A última vez que um atacante venezuelano chegou ao Brasil com currículo construído na Primera División e na Série B e não conseguiu converter presença em gol foi sintoma de algo além da má fase — foi sinal de uma lacuna técnica real. Esli Samuel García Cordero, o E. García da camisa 15 do Goiás, está nesse ponto agora.

O que ele ainda não resolveu

Em 30 jogos pelo Goiás no Brasileirão Série A de 2026, García marcou apenas 1 gol e não registrou nenhuma assistência. Para um atacante de 25 anos que chegou ao clube com histórico de contribuição ofensiva, o número é insuficiente — e o próprio mercado já precifica essa insuficiência.

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O problema central não é ausência de oportunidades. Com 30 aparições na temporada, García é um jogador utilizado pela comissão técnica. O problema é a conversão: presença sem produção é o perfil mais difícil de vender no mercado de transferências e o mais fácil de substituir em uma janela.

Aos 163 cm e 58 kg, García é um atacante de biotipo leve, o que exige que seu jogo seja construído sobre velocidade, leitura de espaço e finalização precisa. Quando esses elementos não se conectam, o jogador some dos números — e é exatamente o que a temporada atual documenta.

"Ele aparece nos jogos, participa das jogadas, mas quando chega na hora de decidir, some. É um problema de confiança ou de leitura de jogo — difícil dizer. O que dá para dizer é que a Série A não perdoa quem não decide." — comentarista de futebol sul-americano, em análise de rodada

Onde está hoje em relação a esse buraco

Para entender o tamanho da lacuna, é necessário olhar para o pico de carreira disponível. Em 2024, pelo Paysandu na Série B, García marcou 10 gols em 31 jogos — uma média de 0,32 gols por jogo. Na temporada atual pela Série A, essa média despencou para 0,03 gols por jogo.

A diferença de nível entre Série B e Série A explica parte da queda, mas não toda ela. Atacantes que sobem de divisão costumam ter um período de adaptação de 10 a 15 jogos. García está em 30 partidas — o período de adaptação já passou.

Antes do Brasil, García construiu seu currículo na Venezuela: 5 gols em 27 jogos pelo UCV em 2022 e mais 5 gols em 30 jogos pelo Deportivo Tachira FC em 2023, além de uma aparição na CONMEBOL Sudamericana. Ao longo de toda a carreira, o atacante acumula 31 gols em 126 jogos — média de 0,25 por jogo. A temporada atual está muito abaixo desse histórico.

Em matéria do SportNavo, o contexto financeiro também pesa: atacantes com esse perfil de produção na Série A raramente acionam cláusulas de renovação automática ou gatilhos de valorização contratual. García, que chegou ao Goiás sem histórico de transferências de alto valor documentado, precisa de números para criar qualquer argumento de mercado.

O caminho técnico para tapá-lo

O histórico de García sugere que ele é mais eficiente em sistemas que o colocam em situações de um contra um ou em movimentos de segunda bola. No Paysandu em 2024, a Série B oferece um futebol mais direto, com menos pressão de marcação organizada — ambiente propício para atacantes de velocidade e leitura rápida.

Na Série A, os blocos defensivos são mais compactos e o tempo de decisão é menor. Para um jogador de 163 cm que não domina o jogo aéreo como recurso principal, o posicionamento dentro da área e a antecipação de cruzamentos precisam ser aprimorados. A Copa Verde de 2024 — onde García marcou 1 gol em 6 jogos — mostrou que ele consegue produzir em competições de menor intensidade tática, mas a Série A exige mais.

O caminho técnico passa por três ajustes mensuráveis: aumentar o número de finalizações por jogo, melhorar o aproveitamento dentro da área nos últimos 16 metros e reduzir o tempo de decisão em situações de frente para o gol. Nenhum desses ajustes é revolucionário — todos são trabalháveis em treinamento.

Onde está hoje em relação a esse buraco A lacuna que Esli García ainda não fecho
Onde está hoje em relação a esse buraco A lacuna que Esli García ainda não fecho

O que isso destrava na carreira

García completa 26 anos em julho de 2026. Nessa janela de idade — entre 25 e 27 anos — atacantes sul-americanos costumam definir se vão consolidar carreira em nível nacional ou retroceder para divisões inferiores. O momento é de definição.

Se García fechar a temporada de 2026 com 5 ou mais gols no Brasileirão Série A, o perfil muda: passa de jogador com potencial não realizado para atacante com capacidade comprovada no principal campeonato do país. Esse salto de percepção tem impacto direto em qualquer negociação de contrato ou transferência.

O Goiás, por sua vez, tem interesse em que o investimento feito no jogador se justifique. Atacantes que não produzem em 30 jogos raramente recebem uma 31ª chance em um clube que precisa de resultados para se manter na elite. O cenário mais realista para os próximos 12 meses é binário: ou García encontra o gol e se firma na Série A, ou a próxima temporada começa em outra divisão ou em outro país.

A última vez que um atacante venezuelano chegou ao Brasil com currículo construído na Primera División e na Série B e não conseguiu converter presença em gol foi sintoma de algo além da má fase — foi sinal de uma lacuna técnica que ainda está aberta.