Todo mundo sabe que Neymar voltou ao Santos com a Copa do Mundo de 2026 como destino final. O que poucos calcularam é que o caminho mais curto para perder essa vaga poderia começar num treino de domingo, com um drible de um jovem de 19 anos chamado Robinho Jr. A sindicância aberta pelo Santos para apurar o episódio do dia 3 de maio no CT Rei Pelé chegou formalmente à CBF, e a leitura da entidade, segundo fontes ouvidas pelo UOL Esporte, é clara: a formalização do caso — com notificação extrajudicial e pedido de imagens — demonstra gravidade que não pode ser ignorada.

O que a CBF viu além do tapa

A acusação de Robinho Jr. é de que Neymar o agrediu fisicamente após ser driblado no treino. O craque pediu desculpas informalmente, mas o estafe do jovem atacante não aceitou e protocolou notificação exigindo, entre outras coisas, a abertura de sindicância e o fornecimento das imagens do CT Rei Pelé. O Santos alegou não ter o registro do momento — versão que o estafe de Robinho Jr. não acredita, pois ouviu de fonte interna que o material existe. Reparemos no detalhe: não é a briga em si que preocupa a CBF, mas a sequência de fatos que a cercou — a negativa do clube, a notificação formal, o pai Robinho exigindo respostas publicamente. Para quem acompanha o treinador Carlo Ancelotti, o técnico que preza acima de tudo pelo ambiente do grupo e rejeita comportamentos inadequados, esse tipo de ruído externo pesa tanto quanto qualquer estatística de campo.

Neymar e os clássicos que ele não jogou

O episódio com Robinho Jr. não surgiu no vácuo. Antes dele, a CBF já vinha observando com desconforto as ausências de Neymar nos jogos de maior exposição do Santos nesta temporada. A ausência no clássico contra o Flamengo foi especialmente mal recebida nos corredores da entidade — não pela lesão em si, mas pela percepção de que o camisa 10 parece gerenciar sua agenda com a Copa do Mundo em mente, poupando energia para o torneio de julho de 2026 enquanto o Santos aparece na lanterna do seu grupo na Sul-Americana 2026, com apenas dois pontos em três rodadas. Há um paralelo histórico que o SportNavo já mapeou em outras coberturas: Adriano Imperador, em 2006, vivia situação semelhante de questionamentos sobre comprometimento no clube antes da Copa da Alemanha, e Parreira optou por mantê-lo — decisão que poucos defendem hoje. Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, chegou à Copa de 2010 tecnicamente convocável, mas Dunga o cortou justamente pelo histórico de comportamento fora de campo nos meses anteriores.

O que a CBF viu além do tapa A CBF sabe do tapa e Neymar sente o peso
O que a CBF viu além do tapa A CBF sabe do tapa e Neymar sente o peso

Ancelotti e a conta que não fecha para Neymar

A situação do Santos nesta terça-feira, 5 de maio, contra o Deportivo Recoleta pela Sul-Americana, resume bem o momento: o Peixe precisa vencer para sair da lanterna, e Neymar está na delegação em Ponta Porã — inclusive jantando ao lado de Robinho Jr. no hotel, segundo apuração do jornalista Lucas Musetti. O gesto ameniza o clima interno, mas não dissolve a notificação extrajudicial nem a sindicância em andamento. A punição ao craque deve vir na forma de multa ou desconto salarial, conforme apurou o Globo Esporte. Para a CBF, o que importa é que Ancelotti — treinador que construiu sua reputação em Real Madrid, Bayern de Munique e Napoli justamente pela gestão de vestiário — terá acesso a todo esse histórico antes de definir sua lista para o Mundial. Quem acompanha o treinador italiano entende que a convocação de Neymar está, nas palavras de fontes próximas à seleção, cada vez mais difícil. Há casos recentes de jogadores veteranos com histórico de lesões que encontraram novo fôlego no Brasil — Luis Suárez, no Grêmio, é o exemplo mais citado —, mas nenhum deles chegou a um Mundial carregando uma sindicância aberta pelo próprio clube.

O Santos enfrenta o Deportivo Recoleta nesta noite no Estádio Monumental Rio Parapití, em Ponta Porã, com obrigação de vencer para não se afastar ainda mais da classificação no Grupo D da Sul-Americana. A atuação de Neymar em campo será o primeiro termômetro concreto que Ancelotti terá para avaliar — e vale acompanhar o jogo de perto.