A bola de Guehi rolou fraca, lenta, num recuo que parecia inofensivo — e foi exatamente aí que o Manchester City perdeu a noite. O zagueiro tentou devolver para Donnarumma, mas Thierno Barry leu o passe antes do goleiro italiano, bateu na saída e igualou o placar. Era o minuto 23 do segundo tempo no Hill Dickinson Stadium, em Liverpool, e aquele gol era só o começo do pesadelo azul. O City terminou a noite desta segunda-feira, 4 de maio, empatado em 3 a 3 com o Everton — e o Arsenal, assistindo de longe, abriu quatro pontos na liderança da Premier League.

O que mudou

O primeiro tempo havia sido quase perfeito para Guardiola. Com impressionantes 88% de posse de bola em determinados trechos da etapa inicial, o City sufocou o Everton no próprio campo. Aos 43 minutos, Doku recebeu na entrada da área, cortou para a canhota e acertou um chute preciso para abrir o placar. Era o roteiro esperado. O problema é que o segundo tempo começou com outro script — e a defesa dos Citizens não soube improvisar.

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A análise exclusiva do SportNavo mostra que os três gols sofridos pelo City carregam um padrão assustador: erros individuais em sequência, sem qualquer reação coletiva entre eles. O segundo gol, marcado por Jake O'Brien aos 28 minutos, veio de escanteio cobrado por Garner na primeira trave — o zagueiro subiu sozinho, mais alto que qualquer marcador azul, e virou o placar de cabeça. Cinco minutos depois, aos 35, Drwsbury-Hall carregou e bateu; a bola desviou no meio do caminho e sobrou limpa para Barry marcar o terceiro, completando a virada em menos de um quarto de hora.

É o tipo de colapso que lembra uma orquestra que perde o maestro no meio do concerto: os músicos continuam tocando, mas cada um no seu próprio tempo, e o resultado é ruído. A defesa do City, que havia mantido invencibilidade de 12 jogos na Premier League, simplesmente desapareceu em 22 minutos.

Por que agora

O contexto torna a noite ainda mais amarga para Guardiola. Restam apenas três rodadas para o fim da Premier League 2025/2026, e o City chega a 71 pontos — cinco atrás do Arsenal, que agora soma 76 e tem o destino nas próprias mãos. A única janela de esperança para os Citizens é o jogo a menos que ainda possuem no calendário, mas a margem de erro agora é praticamente zero.

O que mudou A defesa do City desabou em Liverpool e
O que mudou A defesa do City desabou em Liverpool e

Haaland diminuiu aos 37 minutos, recebendo lançamento de Kovacic em velocidade e batendo na saída de Pickford. Doku completou a reação nos acréscimos, aos 52, após cobrança de escanteio e bola que sobrou dentro da área — empate que evitou um resultado ainda mais catastrófico. Mas dois gols em 15 minutos não apagam os três que a defesa apresentou de bandeja ao Everton.

Segundo apuração do SportNavo, o goleiro Donnarumma chegou a dar bronca nos zagueiros após um segundo gol quase sofrido ainda antes do intervalo, quando Ndiaye ficou livre e bateu em cima do italiano. O episódio era um aviso. A defesa não ouviu.

"A defesa falhou feio — e o gol de Barry saiu do nada, de um recuo mal dado", descreveu a transmissão britânica do jogo, capturando o espanto da torcida visitante que começou a deixar as arquibancadas antes do apito final.

O que vem em seguida

O Everton, que soma 48 pontos e está fora de qualquer risco de rebaixamento, jogou como quem não tem nada a perder — e esse é exatamente o adversário mais perigoso que existe no futebol inglês no final de temporada. David Moyes montou uma segunda etapa completamente diferente, encaixou a marcação, empurrou os Toffees para o campo de ataque e colheu os frutos dos erros defensivos do City.

"O Everton saiu para o jogo no segundo tempo de um jeito que não esperávamos", reconheceu a análise pós-jogo da equipe técnica, segundo fontes próximas ao clube citadas pela imprensa inglesa.

Para o City, o caminho agora passa por um confronto contra o Brentford no sábado, 9 de maio, às 13h30 (horário de Brasília), no Etihad Stadium, em Manchester. Qualquer tropeço praticamente encerra matematicamente as chances de título. O Arsenal, com quatro pontos de vantagem e três jogos pela frente, precisa apenas de dois resultados positivos para ser campeão. Se o City vencer todos os seus quatro jogos restantes e o Arsenal tropeçar duas vezes, a diferença some — mas esse cenário exige que a defesa que desabou em Liverpool encontre respostas rápidas. No sábado, 9 de maio, começa a descoberta.