— Cara, você viu o que o Aubameyang fez no CT do Marseille?
— Vi. Extintor no cara da diretoria. Trinta e seis anos, hein.
— Trinta e seis. Exatamente.
Na madrugada de 7 de maio de 2026, o atacante Pierre-Emerick Aubameyang liderou um grupo de cerca de dez jogadores do Olympique de Marseille que invadiu quartos do centro de treinamento La Commanderie com barulho e, no ponto mais grave do episódio, acionou um extintor de incêndio contra Bob Tahri, representante da direção esportiva responsável pelo toque de recolher. A cama e objetos pessoais de Tahri também foram atingidos. Era a quarta noite consecutiva de concentração no CT.
A noite que saiu do controle na Commanderie
Segundo o jornal francês L'Équipe, a intenção declarada do grupo era "levantar o clima" depois de dias de tensão no elenco. Aubameyang teria dito exatamente isso ao pedir desculpas a Tahri e à direção na sequência.
"A intenção era apenas levantar o clima na concentração", disse Aubameyang, conforme relatado pelo L'Équipe com base em fontes internas do clube.
O problema é que "levantar o clima" tem limites que um atacante com 36 anos deveria conhecer de sobra. Tahri relatou o episódio à cúpula imediatamente. O presidente interino Alban Juster e o futuro mandatário Stéphane Richard convocaram uma reunião com o elenco na sexta-feira. A decisão foi rápida: afastamento do gabonês.
Um padrão histórico que o futebol europeu conhece bem
Quem acompanha o futebol europeu há décadas reconhece esse roteiro. Episódios de indisciplina em concentração costumam ter desfechos parecidos — e raramente favorecem o jogador. Em 1994, Eric Cantona foi suspenso por oito meses após o chute em um torcedor do Crystal Palace. Em 2006, o caso dos jogadores da Juventus em um hotel de Berlim virou símbolo de vestiário descontrolado às vésperas de decisão. São situações diferentes em gravidade, mas com a mesma raiz: atletas que subestimam o peso institucional de um clube.
O Marseille de 2026 não é o clube de Bernard Tapie dos anos 90, que varria escândalos para baixo do tapete. A gestão atual, em transição de liderança com a chegada de Stéphane Richard, precisa mostrar autoridade. O afastamento de Aubameyang é, também, um recado para o vestiário. O SportNavo já havia mapeado a instabilidade interna do clube ao longo desta temporada da Ligue 1, com trocas de comando e resultados irregulares que alimentam um ambiente propício a esse tipo de explosão.
O que muda para o Marseille nas próximas rodadas
O impacto imediato é objetivo: Aubameyang está fora do jogo contra o Le Havre, marcado para domingo, 10 de maio, pelo Campeonato Francês. Com 36 anos e contrato que se encerra ao fim da temporada, o atacante gabonês dificilmente tem margem para recuperar espaço dentro do clube antes do encerramento do vínculo.
"O episódio foi relatado à cúpula e a decisão pelo afastamento foi tomada após ouvir o elenco", informou o L'Équipe, citando fontes próximas à direção do clube.
Aubameyang chegou ao Marseille carregando o peso de uma carreira brilhante — artilheiro do Borussia Dortmund na Bundesliga, campeão da FA Cup pelo Chelsea em 2022 — mas também com uma reputação de personagem difícil de gerenciar fora de campo. O episódio desta semana não é uma surpresa para quem acompanha sua trajetória de perto. É, talvez, o ponto final de um ciclo que já estava se encerrando naturalmente.
O jogo contra o Le Havre neste domingo é uma boa oportunidade para observar como o Marseille responde sem o atacante — e se a cúpula vai manter o afastamento até o fim do contrato ou abrir alguma negociação de saída antecipada nas próximas semanas.










