8 partidas. É o número que define, com precisão clínica, o tamanho do buraco em que o Bahia entrou antes da pausa para a Copa do Mundo. Cinco derrotas e três empates num ciclo que começou quando o Esquadrão ainda parecia candidato a brigar pelo G-6 e que termina neste sábado, 30 de maio, contra o Botafogo, na Arena Fonte Nova, às 17h30. O clube baiano ocupa a 8ª posição com 23 pontos — posição que, em outro contexto, seria aceitável. No contexto atual, é o retrato de uma equipe que parou de funcionar.
O precedente que Rogério Ceni conhece de cor
Quem acompanha o Bahia desde a chegada de Rogério Ceni, em setembro de 2023, lembra que o técnico herdou um clube em colapso — 12 jogos sem vencer na época, ameaçado de rebaixamento. Ceni estabilizou o time em semanas, reorganizou a defesa e salvou o acesso. A diferença estrutural entre aquela crise e a atual é que, naquela, o elenco estava inteiro. Hoje, o Bahia chega ao confronto com Acevedo suspenso e com Luciano Juba e Léo Vieira lesionados. A perda de Léo Vieira é a mais grave: o lateral sofreu ruptura completa do tendão patelar do joelho direito e precisará de cirurgia, o que significa que sua temporada acabou. Nenhum lateral de reposição imediata no elenco tem o mesmo nível de contribuição ofensiva que ele apresentava.
O goleiro Ronaldo, que ficou fora das últimas partidas por luxação traumática no cotovelo direito, voltou a treinar e pode ser relacionado por Ceni. A notícia é relevante porque o gol do Bahia ficou exposto justamente no período de ausência do arqueiro titular — e os números de gols sofridos nessa sequência de 8 jogos refletem esse problema. A provável escalação aponta João Paulo na meta, com Román Gómez, David Duarte, Kanu e Iago Borduchi na linha defensiva; Erick como volante; Everton Ribeiro e Jean Lucas no meio; e Erick Pulga, Sanabria e mais um atacante no setor ofensivo.
O que os números revelam que o olho não vê
A sequência de 8 jogos sem vencer não é uma acumulação aleatória de resultados adversos. Há uma erosão mensurável na capacidade defensiva do Bahia, diretamente ligada à ausência de peças que compunham o equilíbrio tático do time. A distância entre o Bahia que venceu partidas no início do Brasileirão 2026 e o time que acumula derrotas agora é, em termos de qualidade de elenco disponível, equivalente à distância entre Manaus e Salvador — dois pontos do mesmo país que parecem, na prática, mundos separados.
Everton Ribeiro, aos 35 anos, continua sendo o termômetro do meio-campo baiano. Quando o camisa 7 toca bem, o Bahia cria. Quando é marcado com intensidade — como times da parte de cima da tabela têm feito — o Esquadrão não tem um segundo criador de nível equivalente para compensar. Jean Lucas tem qualidade, mas ainda não assumiu protagonismo nas sequências de pressão. Sanabria, no ataque, precisa de serviço para funcionar, e sem Luciano Juba no corredor, o abastecimento caiu.
"O Bahia vive um momento delicado na temporada e chega pressionado para o confronto", registrou a cobertura da Rede Globo, descrevendo com precisão o estado emocional do clube antes do jogo desta tarde.
O Botafogo que chega embalado e com liderança continental
Do outro lado da cancela, o Botafogo de Franclim Carvalho vem de uma semana positiva: goleou o Caracas por 3 a 1 na Copa Sul-Americana e garantiu a liderança geral da fase de grupos da competição. No Brasileirão, o time carioca empatou em 1 a 1 com o São Paulo na rodada anterior e aparece na 10ª posição com 22 pontos — apenas um atrás do Bahia. Uma vitória em Salvador, portanto, inverte a posição dos dois clubes na tabela e dá ao Botafogo impulso antes da pausa.
O Alvinegro também tem desfalques: Joaquin Correa está suspenso, e Allan, Júnior Santos, Bastos, Nathan Fernandes e Kaio Pantaleão são baixas por lesão. São seis jogadores fora — volume significativo, mas que não impede Franclim de escalar um time competitivo. O Botafogo chega com ritmo de jogo mais elevado que o Bahia, dado que disputou uma partida de alto nível na quarta-feira e saiu com vitória. Esse ritmo pode ser vantagem ou desgaste, dependendo de como o time gerenciou a recuperação física em 72 horas.
"O Botafogo chega embalado após vencer o Caracas por 3 a 1 e garantir a liderança geral da fase de grupos da Copa Sul-Americana", conforme registrado pelo SportNavo ao mapear o calendário das equipes nesta reta final antes do Mundial.
A pausa da Copa como divisor de águas para o projeto Ceni
O intervalo para a Copa do Mundo, que começa após esta 18ª rodada, representa uma janela estratégica para o Bahia — mas também um risco. Clubes que entram na pausa em crise tendem a usar o período para mudanças táticas e reforços pontuais no mercado. A diretoria do Esquadrão já monitora alternativas para suprir a ausência de Léo Vieira, cujo contrato e a extensão da lesão impõem uma reposição urgente na lateral esquerda. Negociações nessa posição, com jogadores disponíveis no mercado nacional, devem avançar nas próximas semanas.
Para Rogério Ceni, a pausa pode ser o momento de reorganizar a estrutura defensiva sem a pressão do calendário — mas isso depende de como o Bahia sai do jogo desta tarde. Uma derrota para o Botafogo consolidaria a sequência negativa em 9 partidas e colocaria o clube na 9ª ou 10ª posição, dependendo dos outros resultados da rodada. Uma vitória, por outro lado, não resolve o problema estrutural, mas devolve confiança a um elenco que claramente perdeu a referência de como vencer.
O Bahia joga hoje, às 17h30, na Arena Fonte Nova. Perder significa entrar na pausa da Copa com 23 pontos e uma crise que já dura dois meses. O relógio não para.










