O placar ainda estava no telão do Alfredo Jaconi quando a decisão já estava tomada. Três gols do Juventude, um do São Paulo, e o silêncio pesado de quem sabia que aquilo não era apenas uma derrota — era uma sentença. Roger Machado, contratado em março de 2026 para substituir Hernán Crespo, foi demitido na noite desta quarta-feira (13), horas depois do eliminação tricolor na quinta fase da Copa do Brasil.

O que os 17 jogos de Roger Machado disseram ao São Paulo

Há uma frieza matemática no futebol que nenhum discurso técnico consegue contornar. Em 17 partidas sob o comando de Roger Machado, o São Paulo registrou 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas — 49% de aproveitamento. Para um clube que ocupa a quarta colocação do Brasileirão 2026 com 24 pontos em 15 rodadas, os números do Campeonato Brasileiro até sustentavam uma narrativa razoável. O problema é que o futebol não julga só pelo que está em pé, mas também pelo que caiu.

A Copa do Brasil foi o termômetro mais honesto da gestão. O Tricolor venceu o Juventude por 1 a 0 no MorumBIS, no jogo de ida, e precisava de um simples empate em Caxias do Sul para avançar às oitavas. O que aconteceu foi o oposto: 3 a 1 para os gaúchos, com o time de Roger sendo desmontado fora de casa. Decidiu.

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A leitura da diretoria e o peso da pressão externa

Rui Costa, executivo de futebol do São Paulo, foi direto ao explicar o raciocínio da diretoria após a eliminação.

"O futebol é muito dinâmico e gera repercussões a cada momento. Esse é um resultado que todos nós não cogitávamos, considerando a grandeza do São Paulo. Conversando com o Roger, entendemos que, se persistíssemos nesse processo, a pressão externa seria ainda maior. Por isso, com o apoio e a compreensão do presidente, entendemos que este era o momento de trocar", disse o dirigente.

Não há tragédia: há contabilidade. O São Paulo rescindiou o contrato de Roger Machado, que ia até 31 de dezembro de 2026, e passou a buscar um substituto imediatamente. A análise do SportNavo sobre os números da gestão mostra que o aproveitamento de 49% estava abaixo do patamar exigido historicamente para técnicos do clube em fase de mata-mata — e a eliminação para o Juventude, 14º colocado no Brasileirão, agravou o cenário político dentro da Barra Funda.

O contexto da Copa do Brasil e o que o São Paulo perdeu

Enquanto o São Paulo encerrava sua participação na Copa do Brasil, outros dez jogos completavam a quinta fase nesta quinta-feira (14). Corinthians, Grêmio, Botafogo, Athletico-PR, Fortaleza e Flamengo ainda disputavam classificação às oitavas. O Corinthians, por exemplo, avançou com vitória por 1 a 0 sobre o Barra, na Neo Química Arena — o mesmo placar do jogo de ida, com Yuri Alberto encerrando um jejum de nove partidas sem marcar.

O Tricolor, que poderia estar nesse grupo de classificados, agora assiste de fora a uma fase que reúne ao menos 16 clubes de peso. A CBF já confirmou o sorteio das oitavas para o dia 26 de maio, às 11h, na sede da entidade no Rio de Janeiro, com transmissão pela CBF TV.

Sem técnico e sem Copa do Brasil, o São Paulo volta a campo no sábado (16), às 19h, contra o Fluminense, no Maracanã, pela 16ª rodada do Brasileirão. O Flu ocupa o terceiro lugar com 27 pontos, três a mais que o Tricolor. O próximo treinador do São Paulo herda um elenco em quarto lugar, com um calendário que não perdoa e uma diretoria que demonstrou, na quarta-feira, que age rápido quando as contas não fecham.