Há jogadores que chegam aos holofotes com fanfarra. E há jogadores que chegam em silêncio — e ficam. Alex Gogic é do segundo tipo. Aos 32 anos, o zagueiro cipriota está sob as luzes da Champions League defendendo a camisa 13 da Juventus, e a pergunta que o SportNavo se fez foi simples: como um homem que construiu a carreira tijolo a tijolo na Escócia chegou até aqui?
Das academias gregas ao futebol das terras altas
A história começa com um sobrenome. Filho de Siniša Gogić, ex-jogador internacional cipriota de origem sérvia, Alex carregou desde cedo o peso e o privilégio de ter crescido dentro do futebol. Formado nas categorias de base do Olympiacos, na Grécia, e depois no Swansea City, no País de Gales, ele percorreu dois países antes de encontrar a estrutura que moldaria seu jogo de verdade.
Foi na Escócia que tudo ganhou forma. Em fevereiro de 2017, Gogic assinou com o Hamilton Academical — um clube sem glamour, mas com honestidade tática. Em dezembro daquele mesmo ano, antes mesmo de completar 12 meses no clube, já havia renovado contrato até 2020. Era um sinal claro: o jogador entregava consistência, e o clube confiava nele. Em junho de 2020, ele seguiu em frente.
O próximo passo foi o Hibernian. Em julho de 2020, Gogic assinou por dois anos com o clube de Edimburgo. Mas foi um empréstimo ao St Mirren, em janeiro de 2022, que abriu a porta que ele mais precisava. Na estreia com a nova camisa, em 1º de fevereiro, gol. Empate por 1 a 1 contra o Motherwell. A mensagem estava dada.
O St Mirren e o ponto de virada
Quando o Hibernian o liberou em junho de 2022, o St Mirren não hesitou. Em agosto, assinaram um contrato de dois anos. Em maio de 2024, renovaram por mais três temporadas — detalhe que diz muito sobre o impacto que Gogic causou no clube de Paisley. Eram anos de estabilidade num futebol em que zagueiros da sua natureza — físico de 185 cm e 83 kg, presença aeréa, leitura de jogo — custam caro e constância.

Na seleção cipriota, a trajetória seguiu o mesmo ritmo cadenciado. Ele representou o Chipre nas categorias sub-19 e sub-21, mas a convocação para a equipe principal só veio em setembro de 2020. E, mesmo aí, o destino conspirou: um teste positivo para COVID-19 — resultado que exames posteriores não confirmaram — o forçou a dez dias de isolamento e adiou a estreia. Ela veio em 7 de outubro de 2020, numa derrota amistosa por 2 a 1 para a República Tcheca. Gogic já conhecia o script: começo difícil, sequência forte.
Números que importam nesta temporada
Na temporada 2025/2026, o zagueiro cipriota acumula 38 jogos disputados, com 2 gols marcados e 1 assistência. Para um zagueiro no contexto da Champions League, esses números não são adorno — são sintoma de um jogador que sai do bloco defensivo e contribui com o jogo coletivo. A análise do SportNavo mostra que zagueiros com participação direta em gols nessa fase de competição europeia representam uma minoria significativa dentro dos elencos de elite.

Trinta e oito jogos em uma temporada é também um número de regularidade. Não há grandes lacunas. Não há ausências prolongadas. Gogic está em campo — e isso, para um defensor de 32 anos numa competição do nível da Champions League, é uma declaração por si só.
Estilo de jogo — o defensor que pensa antes de agir
Gogic não é o tipo de zagueiro que resolve no susto. Sua formação no futebol escocês — ambiente físico, direto, com marcações disputadas no limite — lapidou um jogador que antecipa antes de reagir. Os 185 cm e 83 kg garantem presença nas bolas aéreas, mas o que chama atenção é a capacidade de atuar como volante quando necessário, posição em que também foi utilizado ao longo da carreira.
Essa versatilidade é rara e valiosa. Num esquema tático moderno, onde zagueiros precisam iniciar jogadas, pressionar saídas adversárias e cobrir linhas intermediárias, o repertório híbrido de Gogic o torna um recurso flexível para comissões técnicas. Jogar de camisa 13 na Juventus não é acidente — é escolha.
O que esperar dos próximos doze meses
Com 32 anos completos desde 13 de abril de 2026, Gogic está na faixa etária em que zagueiros experientes costumam atingir seu auge de leitura de jogo — mesmo que o pico físico já tenha ficado para trás. A questão é simples: quanto tempo ele seguirá sendo titular absoluto numa Juventus que compete em nível continental?
A resposta mais honesta é que depende de como a temporada terminar. Se a Juventus avançar nas fases da Champions League, a visibilidade de Gogic cresce proporcionalmente. Se o clube optar por renovação de elenco no mercado de verão europeu de 2026, o cipriota pode se tornar peça de rotatividade — não descarte, mas não garantia automática de titularidade. Há também o fator seleção: Gogic segue representando o Chipre na equipe principal, e esse vínculo com a camisa nacional mantém seu ritmo competitivo mesmo em semanas sem jogos pelo clube.
O que os dados desta temporada — 38 jogos, 2 gols, 1 assistência — revelam é um jogador longe do fim. Um zagueiro que atravessou academias na Grécia, clubes modestos no País de Gales, anos na Escócia e chegou à Champions League sem atalhos. Para quem apostou nele no Hamilton em 2017, não é surpresa. Para quem descobre agora, é uma boa história.









