Se a CBF organizasse a convocação da Seleção Brasileira do jeito tradicional — microfone, mesa, jornalistas e uma lista lida em voz alta —, o Brasil estaria seguindo o mesmo ritual de 1994, quando Parreira anunciou os nomes para os Estados Unidos numa sala de imprensa sem câmeras ao vivo. Não é o que acontecerá na segunda-feira (18). O que a Confederação preparou para o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, é outra coisa inteiramente.

O palco que transforma um anúncio em acontecimento nacional

Mais de mil pessoas são esperadas no Museu do Amanhã, na Zona Portuária carioca, a partir das 17h (horário de Brasília). O presidente da CBF, Samir Xaud, abre os trabalhos com um discurso institucional, seguido por vídeos e campanhas de patrocinadores. Depois, o evento ganha outra dimensão: Ludmilla, João Gomes, Samuel Rosa e Veigh sobem ao palco para apresentar "Bate no Peito", música-tema produzida pelo DJ Papatinho que a Seleção levará à Copa do Mundo. A canção conta ainda com participação de Zeca Pagodinho — que não estará presente na cerimônia — e chega às plataformas digitais neste domingo (17), às 21h. Segundo apurou a ESPN, o regulamento da Fifa permite que uma "música tema" seja utilizada nos sistemas de som dos estádios durante a entrada das equipes em campo.

O palco que transforma um anúncio em acontecimento nacional A convocação da Sele
O palco que transforma um anúncio em acontecimento nacional A convocação da Sele

Quando a CBF decide transformar a convocação num espetáculo com transmissão ao vivo no Disney+ e no YouTube da ESPN, ela está apostando num modelo que vai muito além do futebol. Quando o evento reúne artistas de quatro gêneros musicais diferentes — funk, forró, rock e trap —, a Confederação está sinalizando que quer ampliar a torcida para além do núcleo duro que acompanha o time desde Telê Santana.

Ancelotti sai de helicóptero e a lista chega por volta das 17h40

O anúncio dos 26 convocados por Carlo Ancelotti está previsto para as 17h40, com a entrevista coletiva do treinador começando às 18h. A saída do técnico do Museu do Amanhã, patrocinada pela Volkswagen — nova parceira da Seleção —, tem roteiro cinematográfico: Ancelotti deixa o local de carro, se desloca até o prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e embarca num helicóptero rumo aos estúdios da TV Globo, no Jardim Botânico, onde concederá entrevista na bancada do Jornal Nacional. Imprensa de ao menos 13 países está credenciada para o evento, incluindo Argentina, Inglaterra, Espanha, El Salvador e Bangladesh — um alcance geográfico que diz muito sobre o peso simbólico desta convocação.

Os artistas envolvidos na música, vale registrar, doaram seus cachês para um projeto social que a CBF lançará também durante o evento de segunda-feira. A iniciativa confere ao espetáculo uma camada de responsabilidade que vai além do entretenimento puro.

A história das convocações e o que muda com o novo formato

Nas últimas décadas, o Brasil viveu convocações marcantes por razões muito diferentes. Em 2014, Felipão leu os nomes num hotel em Teresópolis, e a ausência de Ronaldinho Gaúcho foi o assunto por semanas. Em 2022, Tite anunciou a lista para o Catar numa cerimônia em São Paulo, com transmissão ao vivo, mas sem a dimensão cultural que a CBF agora propõe. O que Samir Xaud e a Confederação estão construindo para 2026 é um evento que rivaliza, em escala de produção, com os lançamentos de álbuns e os eventos de marcas globais — e que coloca o futebol brasileiro no centro de uma narrativa de entretenimento integrado.

Ancelotti sai de helicóptero e a lista chega por volta das 17h40 A convocação da
Ancelotti sai de helicóptero e a lista chega por volta das 17h40 A convocação da
"A música tema será usada nos estádios durante a entrada em campo, conforme permite o regulamento da Fifa", apurou a ESPN, descrevendo a função prática de 'Bate no Peito' dentro do Mundial.

A pergunta que fica, naturalmente, é se o espetáculo conseguirá superar a própria lista. Nomes como Vinicius Jr., Rodrygo, Raphinha e Endrick já figuram como praticamente certos nos bastidores, mas a presença ou ausência de jogadores como Neymar ainda mobiliza a imprensa internacional — o que explica, em parte, o credenciamento de repórteres de Bangladesh e El Salvador. A resposta definitiva chega na segunda-feira, 18 de maio, quando Ancelotti revelar os 26 nomes às 17h40 no Museu do Amanhã.