A última vez que um centroavante brasileiro com passagem simultânea por Premier League e Champions League voltou ao Brasileirão sem ter consolidado uma marca de gols proporcional ao currículo, o mercado levou três temporadas para entender o que havia dado errado. Carlos Vinícius está no meio desse processo agora, aos 31 anos, vestindo a camisa 95 do Grêmio.

O que ele ainda não resolveu

O problema de Vinícius não é talento. É conversão. Em 28 jogos pelo Grêmio no Brasileirão Série A de 2026, o atacante marcou apenas 1 gol e distribuiu 2 assistências. Para um centroavante de 190 cm e 86 kg, contratado com o histórico de quem atuou em Premier League, Eredivisie, Süper Lig e Primeira Liga, esse número é insuficiente.

O contexto europeu confirma o padrão. Na sua melhor temporada individual registrada, a de 2021 pelo PSV Eindhoven, Vinícius somou 6 gols e 6 assistências em 23 jogos na Eredivisie — números sólidos, mas não de artilheiro dominante. No Fulham, em 2022, foram 5 gols em 28 jogos na Premier League. No Galatasaray, em 2023, 1 gol em 10 jogos na Süper Lig. A linha é consistente: presença, participação, mas raramente protagonismo ofensivo.

O atacante nascido em Bom Jesus das Selvas, Maranhão, em 25 de março de 1995, acumula ao longo da carreira 131 jogos registrados, com 28 gols marcados. A média fica abaixo de 0,22 gols por jogo — número que não sustenta a narrativa de centroavante de referência que o porte físico e o currículo sugerem.

Onde está hoje em relação a esse buraco

O Grêmio de 2026 vive um momento de pressão. As notícias recentes mostram um clube que perdeu para o Santos por 2 a 1 em maio, com Gabigol marcando duas vezes, e que enfrenta cobranças sobre o desempenho de Felipão no comando técnico. Nesse cenário, Vinícius precisa ser solução — e os números desta temporada ainda não o colocam nesse papel.

O clube conquistou o Campeonato Gaúcho de 2026, título que Vinícius integrou, mas o Brasileirão exige outro nível de entrega. Com 28 jogos disputados na competição nacional e apenas 1 gol, o atacante está aquém do que se espera de um camisa 9 titular em uma equipe que briga por posição no grupo F.

A comparação com pares na posição é direta. Centroavantes de referência no Brasileirão 2026 operam com médias entre 0,4 e 0,6 gols por jogo quando são titulares absolutos. Vinícius está em 0,035 nesta temporada. A distância não é pequena.

O caminho técnico para tapá-lo

O histórico de Vinícius aponta onde está a saída. Em 2021, no PSV, ele não foi apenas finalizador — foi construtor de jogo, com 6 assistências em 23 partidas. Aquela versão do atacante funcionava como pivô, atraindo marcação e liberando companheiros. O Grêmio precisa reativar esse papel.

O físico ainda é ativo. Com 190 cm e 86 kg aos 31 anos, Vinícius mantém condições de ser referência na área e disputar bolas aéreas. A questão é de posicionamento tático e de confiança no sistema. Quando o Benfica o utilizou, em 2019, a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira veio em um contexto de elenco forte ao redor dele. O PSV replicou isso em 2021-22, quando o clube venceu a Copa dos Países Baixos com Vinícius integrado a um esquema que potencializava suas movimentações.

O dado de 2 assistências nesta temporada indica que a conexão com companheiros existe. O problema está na finalização própria. Trabalho específico de conclusão e posicionamento na área, combinado com sequência de jogos sem alternância excessiva de função, é o caminho mais direto.

O que isso destrava na carreira

Carlos Vinícius tem 31 anos. A janela para reposicionamento no mercado é estreita, mas existe. Uma segunda metade de 2026 com números acima de 8 gols no Brasileirão colocaria o atacante de volta no radar de clubes da Série A que buscam centroavante experiente e com passaporte europeu ativo — um ativo valorizado em negociações com times do exterior.

Carlos Vinícius (Grêmio)
Carlos Vinícius (Grêmio)

A carreira europeia, com passagens por Tottenham, Fulham, Galatasaray, PSV e Benfica, funciona como capital simbólico. Em matéria do SportNavo, esse tipo de trajetória costuma elevar o valor de mercado percebido mesmo quando os números recentes não acompanham — mas essa margem tem prazo de validade.

Se Vinícius fechar 2026 com estatísticas que justifiquem a titularidade no Grêmio, a renovação contratual vira pauta natural. Se não, o clube gaúcho tem justificativa para buscar reforço na posição na janela de janeiro de 2027. O centroavante sabe disso. O mercado também.

A resposta sobre qual dos dois cenários vai se concretizar chega até 7 de dezembro de 2026, data da última rodada do Brasileirão Série A.