para a temporada 2026. As tratativas envolveram um salário mensal estimado em R$ 1,5 milhão, com contrato até o fim do ano — estrutura que o coloca entre os três maiores salários do elenco tricolor. A diretoria apostou não apenas na capacidade física residual do atacante, mas no efeito de arrasto que um nome com esse peso gera em patrocinadores, venda de camisas e no próprio vestiário. No compasso da Lapa de quinta-feira, o Rio de Janeiro tem o dom de transformar chegadas em eventos — e a apresentação no Maracanã confirmou o cálculo: público expressivo, cobertura nacional e um discurso que viralizou nas redes.

A limitação imediata, porém, está na burocracia da janela de transferências. Por conta do prazo regulatório, Hulk só poderá ser inscrito e atuar pelo Fluminense após a Copa do Mundo de 2026. Quando o registro for efetivado, ele estará apto para Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Libertadores — nesta última, condicionado à classificação do clube às oitavas de final. O Fluminense, portanto, comprou um ativo que ainda não pode usar em campo, mas que já trabalha nos treinos e no imaginário da torcida.

"Procuro ser muito grato. Primeira coisa que faço ao acordar é colocar joelho no chão e agradecer a Deus por tudo, pela família que Ele me deu. É o clube que estreei e está vivendo um momento tão especial simplesmente no Maracanã. Não tenho palavras para descrever, só gratidão e com vontade de retribuir tudo que estou recebendo"
completou o atacante, entregando ao clube um discurso de identificação que o marketing tricolor não conseguiria fabricar em nenhum laboratório.

Zubeldía mantém o time e o Bolívar espera no Maracanã

Enquanto Hulk ainda aguarda sua janela para estrear, Luis Zubeldía trabalha com o elenco disponível e, segundo informações do portal GE publicadas nesta segunda-feira (18), deve manter exatamente a mesma formação que venceu Operário e São Paulo nas últimas rodadas. Para o confronto desta terça-feira (19) contra o Bolívar, válido pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, com bola rolando a partir das 19h no Maracanã, a escalação provável é: Fábio; Guga, Ignácio, Freytes e Arana; Hércules, Nonato e Lucho Acosta; Canobbio, Savarino e John Kennedy.

A manutenção da dupla de zaga Ignácio e Freytes chama atenção pelo contexto: o zagueiro uruguaio tem sido alvo de críticas pontuais da torcida após erros em partidas anteriores, mas Zubeldía demonstra confiança na estabilidade do sistema defensivo construído nas últimas semanas. O técnico argentino, que assumiu o comando do Fluminense no início de 2026, acumula quatro jogos consecutivos sem derrota e vê na regularidade da escalação um dos pilares da recuperação de desempenho do clube na Libertadores. A vitória sobre o Bolívar é fundamental para o Tricolor manter vivas as chances de classificação às oitavas — condição que, por sua vez, determinará se Hulk terá ou não a Libertadores no cardápio quando a janela abrir.

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O jogo desta terça-feira, portanto, carrega dois pesos simultâneos: o imediato, que é a vaga nas oitavas, e o estratégico, que é preservar a competição onde o maior reforço da temporada mais quer jogar. A data em que Hulk poderá finalmente vestir a camisa tricolor em campo oficial está marcada para depois da Copa do Mundo — o torneio termina em 19 de julho de 2026, e é a partir daí que o Fluminense começa a contar os dias para colocar o número 7 em campo.