O estádio Beira-Rio em noite de Brasileirão tem uma gramática própria: o barulho da torcida, a pressão do marcador e, na saída de bola, um zagueiro de 181 cm que decide com o pé esquerdo antes de qualquer um perceber que a jogada começou ali. Esse é Matheus Bahia, 26 anos, camisa 6 do Internacional. Nasceu em Salvador, foi formado no futebol baiano e chegou ao Sul pela rota menos óbvia do país.
Onde ele pode estar em 2027
Em maio de 2026, Matheus Bahia já soma 33 jogos na temporada pelo Internacional no Brasileirão Série A. Quatro assistências em uma temporada para um zagueiro não é dado decorativo — é argumento contratual. Nenhum defensor entrega esse número por acidente; entrega porque o sistema tático o coloca em posição de construção, e porque ele tem a leitura para aproveitá-la.
O cenário mais realista para 2027 passa por dois caminhos. O primeiro: consolidação no Internacional como titular de longa data, o que abriria janela para propostas de clubes da Série A com maior capacidade financeira ou, eventualmente, do exterior. O segundo caminho é mais silencioso — e igualmente válido: tornar-se o zagueiro de referência da equipe gaúcha por mais uma temporada completa, acumulando minutagem e consistência que o mercado precifica com juros.
Não há tragédia: há contabilidade. Um zagueiro de 26 anos com 173 jogos na carreira, passagens por Bahia, Ceará e Internacional, e quatro assistências numa única temporada de Série A está, objetivamente, no melhor momento de sua trajetória profissional.
O que precisa acontecer até lá
A sequência de 33 jogos na temporada atual é o dado mais relevante no curto prazo. Regularidade é o ativo mais escasso no futebol brasileiro — e Matheus Bahia a tem demonstrado. Manter esse volume de participação até o final de 2026 seria o argumento mais sólido para qualquer negociação futura.
Decidiu.

A questão não é talento — é continuidade. O histórico do jogador mostra que, quando teve sequência, entregou produção: em 2024, pelo Ceará na Série B, foram 28 jogos apenas no campeonato nacional, com três assistências na temporada. Em 2023, pelo Bahia na Série A, foram 27 jogos. A curva é ascendente, mas precisa de uma temporada sem interrupções para se consolidar como tendência, não como episódio.
Um artigo recente da imprensa nacional, de 16 de maio de 2026, levantou a questão dos ex-Bahia no Internacional — e Matheus Bahia é parte dessa equação. A pergunta implícita no título daquele texto é sobre pertencimento: esses jogadores chegaram para ficar ou são soluções de transição? A resposta de Matheus está sendo dada em campo, jogo a jogo.
O que já aconteceu na trajetória
A estreia competitiva veio em 23 de julho de 2020, pelo Bahia, no Campeonato Baiano contra o Atlético Alagoinhas. Entrou aos 62 minutos numa derrota por 1 a 0 — começo sem glamour, como costuma ser. Menos de dois meses depois, em 11 de setembro de 2020, foi titular por 90 minutos na Série A contra o Grêmio. O Bahia perdeu por 2 a 0, mas Matheus estava em campo do início ao fim. Aos 21 anos, já era profissional de fato.
Com o Bahia, conquistou o Campeonato Baiano em 2020 e 2023, e a Copa do Nordeste em 2021. São três títulos regionais que compõem o currículo antes dos 24 anos — base sólida para quem precisava de credenciais antes de dar o próximo passo.
O passo seguinte foi o Ceará. Em 2024, defendeu o clube cearense na Série B — uma temporada de 28 jogos no campeonato nacional, mais participações no Cearense, Copa do Nordeste e Copa do Brasil. Ao final daquele ciclo, tinha no bolso o Campeonato Cearense de 2024. Em 2025, o título cearense se repetiu. Dois anos, dois estaduais. A consistência regional virou trampolim para o Sul.
Os obstáculos no caminho
O futebol brasileiro tem uma dinâmica que penaliza zagueiros de perfil técnico: quando a equipe vai mal defensivamente, o primeiro nome na lista de culpados é o da linha de quatro. Matheus Bahia acumula zero gols em 33 jogos nesta temporada — dado esperado para a posição — mas as quatro assistências o colocam num papel de construção que pode ser questionado quando o time sofre gols. É o custo do zagueiro que joga.
A carreira de 173 jogos com apenas quatro gols marcados no total diz que ele não é um zagueiro de área — é um zagueiro de saída de bola. Esse perfil tem mercado, mas tem também um teto de visibilidade: quem distribui raramente aparece na manchete. O reconhecimento chega mais devagar.
O contexto do Internacional em 2026 também importa. A presença de múltiplos ex-Bahia no elenco cria uma narrativa paralela que pode ofuscar avaliações individuais. Matheus Bahia precisa ser lido pelos seus próprios números — e os números desta temporada, 33 jogos e quatro assistências, são suficientemente claros para dispensar qualquer legenda coletiva.










