A bola para no meio do campo. Um meia de 183 cm a domina com naturalidade, distribui e segue o jogo sem aparecer no placar. Bruno Zapelli é esse jogador — o que organiza, conecta e cria, mas que ainda não encontrou o caminho regular para o fundo da rede.
O que ele ainda não resolveu
A lacuna de Zapelli é objetiva: 1 gol em 35 jogos na temporada 2026 pelo Athletico PR. Para um meia que veste a camisa 10 e ocupa posição de criação no Brasileirão Série A, o número é insuficiente.
As 7 assistências mostram que ele lê o jogo. Mas a ausência de gols reduz seu peso ofensivo direto. Um meia criativo que não marca é mais fácil de neutralizar.
O histórico reforça o padrão. Em 2024, foram 36 jogos na Série A com zero gols. Na Copa do Brasil, 5 jogos, 2 gols — seu melhor aproveitamento registrado em competição nacional. O dado isolado sugere que Zapelli consegue marcar, mas não de forma consistente.
Na temporada 2023, quando ainda dividia tempo entre o Belgrano Córdoba e o Athletico, somou 2 gols em 21 jogos pelo clube paranaense no Brasileirão. O número não é expressivo, mas era o início de uma adaptação. Três anos depois, a adaptação já deveria ter evoluído para consolidação.
Onde está hoje em relação a esse buraco
Zapelli tem 24 anos. Nasceu em 2002 e completa 25 em maio deste ano. Está no pico físico da carreira. O momento é agora.
As 7 assistências em 35 jogos na temporada 2026 representam sua melhor marca em assistências por temporada desde que chegou ao Brasil. Em 2024, foram 5 assistências em 36 jogos na Série A. A evolução existe — mas está concentrada na criação, não na finalização.
Na avaliação do SportNavo, o perfil atual de Zapelli é o de um meia organizador com capacidade de criação acima da média para o padrão do Brasileirão, mas com participação direta em gols aquém do esperado para quem carrega o número 10.
Sua trajetória partiu do Belgrano Córdoba, onde disputou 36 jogos na Primera Nacional em 2022 — divisão de acesso do futebol argentino. Em 2023, migrou para o Brasil e dividiu a temporada entre os dois clubes. A mudança de país, de liga e de nível de competição foi rápida. O Athletico apostou cedo nele.
O caminho técnico para tapá-lo
A solução não é simples. Zapelli precisa chegar mais vezes à área. Com 183 cm, tem estrutura física para disputar bolas aéreas e finalizar de dentro da área — algo que meias de seu porte costumam explorar mais.
O histórico na Copa do Brasil de 2024 — 2 gols em 5 jogos — indica que em competições de mata-mata, com menos espaço para errar, ele se posiciona melhor ofensivamente. O dado sugere que o problema pode ser de escolha tática ou de volume de chegadas, não de técnica de finalização.
A comparação com meias da mesma posição no Brasileirão 2026 é desfavorável em gols, mas competitiva em assistências. Sete passes para gol em 35 jogos coloca Zapelli entre os meias mais produtivos da liga em criação direta. O desequilíbrio entre as duas métricas é o ponto central.
Tecnicamente, o caminho passa por aumentar as chegadas ao ataque sem bola, explorar o espaço entre linhas para receber em posição de finalização e converter pelo menos parte das oportunidades que a função de armador naturalmente gera.
O que isso destrava na carreira
Se Zapelli equilibrar criação e gols, o perfil muda de categoria no mercado. Um meia de 24 anos com 7 assistências e 8 a 10 gols por temporada no Brasileirão é produto exportável.

O caminho até aqui foi consistente em volume: somando as temporadas registradas no Athletico, são mais de 100 jogos pelo clube paranaense. A regularidade existe. O salto qualitativo ainda não.
O Athletico tem histórico de revelar e valorizar jogadores para o mercado externo. Zapelli já passou pela Sudamericana em 2024 — 10 jogos, 1 gol e 3 assistências — o que amplia sua visibilidade para clubes sul-americanos e europeus que monitoram a competição.
Com contrato vigente no clube e a temporada 2026 ainda em andamento, os próximos meses são decisivos. Fechar o ano com dupla produção — assistências e gols — pode abrir janelas que a carreira ainda não acessou. A bola ainda para no meio do campo. Mas agora ela precisa chegar ao gol.










