A fila se formou bem antes das 9h da manhã em Newark, Nova Jersey. Lutadores entravam e saíam do palco da pesagem oficial do UFC 328 enquanto a cidade ainda acordava, mas o peso que todo mundo queria ver registrado era um só: 185 libras, o teto da divisão dos médios. Khamzat Chimaev, campeão invicto, e Sean Strickland, ex-detentor do cinturão, passaram pela balança sem drama. A luta de sábado (10) no Prudential Center está confirmada com tudo o que precisa ter.
O que os números do cartel dizem sobre Chimaev antes de Strickland falar qualquer coisa
Invicto não é status — é pressão acumulada.
Khamzat Chimaev chegou ao UFC em 2020 e construiu um cartel que até hoje não registra derrota. O sueco de origem chechena passou por nomes como Gerald Meerschaert (finalizado em 17 segundos), Li Jingliang, Gilbert Burns e Nate Diaz antes de conquistar o cinturão dos médios. Sua trajetória incluiu uma passagem pela divisão dos meio-médios — onde nocauteou Diaz — antes de se fixar nos 185 libras. Hoje, Chimaev ocupa a quarta posição no ranking pound-for-pound do MMA Fighting, posição que reflete não apenas resultados, mas o nível dos adversários e a forma como as lutas foram encerradas. Nenhum delas foi para a pontuação dos juízes.
O estilo de Chimaev é baseado em wrestling de alto nível — ele competiu pela Suécia em lutas olímpicas antes de migrar para o MMA — combinado com um grappling agressivo que sufoca adversários no cage. Sua taxa de derrubadas é uma das mais altas entre campeões da organização, e seu ground-and-pound tem finalizado lutas em rounds iniciais com frequência que poucos campeões reproduzem.
O que Strickland carrega na bagagem depois de perder o cinturão para Dricus Du Plessis
Ex-campeão que retorna ao título carrega uma conta aberta com o octógono.
Sean Strickland conquistou o cinturão dos médios em setembro de 2023, quando venceu Israel Adesanya por decisão unânime em Sidney — resultado que chocou o mundo das apostas. O reinado durou menos de cinco meses. Em janeiro de 2024, Dricus Du Plessis superou Strickland por split decision em Las Vegas, numa luta que até hoje divide opiniões sobre quem realmente controlou o combate. Desde então, o californiano de 33 anos reconstruiu sua sequência de vitórias para chegar a este UFC 328 com moral suficiente para ser tratado como ameaça real, não como obstáculo simbólico.
O boxe de Strickland é seu argumento mais forte e mais honesto. Ele não simula. Ele avança, joga volume, pressiona e usa o queixo como ponto de orgulho — leva para dar. Nas casas de apostas, Strickland aparece como azarão, com odds que colocam Chimaev como favorito expressivo, mas o mercado de apostas já viu o californiano ignorar prognósticos antes. Quando virou a divisão de cabeça para baixo ao nocautear Alex Pereira em 2023, as odds também não o favoreciam.
"Eu não me importo com o que as pessoas pensam que vai acontecer. Eu sei o que vou fazer lá dentro", declarou Strickland em coletiva de imprensa durante a semana do evento.
O que este confronto muda no ranking dos médios independente de quem vence
O cinturão vai mudar de mãos ou o mapa da divisão vai mudar de forma — não tem meio-termo.
Se Chimaev vencer, consolida sua posição entre os melhores libra por libra do mundo e provavelmente encurrala uma defesa de título contra nomes como Robert Whittaker ou o próprio Du Plessis num eventual confronto de campeões. Uma vitória convincente — por finalização ou nocaute — pode até elevar sua posição no ranking pound-for-pound para o top 3.
Uma vitória de Strickland, por outro lado, seria o segundo maior abalo sísmico da divisão nos últimos três anos. O californiano retornaria ao topo com uma narrativa ainda mais poderosa: ex-campeão que bateu o homem invicto. Nas palavras de analistas do MMA Fighting, Strickland tem potencial de "sacudir o ranking pound-for-pound de novo" caso consiga o resultado improvável — exatamente a expressão usada na cobertura oficial do evento.

O card do UFC 328 tem ainda outras lutas com implicações diretas no ranking. Na co-luta principal, Joshua Van defende o cinturão dos moscas contra Tatsuro Taira — a primeira defesa de Van após vencer o cinturão em apenas 26 segundos no UFC 323, quando Alexandre Pantoja sofreu uma lesão inesperada. No card principal, Alexander Volkov enfrenta Waldo Cortes-Acosta nos pesados, e Sean Brady mede forças com Joaquin Buckley nos meio-médios. Mesmo na abertura do card principal, a revanche entre King Green e Jeremy Stephens tem história suficiente para atrair atenção.
"Este é o card mais completo que montamos em Newark em anos", afirmou a organização em nota distribuída à imprensa credenciada.
A chave tática da luta principal passa por uma pergunta direta: Strickland consegue manter a luta em pé tempo suficiente para acumular dano? O boxe do californiano é eficiente quando ele tem espaço para trabalhar, e seu volume de socos — frequentemente acima de 200 golpes significativos por luta — é desgastante para qualquer adversário. Chimaev, por sua vez, nunca foi dominado em pé o suficiente para recuar do wrestling. A tendência é que o sueco tente derrubar Strickland cedo, e que o ex-campeão tente fazer o duelo caminhar para os rounds finais onde o desgaste fala mais alto.
O UFC 328 começa neste sábado com os prelims às 17h (horário de Brasília) pelo Paramount+. O card principal tem início às 21h, com Chimaev e Strickland previstos para o octógono por volta de meia-noite. Quem quiser acompanhar o desfecho desta disputa pelo cinturão dos médios tem até a madrugada de sábado para ver se o wrestling de Chimaev encerra mais uma invencibilidade — ou se Strickland escreve mais um capítulo improvável na história da divisão.








