18 de março de 2026. Mateus Carvalho dos Santos completou 24 anos sem ter marcado um único gol nesta temporada — e o número importa mais do que parece.
Mateus Cocão entrou em campo 1 vez pelo Vasco da Gama no Brasileirão Série A de 2026. Zero gols. Zero assistências. Para um meia de 24 anos que chegou à elite pelo volume de presença — 80 jogos oficiais acumulados na carreira, segundo dados disponíveis —, a ausência de produção direta começa a pesar no balanço.
O que ele ainda não resolveu
O problema central de Mateus Cocão é objetivo: ao longo de 80 partidas disputadas entre Náutico, Vasco e diferentes competições — Série A, Série B, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Campeonato Pernambucano e Campeonato Carioca —, o meia registra apenas 2 gols e nenhuma assistência computada nos dados disponíveis.
Em termos de retorno ofensivo por jogo (G+A/90), o número é próximo de zero. Para uma posição de meia na Série A, onde o mercado paga ágio por jogadores que combinam presença com produção, esse índice é o principal obstáculo à valorização contratual.
A comparação geográfica ajuda a dimensionar o problema: a diferença entre 2 contribuições diretas em 80 jogos e os 10 a 15 que uma equipe de Série A espera de um meia titular numa temporada completa é do tamanho do Pará — enorme, mas não intransponível com o mapa certo.
Onde está hoje em relação a esse buraco
A trajetória do jogador nascido em Tucuruí, no Pará, em 18 de março de 2002 percorreu dois clubes profissionais até aqui. Pelo Náutico Recife, disputou 6 partidas na Série B de 2022 e outros 14 jogos em 2023 — entre Campeonato Pernambucano e Copa do Nordeste. Foi nesse período que o Vasco identificou o perfil e formalizou a contratação.
No Cruz-Maltino, a participação cresceu: 9 jogos no Carioca de 2024, 32 na Série A da mesma temporada (com 2 gols, o pico de carreira disponível) e 10 na Copa do Brasil. É o momento de maior consistência registrado — e o único ciclo em que a produção ofensiva apareceu com alguma regularidade.
Em 2026, com apenas 1 jogo disputado até agora, o meia ainda não encontrou espaço para repetir aquele desempenho. Conforme levantamento publicado em matéria do SportNavo, a ausência de dados recentes na imprensa especializada reforça o cenário de jogador em construção de status — nem titular consolidado, nem descartado.
O caminho técnico para tapá-lo
A geometria física de Cocão — 184 cm e 74 kg — é compatível com o perfil de meia box-to-box, capaz de cobrir campo e chegar ao ataque. A altura, em especial, representa vantagem em disputas aéreas e bolas paradas, dois vetores ofensivos subutilizados por jogadores com seu histórico de participação sem gol.
- Chegada ao ataque: aumentar a frequência de finalizações por jogo é o primeiro indicador a monitorar.
- Assistências: nenhuma registrada até agora; qualquer número positivo nessa coluna muda a percepção de valor de mercado.
- Minutagem: com 1 jogo em 2026, o caminho passa por reconquistar tempo em campo — sem volume, qualquer evolução técnica fica invisível para o mercado.
- Bolas paradas: a estatura de 184 cm poderia ser explorada em escanteios e faltas laterais, um nicho de produção que não exige drible ou velocidade.
O Vasco, clube com estrutura de análise de desempenho consolidada, tem condições de mapear esses ajustes internamente. A questão é se Cocão terá oportunidades regulares para aplicá-los.
O que isso destrava na carreira
Um meia de 24 anos com 80 jogos profissionais está no ponto exato em que o mercado começa a tomar decisões definitivas sobre seu futuro. Nessa faixa etária, clubes intermediários da Série A e B monitoram jogadores com esse histórico de participação — o problema é que, sem assistências e com apenas 2 gols em toda a carreira, o ativo de Cocão ainda não tem precificação clara no Transfermarkt ou nas tabelas de intermediação do mercado doméstico.
Se o meia conseguir sair da temporada 2026 com ao menos 3 a 5 contribuições diretas (gols + assistências), o perfil muda de categoria contratual. A diferença entre um meia de suporte e um meia produtivo na Série A pode representar, dependendo da janela, até R$ 1,5 milhão a R$ 3 milhões em valor de transferência — e cláusulas de bônus por desempenho que hoje sequer entram na negociação.
O Vasco, por sua vez, detém os direitos econômicos do jogador e tem interesse direto nessa valorização. Quanto mais Cocão produzir, maior o ativo no balanço do clube — um alinhamento de incentivos que, no papel, favorece o meia.
Até dezembro de 2026, há resposta.













