A bola para no círculo central da Ilha do Retiro. Um atacante de 186 cm ajusta a faixa no pulso, olha para a arquibancada e espera o apito. É Perotti — Pedro Henrique Perotti, nascido em Rodeio Bonito em 22 de novembro de 1997 — que carrega a camisa 9 do Sport Recife nesta temporada de 2026.
Aos 28 anos, o atacante acumula uma trajetória que passou por Brasil, Polônia e Japão antes de chegar ao Recife. Não é um nome que domina manchetes, mas é um perfil que levanta perguntas práticas sobre mercado e aproveitamento tático.
Se ele for transferido neste mercado
Na temporada atual do Brasileirão Série A, Perotti registra 3 gols em 26 jogos. A média de 0,115 gols por partida é modesta para um centroavante titular, e esse número pesa diretamente na avaliação de mercado.
Para efeito de comparação, em 2022 pela Chapecoense na Série B ele marcou 6 gols em 26 jogos — média de 0,23 por partida, o dobro do rendimento atual. Esse pico de carreira é o argumento mais forte que qualquer clube comprador teria para justificar uma proposta.
A passagem pelo Radomiak Radom, da Ekstraklasa polonesa, em 2024, rendeu apenas 1 gol em 13 jogos. O mercado europeu de médio porte já testou Perotti e não renovou o interesse de forma pública. Uma saída neste janela precisaria vir de clube brasileiro de Série A ou de liga asiática, onde o perfil físico — 186 cm, 78 kg — tem demanda.
Sem contrato divulgado publicamente e sem artigos recentes indicando negociações, qualquer movimentação dependeria de o Sport aceitar liberar um centroavante no meio da temporada, o que encarece a operação para o comprador.
Se permanecer no clube atual
Permanecer no Sport até o fim de 2026 é o cenário que mais favorece a recuperação estatística de Perotti. Ele já tem 26 jogos de ritmo na Série A desta temporada — o maior volume em competição de elite desde a Série B de 2022.
Em 2023, pelo FC Tokyo na J1 League, foram 13 jogos e 1 gol, além de 2 gols na J-League Cup em 5 partidas. A adaptação ao futebol japonês foi lenta. No Sport, o contexto é diferente: o jogador está no Brasil, em clube com torcida expressiva e pressão diária por resultado.
O desafio concreto é simples: Perotti precisa sair dos 3 gols atuais para ao menos 7 ou 8 até o fim da Série A. Esse volume colocaria a temporada de 2026 como a melhor da carreira em termos absolutos em competição nacional de elite.

A camisa 9 do Sport carrega expectativa de artilharia. Manter a posição de titular e converter mais chances é a única forma de o atacante encerrar 2026 com valorização de mercado real.
Se mudar de função tática
Com 186 cm e histórico como centroavante fixo, Perotti tem perfil físico para atuar como referência de área. Mas os números desta temporada — 3 gols e 0 assistências em 26 jogos — sugerem baixo envolvimento na criação.
Uma mudança de função, como recuar para segundo atacante ou extremo pelo lado direito, poderia aumentar o contato com a bola e melhorar a nota de desempenho. Em 2022, sua melhor temporada documentada, ele atuou em sistema que permitia movimentação ampla pela frente de ataque da Chapecoense.
O risco é perder a referência de área que o Sport busca ao escalar um camisa 9. Clubes que pagam por centroavantes de 186 cm querem gols dentro da área, não construção de jogo. Mudar de função pode resolver o problema de participação, mas cria outro: qual é, afinal, o papel de Perotti no esquema?
Esse dilema tático é o que torna o segundo semestre de 2026 decisivo. A resposta virá nos próximos jogos, não em especulação.
O cenário mais provável dos três
Dados de mercado apontam para permanência. Sem notícias de sondagens externas, com contrato em vigor e com o Sport disputando a Série A, a lógica financeira favorece manter Perotti até dezembro de 2026.
O perfil do jogador — 99 jogos de carreira, 21 gols totais documentados, experiência em três países — tem valor como currículo, mas não como ativo de transferência imediata. Clubes europeus de segunda linha já testaram e não avançaram. O mercado asiático pode reabrir no início de 2027 se a temporada terminar com números melhores.
Para o Sport, Perotti é o centroavante disponível agora. Para o próprio jogador, o segundo semestre de 2026 é a janela mais clara para reescrever a narrativa. Uma sequência de gols — mesmo que modesta, cinco ou seis até dezembro — muda o tom da conversa contratual, conforme análise publicada em matéria do SportNavo sobre o mercado de atacantes da Série A.
O apito final soa na Ilha do Retiro. Perotti caminha em direção ao vestiário, camisa 9 nas costas, 26 jogos no contador desta temporada. O placar ainda pode mudar.













