O Estádio Olímpico de Roma vai dividir suas cores ao meio neste domingo (17/5), às 7h (de Brasília). A arquibancada giallorossa vai empurrar, a laziale vai provocar — e no meio disso tudo, a Roma precisa produzir os 90 minutos mais eficientes da sua temporada. Três pontos separam o clube da zona de classificação à Champions League. Sete anos os separam da última participação no torneio.
A matemática que tortura a Roma nesta reta final
A Roma chega à 37ª rodada da Serie A 2025/26 na quinta posição, com 67 pontos. O G4 está assim distribuído: Napoli com 70 (2º), Juventus com 68 (3º) e Milan com 67 (4º). Vencer não basta — Gasperini ainda precisa de tropeço de pelo menos um dos três rivais à frente.
A última vez que o clube disputou a Champions foi em 2018/19, quando caiu nas oitavas de final diante do Porto. Desde então, a Roma oscilou entre o quinto e o sétimo lugar na Serie A — território de Conference League e, nos anos mais magros, de nada.
Reparemos no detalhe: a terceira posição de 2017/18 é o teto de desempenho na liga nos últimos oito anos. Qualquer coisa acima disso, nesta temporada, seria o melhor resultado da era pós-Champions da equipe romana.
Gasperini desenha ataque sem quatro peças do sistema
O técnico Gian Piero Gasperini chega ao Derby com um problema estrutural relevante. Zaragoza, Pellegrini, Ferguson e Dovbyk estão todos fora por lesão. São quatro jogadores que participam diretamente das transições ofensivas e da construção pelo corredor central.
A solução escalada é: Svilar; Mancini, Ndicka e Hermoso; Celik, Cristante, Koné e Wesley; Soulé, Dybala e Malen. O sistema mantém a linha de quatro defensores e aposta na criatividade de Dybala como pivô de ligação entre meio e ataque. Malen, que normalmente atua pelos flancos, será o referencial de profundidade com Dovbyk ausente.
A compactação no bloco médio será testada. Sem Pellegrini para circular entre as linhas e sem Ferguson para ganhar duelos aéreos, a Roma perde mobilidade no setor mais sensível do esquema de Gasperini — a zona de transição entre o meio-campo e o terço final.
Sarri cumpre tabela, mas a Lazio não é adversário simples de escalar
A Lazio chega ao Derby sem nada a perder — e isso, taticamente, é um problema para a Roma. Maurizio Sarri, nono colocado com 51 pontos, teve suas chances europeias para 2026/27 sepultadas após derrota por 3 a 0 para o Milan na rodada anterior. Antes disso, a equipe perdeu a final da Copa da Itália para a Inter de Milão por 2 a 0.
Segundo a avaliação do SportNavo, times sem pressão de tabela em clássicos tendem a atuar com maior liberdade posicional — exatamente o tipo de variável que Gasperini precisará monitorar na linha de pressão alta que sua equipe costuma adotar.
Sarri escala: Motta; Marusic, Gila, Provstgaard e Nuno Tavares; Basic, Patric e Taylor; Isaksen, Zaccagni (dúvida — pode ser substituído por Pedro) e Noslin. Romagnoli está suspenso por cartão vermelho, e o goleiro Provedel segue fora. Pedro, ex-Roma, pode aparecer como titular e reencontrar o clube onde atuou entre 2020 e 2022.
Segundo a imprensa europeia, Zaccagni treinou com limitações nos últimos dias, e a comissão técnica da Lazio não descarta preservá-lo para a última rodada da temporada.
Os cenários possíveis após o apito final no Olímpico
Há três caminhos concretos a partir deste domingo. No primeiro, a Roma vence e espera: se Juventus ou Milan tropeçarem na mesma rodada — todos os jogos da 37ª rodada ocorrem simultaneamente —, os romanos entram no G4. No segundo, a Roma vence e ninguém tropeça: a equipe chega à última rodada ainda em quinto, dependendo de combinação de resultados. No terceiro, a Roma não vence: o sonho da Champions encerra matematicamente antes da última rodada.
A pressão sobre o setor ofensivo é direta. Malen precisará segurar a bola no corredor esquerdo sem o suporte de Dovbyk no centro. Soulé, pelo lado direito, terá o corredor de Nuno Tavares como oposição — um dos laterais mais ativos da liga em sobreposições.
Nos dados da temporada, a Roma apresenta média de 54,3% de posse de bola em jogos em casa e 1,8 gol marcado por partida no Olímpico. A Lazio, fora de casa, defende com bloco médio-baixo e pressiona a saída de bola adversária apenas no terço inicial — o que pode abrir espaço para Dybala construir pelo interior.
Nas palavras do próprio Gasperini, em coletiva recente: "Precisamos jogar para vencer, independentemente do adversário. O Derby tem sua própria lógica, mas a tabela fala mais alto agora."
A bola rola às 7h do domingo. Se a Roma vencer e o Milan empatar ou perder com o Bologna — que joga na mesma rodada —, os giallorossi entram no G4 faltando apenas uma rodada para o fim da Serie A 2025/26. O aproveitamento da Roma nos últimos cinco jogos em casa é de 80% — quatro vitórias e um empate.










