10 de abril de 2024. Naquele dia, Neto Costa assinou com o Athletic-MG — um clube que disputava a Série C e que poucos fora de Minas Gerais sabiam nomear. Menos de um ano depois, o Athletic estava na Série B, e o atacante paraibano era peça central desse acesso histórico. Esse momento resume bem a lógica de uma carreira construída não em holofotes, mas em resultados.
Se ele for transferido neste mercado
Na temporada atual do Brasileirão Série B, São Bernardo conta com Neto Costa como camisa 19 e referência ofensiva: 7 gols em 33 jogos até aqui em 2026. A média de 0,21 gols por partida não é explosiva, mas é consistente num segundo escalão onde a maioria dos atacantes oscila muito mais.
Arnaldo Francisco da Costa Neto, nome de registro, tem 29 anos e 184 cm. Está no pico fisiológico da carreira. Clubes da Série A que buscam um centroavante de cobertura, com capacidade de atuar em sistemas de pressão alta, encontram no perfil físico e no histórico de adaptação rápida um argumento razoável para investir.
O mercado brasileiro de atacantes na faixa dos 29 anos, sem passagem recente por elite nacional, costuma movimentar valores entre R$ 800 mil e R$ 2 milhões em luvas, com salários mensais entre R$ 40 mil e R$ 90 mil dependendo do clube. Neto Costa, sem troféus expressivos no currículo mas com um acesso à Série B no histórico recente, se encaixa na faixa intermediária desse espectro. Uma eventual transferência para a Série A envolveria, na avaliação do SportNavo, contrato de 18 a 24 meses — o padrão para jogadores nessa faixa etária sem cláusula de saída conhecida.
Uma saída para o exterior, como a que aconteceu em agosto de 2019 quando foi ao Oliveirense, em Portugal, exigiria um patamar de desempenho acima do atual. A janela europeia de verão fecha em agosto — tempo curto para que os números da Série B gerem interesse concreto além-Atlântico.

Se permanecer no clube atual
O São Bernardo chegou à Série B como novidade e precisa de estabilidade no elenco para consolidar a permanência na divisão. Manter Neto Costa é a opção de menor risco operacional: o atacante já conhece o grupo, o esquema e a realidade financeira do clube.
Com 33 jogos disputados em 2026, ele é um dos jogadores de linha com mais minutos no plantel. Isso tem peso contratual — clubes da Série B raramente renovam com quem não joga, e igualmente raramente deixam sair quem joga tanto.
Nos anos 90, era comum ver atacantes de segundo escalão encerrarem carreiras em clubes de médio porte sem nunca experimentar a elite — Sérgio Manoel, artilheiro histórico da Série B de 1997 com 14 gols pelo Botafogo-SP, é exemplo de trajetória encerrada longe dos holofotes apesar da produção. Neto Costa tem 29 anos e ainda tem janela. Ficar no São Bernardo em 2026 não encerra essa janela, mas a estreita.
A permanência faz sentido financeiro para o clube e garante ao jogador sequência de minutos — ativo valioso para quem precisa de uma vitrine para o mercado de 2027.
Se mudar de função tática
Neto Costa atua como atacante centralizado, mas seu histórico de passagens por clubes com propostas táticas distintas — do Manaus ao Operário Ferroviário, passando por Caldense e Boa Esporte — indica capacidade de adaptação. Fisicamente, 184 cm e 78 kg constroem um perfil compatível com segundo atacante em sistemas de dois centroavantes ou com ponta direita de apoio em 4-3-3.
No Campeonato Mineiro de 2023, foi artilheiro do Patrocinense — dado que indica eficiência em contextos de menor pressão tática. Se o São Bernardo ou um eventual novo clube decidir usá-lo como segundo homem de ataque, liberando espaço para um camisa 9 mais fixo, a produção pode crescer.
Zero assistências em 33 jogos na temporada atual indica que o papel criativo não é sua vocação principal. A mudança de função tática mais produtiva para ele não é para meia, mas para uma função de referência física dentro da área — onde os 184 cm se tornam argumento.
O cenário mais provável dos três
Neto Costa permanece no São Bernardo até o final de 2026. A janela de transferências do meio do ano no Brasil é curta e movimenta menos dinheiro do que a de janeiro. Sem artigos recentes na imprensa especializada e sem agitação pública de representantes, o sinal é de continuidade.
A carreira dele tem uma lógica própria: nasceu em São José dos Ramos, interior da Paraíba, passou pelas categorias de base do Cerâmica e do CSP antes de chegar ao Capivariano em 2016. Dali, percorreu Cianorte, Ponte Preta, Santa Cruz, Portugal, Cascavel, Boa Esporte, Caldense, Manaus, Patrocinense, Operário Ferroviário, Athletic-MG e agora São Bernardo. São mais de dez clubes em dez anos de carreira adulta.
Esse padrão de mobilidade não é instabilidade — é a realidade de um atacante que se mantém empregado no futebol profissional brasileiro sem o suporte de uma base de elite ou de um empresário de alto perfil. Cada contrato foi conquistado por rendimento em campo.
Com 29 anos, a janela para chegar à Série A ainda existe. Mas ela exige um segundo semestre de 2026 com mais gols do que o primeiro. Sete gols em 33 jogos são suficientes para manter o emprego. Para mudar de patamar, o número precisa crescer.










