Confesso: eu errei ao defender, em meados de 2025, que o América-MG tinha elenco suficiente para disputar a Série B com algum conforto. O rebaixamento da Série A parecia ter chegado com lição aprendida. Errei feio — e a tabela de 2026 está aqui para provar.

Na noite desta sexta-feira (29), o Juventude goleou o Coelho por 3 a 0 no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, pela 11ª rodada da Série B. Raí abriu o placar aos 7 minutos com finalização de primeira em cobrança de escanteio de Fábio Lima. Aderlan cruzou rasteiro na segunda etapa e Alisson Safira ampliou. Wadson fechou a conta ao aproveitar falha do goleiro Gustavo. Resultado: Juventude sobe para 16 pontos e entra no G-8. O América-MG segue na lanterna com 3 pontos — fruto de 2 empates e 9 derrotas.

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O que os números revelam sobre o naufrágio do Coelho

Em 11 jogos, o América-MG sofreu 22 gols e marcou apenas 5 — uma média de 2 gols sofridos por partida e 0,45 marcado. Nenhum outro time da Série B chega perto desse saldo negativo de -17. A segunda pior defesa da competição pertencia ao próprio Coelho já antes desta rodada, com 19 gols tomados em 10 partidas, conforme registrado pelo SportNavo em cobertura anterior da competição.

A sequência sem vitória chega a 15 jogos no Brasileirão — contando o final da Série A de 2025 e o início desta edição da Série B. O técnico Roger Silva, atual responsável pelo time, herdou uma situação crítica: o elenco soma apenas 0,27 pontos por jogo em 2026, índice que colocaria qualquer clube em zona de rebaixamento mesmo numa competição de 20 times.

Na partida desta sexta, o goleiro Jandrei — do Juventude — foi o principal destaque mesmo com a vitória folgada. O arqueiro gaúcho fez ao menos quatro defesas difíceis, incluindo intervenções em finalizações de Mastriani e Elizari. A arbitragem ainda anulou um gol do centroavante uruguaio por impedimento. O América finalizou 15 vezes, 8 no alvo — mais que o Juventude —, mas pecou na efetividade em cada uma das oportunidades.

Vozes do Jaconi — o alerta que o próprio adversário deu

Antes do jogo, o goleiro Jandrei alertou que o Juventude não poderia subestimar o adversário, mesmo com a lanterna na bagagem.

"A maior delas é pensar nisso, pensar que o América não vem fazendo um bom campeonato. Temos que pensar no nosso lado, se preparar, estar bem concentrados para que a gente consiga fazer um grande jogo e sair com a vitória, que é o mais importante", disse o goleiro antes da partida.

O aviso era técnico, mas revelava algo sobre a leitura que o próprio rival fazia do Coelho — um time que, mesmo na pior campanha da competição, ainda conseguia criar situações perigosas. O problema do América-MG não é a ausência total de jogo. É a incapacidade de converter o que produz e a facilidade com que abre espaços defensivos.

"Desde o começo do ano estamos fazendo bons jogos defensivamente. Não é só a defesa, não é só o goleiro, a defesa do time e a marcação começam desde o centroavante. Todo mundo no mesmo intuito de defender, de não sofrer gols, que a gente vai estar mais próximo das vitórias", completou Jandrei — numa descrição que é o oposto exato do que o América-MG conseguiu construir.

Qual caminho resta ao América-MG antes que a janela feche

Com 3 pontos em 11 rodadas, o América-MG precisaria de uma virada matemática raramente vista na história da Série B para escapar do rebaixamento para a Série C. A competição tem 38 rodadas — restam 27 jogos. Para atingir os 45 pontos historicamente associados à zona de segurança, o Coelho precisaria somar 42 pontos nos jogos restantes: um aproveitamento de 51,8% — mais do que o dobro do que apresentou até agora.

O elenco montado para a temporada tem valor de mercado estimado abaixo da média da Série B. Gonzalo Mastriani, o centroavante uruguaio, é o jogador de maior cotação no grupo, mas segue sem marcar na competição. A última rodada antes desta havia terminado com derrota por 2 a 1 para o Vila Nova, em Belo Horizonte, reforçando que o problema não é pontual — é estrutural.

A janela de transferências de julho pode ser a última chance real de reforço antes que a temporada se torne matematicamente irreversível. Mas contratações custam: luvas, salários, taxas de negociação. E o América-MG não é um clube que, historicamente, opera com folga financeira na segunda divisão.

O próximo compromisso do Coelho está marcado para a segunda-feira, dia 8 de junho, contra o Atlético-GO, às 20h (horário de Brasília), no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Três pontos em casa seriam o mínimo para que a temporada ganhe qualquer sentido de reação. Sem eles, o debate deixa de ser sobre reação e passa a ser sobre queda.

O América-MG tem 27 jogos para provar que 3 pontos em 11 rodadas foi um ponto de partida, não um destino.