A reunião aconteceu longe da Vila Belmiro — em Cuenca, no Equador, onde o elenco estava concentrado para a estreia na Copa Sul-Americana. Lideranças do grupo entraram na sala com a diretoria em abril para entender por que os direitos de imagem não tinham entrado na conta. A resposta revelou uma escolha de prioridade: o Santos havia direcionado recursos do caixa para quitar uma dívida internacional que ameaçava travar o clube no mercado de transferências.

O que o Arouca tem a ver com o salário de maio

A dívida com o Arouca, de Portugal, nasceu na gestão de Andres Rueda e estava vinculada à contratação do zagueiro João Basso. O valor total do débito era de 2,6 milhões de euros — R$ 15,3 milhões na cotação de fevereiro de 2026. A Fifa chegou a impor um transfer ban ao Peixe por inadimplência. Para derrubar a punição, o clube precisou regularizar o pagamento.

O que o Arouca tem a ver com o salário de maio A conta do Arouca chegou primeiro
O que o Arouca tem a ver com o salário de maio A conta do Arouca chegou primeiro

O recurso usado saiu, em parte, do fluxo gerado pela venda do lateral-esquerdo Souza ao Tottenham, por 15 milhões de euros (aproximadamente R$ 89,7 milhões). Uma parcela do valor ingressou no caixa operacional; outra foi integralmente destinada ao pagamento do Arouca. O resultado direto: o dinheiro que seria usado para honrar direitos de imagem e salários CLT foi consumido antes de chegar aos jogadores.

"Este foi o primeiro atraso de pagamento do elenco desde que Marcelo Teixeira assumiu a presidência", relataram fontes ligadas à diretoria santista.

O passivo de R$ 998,5 milhões e a ausência de recebíveis de curto prazo

O balanço financeiro de 2025, aprovado pelo Conselho Deliberativo na segunda-feira (6 de maio), registrou um passivo total de R$ 998,5 milhões — a dívida total do clube se aproxima de R$ 1 bilhão. O detalhe mais crítico para a gestão de caixa está na composição desse passivo: mais de R$ 470 milhões vencem em até 12 meses (curto prazo), enquanto R$ 761 milhões têm prazo acima de um ano.

O passivo de R$ 998,5 milhões e a ausência de recebíveis de curto prazo A conta
O passivo de R$ 998,5 milhões e a ausência de recebíveis de curto prazo A conta

O problema imediato, conforme apurou o SportNavo, é que o Santos não possui recebíveis relevantes a curto prazo para aliviar esse calendário de vencimentos. Seria injusto chamar de buraco estrutural — mas é um buraco estrutural em escala de clube profissional. Sem entradas previsíveis de caixa, qualquer desembolso emergencial (como os 2,6 milhões de euros do Arouca) comprime diretamente a folha de pagamento.

O que foi pago e o que ainda estava em aberto antes do Coritiba

Após a reunião em Cuenca, a diretoria quitou um dos dois meses de direitos de imagem atrasados, horas antes do jogo contra o Deportivo Cuenca, pela Sul-Americana. O segundo mês, porém, voltou a ficar em aberto, e o atraso nos salários CLT — com vencimento na segunda-feira (11 de maio) — acumulou-se ao débito já existente.

"A expectativa da direção era pagar pelo menos o valor registrado em carteira e um mês de imagem entre terça e quarta-feira, dia do jogo contra o Coritiba", informou fonte interna ao clube.

A partida contra o Coritiba, no Couto Pereira, pela 5ª fase da Copa do Brasil, estava marcada para as 19h30 de quarta-feira (13 de maio) — com uma vaga nas oitavas de final em jogo. A promessa da diretoria era que ao menos o salário CLT fosse depositado antes do apito inicial. O clube carrega o peso das contas dentro e fora de campo: são R$ 470 milhões vencendo nos próximos 12 meses.