Todo mundo sabe que o Flamengo está classificado nas oitavas da Libertadores. O que quase ninguém percebeu é que esta terça-feira (26) pode encerrar um tabu de exatamente 42 anos — e o adversário da vez é um time que não vence fora de casa na competição desde fevereiro de 2013.

O Rubro-Negro lidera o Grupo A com 13 pontos e saldo de gols +9. Mas a melhor campanha geral da fase de grupos — aquela que define posicionamento no chaveamento das oitavas — não pertence ao Flamengo desde 1984, quando a equipe acumulou 11 pontos em 6 jogos e chegou às semifinais do torneio.

VASCO DA GAMA SEM TESÃO? PANELA ANALISA CRISE COM RENATO GAÚCHO | #shorts | Panela Sportv

O que 1984 tem a ver com 2026

Naquela edição, o Flamengo terminou a primeira fase como o melhor time do continente — mas caiu na semifinal, disputada em formato de grupos na época. O Grêmio avançou no lugar do Rubro-Negro e foi à final, onde perdeu para o Independiente (ARG). Ou seja, ter a melhor campanha não garantiu o título. Mas garantiu algo que o clube não conquistou desde então: o reconhecimento de ter a campanha mais sólida do torneio naquele momento.

Quarenta e dois anos depois, o cenário é diferente. A Libertadores tem outro formato, outro peso e outro alcance digital. Só no Instagram do Flamengo, os posts sobre a fase de grupos desta edição acumularam médias acima de 200 mil curtidas — um indicador de que a torcida está engajada e atenta a cada detalhe da campanha.

"Naquela edição, após somar 11 pontos em 6 jogos (a vitória dava dois pontos ao invés de três), o Flamengo ficou pelo caminho na semifinal." — ESPN Brasil

Rivadavia não tomou gol e esse é o problema real

Empatados em pontos com o Flamengo, o Independiente Rivadavia (ARG) e o Rosario Central (ARG) também chegam à última rodada com 13 pontos. O saldo de gols do Rosario Central é idêntico ao do Rubro-Negro: +9. Mas o Rivadavia — liderado por Ángel Di Maria — tem um detalhe que muda tudo: não sofreu um gol sequer na competição.

O saldo do Rivadavia é +7, inferior ao do Flamengo. Mas a invencibilidade defensiva coloca a equipe argentina em vantagem nos critérios de desempate caso os números se igualem após a última rodada. O Flamengo precisa vencer o Cusco, e precisa que o Rivadavia ou o Rosario Central deixem pontos pelo caminho — ou que seu próprio saldo de gols dispare o suficiente para fechar qualquer discussão.

O critério de desempate da Conmebol, neste caso, passa por pontos, saldo de gols e gols marcados — nessa ordem. Com saldo empatado em +9 entre Flamengo e Rosario Central, a decisão pode cair nos gols marcados. O Rubro-Negro tem margem para ampliar essa diferença contra o Cusco.

O adversário perfeito para quebrar o tabu

O Cusco (PER) chega ao Maracanã — às 21h30 (horário de Brasília) — como a pior equipe do Grupo A: 1 ponto, lanterna, já eliminado. A equipe de Estudiantes (ARG) tem 7 pontos e o Independiente Medellín (COL) tem 6, o que matematicamente encerrou as chances peruanas antes mesmo desta rodada.

O histórico do Cusco fora de casa na Libertadores é devastador: 12 jogos, 0 vitórias, 1 empate e 11 derrotas — aproveitamento de 3%. A última vez que a equipe venceu como visitante na competição foi em 26 de fevereiro de 2013, contra o Tolima (COL), com gol de Yosimar Salazar nos acréscimos. O próprio jogador já está aposentado.

O Flamengo — que busca encerrar a fase com 100% de aproveitamento — tem diante de si o adversário estatisticamente mais vulnerável que poderia encontrar para construir uma goleada e resolver o critério de saldo de gols de vez.

Por que a melhor campanha importa além do simbolismo

Há uma ironia curiosa nessa busca: nas quatro vezes em que o Flamengo foi campeão da Libertadores — 1981, 2019, 2022 e 2025 — o clube nunca terminou a fase de grupos com a melhor campanha geral do torneio. A melhor performance individual do Rubro-Negro foi na edição de 2022, quando somou 16 pontos e foi campeão invicto. Ainda assim, não era o líder geral.

Terminar no topo do ranking geral — mesmo sem garantia de título — tem impacto direto no chaveamento das oitavas. O líder geral tende a evitar os adversários mais pesados nas primeiras fases eliminatórias, ganhando uma margem de gestão de elenco que, numa temporada com Brasileirão e Copa do Brasil paralelos, pode ser decisiva.

Nas redes sociais, o assunto já viralizou antes do apito inicial: o termo "melhor campanha" apareceu em mais de 40 mil posts no X (antigo Twitter) nas últimas 24 horas, com o Flamengo como tema central. O engajamento mostra que a torcida entendeu o peso do momento — e o jogo contra o Cusco, que parecia protocolar, ganhou outro significado.

O Flamengo joga nesta terça-feira (26), às 21h30, no Maracanã. Uma vitória quebra o tabu de 42 anos — desde que Rivadavia ou Rosario Central não façam a parte deles. O resultado dos argentinos sai na mesma rodada.