Falhou. O Londrina falhou em casa, o Botafogo SP falhou fora, e os dois clubes saíram do Estádio Municipal Jacy Scaff na madrugada desta sexta-feira com um ponto cada — exatamente o que nenhum deles precisava na 18ª rodada da Série B do Brasileirão 2026.
O herói da partida
Num jogo sem gols, o herói é quem evita o desastre. Everton Morelli entrou aos 21 minutos no lugar de Leandro Maciel, que deixou o campo com dificuldades físicas evidentes, e assumiu a posição de referência ofensiva do Botafogo SP com uma postura diferente da maioria dos jogadores em campo naquela noite. Morelli não foi o mais técnico, não foi o mais veloz, mas foi o mais disposto — e numa partida travada como essa, disposição vale mais do que qualidade. O atacante, cujo vínculo com o clube paulista se estende até o fim de 2026 com salário estimado em R$ 45 mil mensais conforme levantado em reportagem publicada pelo SportNavo, pressionou os zagueiros do Londrina durante toda a segunda metade da etapa inicial e abriu espaços que o restante da equipe não soube aproveitar.
O que ele fez em campo
A entrada de Morelli mudou a dinâmica do Botafogo SP. Antes dos 21 minutos, o time de Ribeirão Preto jogava recuado, sem linha de frente definida, dependendo de Leandro Maciel para segurar a bola e girar. Com Maciel fora, Morelli trouxe mobilidade e pressão alta — dois elementos que o Londrina claramente não esperava enfrentar naquele momento do jogo. O atacante disputou pelo menos quatro divididas no campo ofensivo nos 25 minutos que jogou na primeira etapa, venceu duas delas e criou um lance perigoso que exigiu atenção do goleiro londrinense. No segundo tempo, seu volume caiu junto com o da equipe, mas ele manteve a postura de pressionar a saída de bola do adversário — o que travou o Londrina e impediu que o time da casa criasse jogadas em velocidade.
O Londrina tentou reagir com as trocas feitas no intervalo. Jefferson Nem e Guilherme Queiróz saíram, e Kelvin e Hygor entraram aos 46 minutos — duas mexidas simultâneas que revelam a insatisfação do técnico com o primeiro tempo da equipe mandante. Hygor chegou para dar mais poder de fogo, Kelvin para ampliar a circulação de bola. Nenhum dos dois conseguiu romper a organização defensiva do Botafogo SP.

Como o time se ergueu (ou caiu) com ele
O Botafogo SP não se ergueu — segurou. Há uma diferença importante entre as duas coisas. Segurar significa defender com eficiência e aceitar o empate como resultado possível. Erguer-se significa usar um jogador como catalisador para transformar a partida. Morelli fez o time segurar com mais confiança, mas não teve suporte suficiente para transformar. O meio-campo do Botafogo SP foi apagado durante quase toda a partida, incapaz de ligar defesa e ataque com consistência. O Londrina, por sua vez, não soube explorar esse vácuo — e isso diz muito sobre o momento dos dois clubes.
O Londrina jogou em casa sem criar chances claras de gol. A equipe paranaense tem dificuldades estruturais no setor ofensivo que vão além de um jogo ruim — é uma limitação de elenco que o clube não resolveu no mercado de janeiro de 2026, quando o orçamento para contratações foi reduzido em aproximadamente 30% em relação à temporada anterior, reflexo direto da queda na receita de bilheteria e patrocínio. O Botafogo SP carrega um problema diferente: depende de substituições para se reinventar, o que sugere que o time titular não tem autonomia tática para resolver jogos por conta própria.
E agora, o que esperar
O ponto conquistado fora de casa tem valor diferente para o Botafogo SP do que para o Londrina. O clube paulista acumula uma sequência de resultados modestos, mas consistentes — e na Série B, consistência é moeda forte. O Londrina, por outro lado, perdeu dois pontos em casa, num jogo que a torcida e a diretoria esperavam como oportunidade de aproximação da parte de cima da tabela. O clube paranaense precisa de um resultado expressivo nas próximas rodadas para não ver o acesso se transformar em miragem antes do segundo turno.
A 19ª rodada chega em menos de uma semana. O Botafogo SP volta para Ribeirão Preto com um ponto a mais e a missão de encontrar, no mercado de transferências que fecha em agosto, pelo menos um meia criativo capaz de dar consistência ao sistema ofensivo. O Londrina precisa decidir se mantém a estrutura atual ou se busca reforços emergenciais antes que a janela se feche — e o orçamento, já limitado, não permite erros de contratação.
Se o Londrina não reforçar o ataque até o fechamento da janela de agosto, o clube consegue chegar ao segundo turno ainda dentro da zona de acesso?













