4 de agosto de 2025. Mohamed Elyounoussi completou 31 anos. Nenhum grande jornal europeu parou para notar. Mas quem acompanha a Champions League nesta temporada sabe que o silêncio em torno do nome dele não combina mais com os números que ele produz em campo.
Onde ele pode estar em 2027
Paris. Ainda Paris. Essa é a aposta mais realista para Mohamed Elyounoussi nos próximos doze meses — e talvez nos doze seguintes. Quando um atacante chega ao Paris Saint Germain com a camisa 10 nas costas e entrega 30 jogos, 10 gols e 5 assistências em uma única temporada de Champions League, o clube não abre mão facilmente. O número 10 no PSG carrega um peso histórico que vai além da camiseta. Quem a veste precisa produzir. Elyounoussi produziu.
A projeção para 2027 não é de um jogador em declínio gerenciando minutos. É de um atleta de 178 cm e 70 kg que, na casa dos 32 anos, ainda terá velocidade e inteligência posicional suficientes para ser titular em noites decisivas. Atacantes de seu perfil — leves, técnicos, com leitura de jogo apurada — costumam durar mais do que os físicos. E nomes como esse, que chegaram tarde ao topo, raramente desperdiçam o tempo que têm lá.
O que precisa acontecer até lá
Consistência. Essa é a palavra que persegue Elyounoussi há anos — e que, nesta temporada 2025/2026, ele parece finalmente ter encontrado. Dez gols em 30 jogos não é o número de um coadjuvante. É a linha de produção de um titular confiável, de alguém que aparece quando o jogo exige.
Para consolidar o legado no PSG, o norueguês precisa repetir esse rendimento em fases eliminatórias. A diferença entre um bom atacante e um grande atacante, no futebol europeu de alto nível, é medida exatamente aí — naquelas noites de terça ou quarta em que o estádio está cheio, o adversário está organizado e a pressão pesa como concreto. Cinco assistências já mostram que ele não joga só para si. O passo seguinte é transformar esse impacto coletivo em memória de competição.
Há também uma questão de legado nacional. A Noruega, seleção que carrega nomes pesados no futebol contemporâneo, ainda espera que Elyounoussi traduza para o contexto internacional o que ele faz nos clubes. Essa é uma das peças que ainda falta no quebra-cabeça.
O que já aconteceu na trajetória
Começa no frio. Molde, Noruega — uma cidade portuária de pouco mais de 30 mil habitantes onde o vento vem do Atlântico e o futebol é levado a sério mesmo no inverno. Foi lá que Elyounoussi, nascido em 4 de agosto de 1994 em Al Hoceima, no Marrocos, construiu as primeiras páginas de uma carreira que ninguém apostaria que chegaria a Paris.
Em 2014, com apenas 19 anos, ele foi peça do Molde que conquistou tanto a Tippeligaen quanto a Copa da Noruega. Dois troféus no mesmo ano, numa cidade onde o sol de verão dura pouco e a pressão por resultado é constante. Não era glamour. Era formação de caráter.
A virada de rota veio com a transferência para o Basel, na Suíça. Em 2016/2017, ele voltou a colecionar dois títulos na mesma temporada: a Super Liga Suíça e a Copa da Suíça. A distância entre Molde e Basileia — geograficamente, culturalmente, em nível de competição — é algo parecido com a diferença entre Teresina e São Paulo: não é apenas quilômetros, é outra realidade de futebol. Elyounoussi atravessou esse abismo sem fazer barulho.
O caminho até o PSG não foi em linha reta. Houve temporadas de adaptação, períodos em que os números oscilaram, momentos em que a consistência escorregou pelos dedos. Mas o jogador que chegou a Paris chegou maduro — e os dados das últimas temporadas, publicados em matéria do SportNavo, mostram um atleta que manteve produção relevante ao longo de ciclos distintos, sem nunca desaparecer completamente do radar.
Os obstáculos no caminho
Trinta e um anos. No futebol moderno, essa idade ainda não é o fim — mas é o início das perguntas. Contratos ficam mais curtos. Clubes pensam duas vezes antes de renovar. E o mercado, que nunca foi gentil com atacantes que chegaram tarde ao estrelato, tende a superestimar a juventude e subestimar a experiência.
Elyounoussi enfrenta também o peso invisível da camisa 10. No PSG, essa numeração já foi carregada por jogadores que moldaram décadas de futebol. A comparação é injusta por definição — mas ela existe, sussurrada nos corredores do Parc des Princes e nos comentários das redes sociais. Dez gols numa temporada de Champions League é uma resposta sólida. Mas o torcedor parisiense tem memória longa e expectativa alta.
Existe ainda o fator da origem dupla. Nascido no Marrocos, criado na Noruega, jogando em Paris — Elyounoussi habita um espaço identitário que o futebol europeu ainda não sabe muito bem como categorizar. Isso não é um problema esportivo, mas é uma pressão real. Jogadores que carregam mais de uma bandeira cultural frequentemente precisam provar mais, para mais públicos, ao mesmo tempo.
O que separa os que superam esses obstáculos dos que sucumbem a eles, porém, costuma ser simples: presença. Aparecer no jogo seguinte. Marcar no momento em que ninguém acredita. Dar a assistência que vira o placar. Elyounoussi já fez isso dez vezes nesta temporada. A pergunta não é se ele consegue. É quantas vezes mais ele vai precisar provar.










