Caiu. Estêvão, 19 anos, o atacante mais elétrico que o Brasil revelou desde Robinho estreou pela Seleção em 2004, está fora da Copa do Mundo. A lesão muscular na coxa direita sofrida em 18 de abril, num duelo do Chelsea contra o Manchester United pela Premier League, encerrou precocemente o sonho do garoto criado no Palmeiras de disputar seu primeiro Mundial. A CBF confirmou a ausência na pré-lista de 55 nomes enviada à FIFA na noite desta segunda-feira, 11 de maio.
A lesão que derrubou Estêvão no pior momento
O jornalista Pedro Ivo Almeida, ao SportsCenter, foi direto ao ponto:
"O Estêvão está fora da pré-lista e, portanto, fora da Copa. Havia expectativa de que ele pudesse integrar a lista de 55 nomes, mas não será possível, já que não há condições de ele se recuperar 100% até o início da Copa do Mundo. A CBF sempre trabalhou com o cenário de que a lesão do Estêvão não era simples."
O próprio atacante sabia. Ao retornar à Academia de Futebol do Palmeiras para iniciar o tratamento — cedida pelo clube paulista a pedido de seu estafe e do Chelsea —, Estêvão demonstrou abatimento visível. O clube inglês enviou um profissional para acompanhar cada etapa da recuperação, mas o calendário não deu margem. Nenhuma coxa direita, por mais jovem que seja seu dono, respeita prazos de Copa do Mundo.
Estêvão se junta a Éder Militão e Rodrygo, ambos do Real Madrid, no grupo de jogadores que Carlo Ancelotti certamente convocaria, mas que a medicina vetou. Três titulares potenciais. Três ausências de peso.
O mapa do ataque brasileiro sem o camisa 41 do Chelsea
Há um paralelo histórico que ilumina este momento. Na Copa de 2006, na Alemanha, o Brasil chegou sem Ronaldo em forma plena — o Fenômeno acumulava desgaste físico desde o Mundial anterior — e Parreira tentou compensar com Adriano e Kaká carregando o peso ofensivo. O resultado foi uma eliminação nas quartas para a França de Zidane, 1 a 0. A lição que ficou: substituir talento individual por volume coletivo raramente resolve.
Ancelotti, que em sua carreira como técnico acumulou duas Champions League pelo Real Madrid e uma pelo Milan, entende melhor do que ninguém que atacantes não são peças intercambiáveis. A questão, como levantou o SportNavo ao analisar a pré-lista, é que o Brasil tem nomes capazes — mas nenhum com o perfil exato de Estêvão: drible curto, aceleração em espaços reduzidos e capacidade de jogar pelos dois flancos.
Raphinha, capitão e referência do Barcelona, ocupa a ponta direita com autoridade. Vinicius Jr., do Real Madrid, domina a esquerda. O espaço de Estêvão era o de terceiro atacante, o coringa ofensivo que entra e desequilibra. Nesse perfil, os nomes que surgem na pré-lista são Savinho, do Manchester City, e Endrick, do Real Madrid — dois jovens com históricos ainda em construção no futebol europeu.
Quem tem condições reais de herdar a função de Estêvão
Savinho, 21 anos, viveu temporada irregular no City de Pep Guardiola, mas tem velocidade e capacidade de condução que lembram, em traços gerais, o estilo do ausente. Endrick, por sua vez, marcou gols importantes pelo Real Madrid na temporada 2025/2026, mas ainda busca consistência como titular.
Há ainda a possibilidade de Ancelotti redesenhar o sistema. No Fluminense de 2023, Fernando Diniz resolveu problema parecido ao escalar um meia adiantado no lugar de um ponta, ganhando em criação o que perdia em velocidade — tática que rendeu a Libertadores daquele ano ao clube carioca. Com a qualidade de Rodrygo ausente e Estêvão fora, o técnico italiano pode optar por um Brasil mais compacto, apostando na inteligência coletiva em vez da genialidade individual.
O Brasil estreia na Copa do Mundo contra Marrocos em 13 de junho. Antes disso, Ancelotti terá dois amistosos para testar combinações — contra o Panamá em 31 de maio e o Egito em 6 de junho — e é nesses jogos que o substituto de Estêvão, seja quem for, precisará convencer.









