"Ele pesa 56 quilos e joga em posição que exige choque físico toda partida." A frase resume o paradoxo que acompanha Guilherme Pato desde os primeiros anos de carreira profissional: um corpo fora do padrão físico convencional do futebol brasileiro, que insiste em aparecer nas escalações.
O número que define a temporada
Trinta e um jogos. Essa é a marca de CRB que mais importa quando o assunto é Guilherme Pato no Brasileirão Série A de 2026. Não são os 4 gols ou as 3 assistências que saltam primeiro — é a presença constante do camisa 11 no time titular do técnico alagoano ao longo de praticamente toda a campanha.
Quatro gols e três assistências em 31 partidas colocam Guilherme Pato no grupo de atacantes com participação direta em 7 gols na Série A, marca razoável para um jogador que até pouco tempo acumulava mais dúvidas do que certezas sobre o próprio futuro no futebol brasileiro.
O CRB aposta em um atacante de 161 cm e 56 kg para cumprir o papel de camisa 11 na elite do futebol nacional. A escolha é deliberada e já se sustenta na maior parte dos confrontos da temporada.
Como ele chegou aqui
O nome de registro é Guilherme Nunes Rodrigues. O apelido Pato acompanha o atacante desde as categorias de base. A carreira profissional começou no Internacional, com estreia oficial em 1º de fevereiro de 2020 — um empate sem gols contra o Ypiranga pelo Campeonato Gaúcho. Tinha 18 anos.
O caminho entre Porto Alegre e Maceió passou por Baku. Em 21 de janeiro de 2022, Guilherme Pato assinou com o Neftchi Baku, do Azerbaijão, com contrato previsto até o verão europeu de 2024. A passagem durou menos de 14 meses: em 15 de fevereiro de 2023, o vínculo foi encerrado por acordo mútuo antes do prazo.
A saída antecipada do Azerbaijão é o turning point mais revelador da trajetória. Romper um contrato por acordo mútuo, com mais de um ano ainda na vigência, sinaliza que a adaptação ao futebol do leste europeu não aconteceu no ritmo esperado — ao menos não o suficiente para garantir sequência no clube. O retorno ao Brasil, portanto, não foi triunfal. Foi necessário.
No CRB, Guilherme Pato encontrou continuidade. Trinta e um jogos em uma temporada de Série A representam a maior sequência documentada da carreira do atacante até agora.
O que o faz diferente dos pares
Atacantes com perfil físico semelhante ao de Guilherme Pato — abaixo de 165 cm, menos de 60 kg — costumam ser categorizados como pontas de velocidade com limitação nas disputas aéreas. O CRB o utiliza como atacante aberto pela esquerda, camisa 11 clássico, com liberdade para combinar mobilidade e chegada ao gol.
Os 3 gols sofridos pelo CRB na derrota para o Juventude em 19 de abril de 2026 — jogo em que o time alagoano perdeu por 1 a 0 fora de casa — evidenciam que a equipe ainda busca regularidade defensiva. O ataque, no entanto, se apoia na movimentação constante do camisa 11 para criar desequilíbrio.
Em matéria do SportNavo que cobriu a rodada da Libertadores de abril de 2026, jovens atacantes sul-americanos foram destacados como referência de futuro. Guilherme Pato, aos 25 anos, está exatamente nessa faixa de transição — velho o suficiente para não ser considerado promessa, jovem o suficiente para ainda crescer.
A combinação de 4 gols e 3 assistências em 31 jogos coloca Guilherme Pato em uma média de participação em gol a cada 4,4 partidas. Não é artilharia. É consistência funcional para um time que disputa a Série A.

Os limites a vencer
O físico é o dado mais imediato. Com 56 kg e 161 cm, Guilherme Pato enfrenta a desvantagem estrutural em duelos diretos com zagueiros da Série A, que têm, em média, 10 a 15 cm a mais de altura. Cada jogo de bola área é um combate desfavorável.
O histórico contratual também pesa. A passagem pelo Neftchi Baku terminou antes do prazo em fevereiro de 2023, sem registro de gols ou assistências nas estatísticas detalhadas disponíveis. Esse período representa uma lacuna que ainda não foi preenchida com dados de desempenho — e que dificulta a avaliação completa do salto técnico que o atacante eventualmente deu entre 2020 e 2026.
A temporada atual resolve parte dessa dúvida. Trinta e um jogos no Brasileirão Série A, com participação direta em 7 gols, é o argumento mais sólido que Guilherme Pato já apresentou ao mercado. Mas atacantes de 25 anos com esse volume de participações precisam, na janela seguinte, elevar a produção de gols — ou o rótulo de "peça de apoio" se torna permanente.
O CRB tem contrato vigente com o jogador. O mercado observa. A janela de transferências do segundo semestre de 2026 abre antes do fim da Série A — e a pergunta concreta é: se o CRB receber uma proposta de clube da Série B com valores acima do orçamento atual pelo camisa 11, o atacante aceita o passo atrás em troca de protagonismo, ou mantém a aposta na elite?










