Cinco jogos, cinco vitórias, zero derrotas. Desde que Eduardo Domínguez assumiu o comando técnico do Atlético-MG, a Arena MRV tornou-se uma espécie de santuário intocável — e o Flamengo chega neste domingo, às 20h30, para a 13ª rodada do Campeonato Brasileiro com o peso histórico de nunca ter vencido o Galo naquele estádio desde sua inauguração. De um lado, uma equipe que vive a melhor fase de seu ano; do outro, um clube que engoliu duas derrotas seguidas fora de casa e cheira o abismo do rebaixamento de longe, mas ainda não se livrou do cheiro.
A fortaleza que Domínguez construiu em Belo Horizonte
A matemática é limpa: nas cinco partidas em que Domínguez mandou o Atlético-MG jogar em casa, o placar sempre pendeu para o lado alvinegro. Pelo Brasileirão, foram vitórias contra Internacional e São Paulo por 1 a 0, e sobre o Athletico-PR por 2 a 1. Na Copa Sul-Americana, o Juventud do Uruguai foi batido por 2 a 1, e o Ceará recebeu o mesmo placar pela Copa do Brasil. Três competições diferentes, um único denominador: a Arena MRV como trincheira. Conforme o levantamento do SportNavo, esse índice de aproveitamento perfeito em casa é o principal argumento de sobrevivência do treinador argentino, que esta semana demonstrou evidente incômodo ao ser questionado mais uma vez sobre sua permanência no cargo.
A turbulência extracampo, no entanto, não para de bater à porta. Renan Lodi, expulso na derrota por 2 a 0 para o Coritiba, está suspenso. O jovem Kauã Pascini, de apenas 18 anos, aparece como reserva direto na lateral-esquerda, embora o zagueiro Junior Alonso — que ocupa a posição na seleção paraguaia — também seja opção. E Hulk, símbolo e capitão, deu a entender que pode deixar o clube no meio do ano, declaração que caiu como uma bomba em meio à crise de resultados. O próprio Domínguez foi direto ao ponto sobre o que precisa mudar:
"Nós precisamos ter mais conexão dentro de campo, entre os jogadores, para termos uma conexão com a torcida."
O Flamengo que chegou embalado a BH
Enquanto o Galo tenta se reencontrar, o Flamengo vive o melhor momento de sua temporada. São seis vitórias consecutivas no total — três no Brasileirão (Santos 3 a 1, Fluminense 2 a 1 e Bahia 2 a 0), duas pela Libertadores e uma pela Copa do Brasil, justamente sobre o Vitória por 2 a 1 na quarta-feira. Em 13 jogos disputados no ano, Leonardo Jardim perdeu apenas uma vez, somando dez vitórias e dois empates. Com 23 pontos no Brasileirão, o Rubro-Negro ocupa o vice-liderança a seis pontos do Palmeiras, embora com um jogo a menos que o líder.
O técnico português enfrenta ausências relevantes para o confronto em Belo Horizonte. Lucas Paquetá ainda se recupera de um edema muscular na coxa esquerda, e Erick Pulgar está suspenso e lesionado. De La Cruz, por sua vez, tem histórico de evitar gramados sintéticos por um problema no joelho, mas pode ser relacionado. Jorginho, recuperado de lesão na panturrilha, surge como opção para reforçar o meio-campo. Jardim fez questão de projetar otimismo mesmo diante das dificuldades criadas na finalização:
"Minha experiência no futebol diz que quando criamos um número de situações, como foi o caso desses últimos dois jogos, e não concretizamos tanto, o futuro será promissor. Fico preocupado quando não criamos."
O que os números escondem e o jogo revela
A equação deste confronto carrega uma contradição fascinante: o Flamengo é, pelos números recentes, o time em melhor forma do Brasil. O Atlético-MG, pelos números de classificação — 12º colocado com 14 pontos, apenas dois acima do Corinthians, primeira equipe na zona de rebaixamento —, é um dos clubes mais pressionados da elite. Mas o retrospecto específico na Arena MRV inverte essa lógica e coloca o Galo como favorito dentro de seu território. A análise do SportNavo aponta que a combinação entre a pressão da torcida alvinegra e a identidade defensiva que Domínguez imprimiu em casa tem sido decisiva para sustentar esse aproveitamento perfeito.
A provável escalação do Atlético tem Everson, Preciado, Ruan, Lyanco e Kauã Pascini; Alan Franco, Maycon, Victor Hugo e Bernard; Dudu e Cassiera. O Flamengo deve entrar com Rossi, Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Evertton Araújo, Jorginho e Arrascaeta; Plata, Pedro e Samuel Lino. A arbitragem ficará a cargo de Rafael Rodrigo Klein (RS), com VAR de Caio Max Augusto Vieira (GO).
A zona de rebaixamento como motivação extra do Galo
Para o Atlético-MG, esta partida transcende qualquer análise de forma momentânea. O clube que elegeu a classificação à Libertadores de 2026 como meta central da temporada está há seis pontos da zona de rebaixamento — margem que pode se reduzir a quatro com uma nova derrota. A torcida que lotará a Arena MRV neste domingo não vai ao estádio apenas para assistir a um duelo entre gigantes; vai para cobrar uma reação que começa a se tornar urgente. O Galo volta a campo pela 14ª rodada do Brasileirão na próxima semana, com sequência que exige ao menos uma recuperação imediata de pontos para manter o projeto da temporada vivo.









