Trinta jogos. Dois gols. Uma assistência. Esses três números, acumulados em uma temporada ainda em curso no Brasileirão Série A, resumem o que Ramon está entregando ao Vitória em 2026 — e explicam por que um zagueiro de 25 anos com currículo europeu merece atenção para além da tabela de classificação.
O dia em que tudo mudou
O contrato estava assinado, o voo para Atenas, marcado. Em 2022, Ramon deixava o RB Bragantino para defender o Olympiakos Piraeus na Super League grega — uma janela rara para um zagueiro brasileiro de 21 anos que ainda não havia completado 20 jogos na Série A. A movimentação seguiu o roteiro clássico de intermediação europeia: clube grego com orçamento acima da média continental, disposição para apostar em atletas sul-americanos jovens e custo de aquisição compatível com o perfil de risco.
Naquele ciclo, Ramon somou 12 partidas na Super League e mais uma na Copa nacional do país, com uma assistência distribuída. Não foi uma temporada de protagonismo, mas foi suficiente para manter seu nome circulando em listas de olheiros ibéricos.
O Espanyol apareceu na sequência. Em 2023, o zagueiro acumulou 18 jogos na Segunda División espanhola e mais 2 na Copa del Rey — ao todo, duas assistências em um campeonato que exige marcação pressionada e saída de bola limpa. Para um defensor formado no futebol brasileiro, a passagem pela segunda divisão espanhola representa um divisor de águas técnico: o ritmo de jogo é diferente, a pressão alta é constante e o espaço para erro, menor.
Antes do divisor de águas
Antes da Europa, Ramon construiu sua base no Brasil com uma passagem pelo RB Bragantino que incluiu 15 jogos na Série A e 4 na CONMEBOL Libertadores em 2022. Participar da fase de grupos da Libertadores aos 21 anos é um dado de mercado relevante: poucos zagueiros brasileiros dessa faixa etária acumulam minutos em competição continental antes de uma transferência para o exterior.
Há também um vínculo anterior com o Flamengo — registrado com uma partida pelo Campeonato Carioca em 2023 —, o que indica que o clube carioca detinha algum direito econômico ou contratual sobre o atleta naquele período. Os detalhes dessa estrutura não são públicos, mas a presença do nome Flamengo no histórico de Ramon é um indicativo de que sua trajetória passou por negociações mais complexas do que uma simples cessão.
O retorno definitivo ao Brasil veio pelo Cuiabá em 2024. Foram 31 jogos na Série A, 2 gols e 1 assistência — o melhor volume de produção ofensiva de sua carreira até então, considerando apenas dados verificáveis. O clube mato-grossense também o utilizou em 4 partidas da CONMEBOL Sudamericana, com 1 assistência, e em 2 jogos da Copa do Brasil.
Como o futebol mudou ao redor dele
O mercado de zagueiros brasileiros passou por uma revalorização sensível nos últimos três anos. Clubes da Série A passaram a precificar defensores com experiência internacional de forma mais agressiva, especialmente após a janela de 2024, quando o custo médio de reposição de um zagueiro titular subiu na esteira da inflação do mercado europeu para atletas sul-americanos.
Ramon se encaixa em um perfil específico: 179 cm, 73 kg, com mobilidade acima da média para a posição e histórico comprovado em três países diferentes. Pelo Transfermarkt, o valor de mercado de zagueiros brasileiros com perfil similar e menos de 26 anos oscila entre € 1,5 milhão e € 3 milhões, dependendo da regularidade na temporada em curso.
Com 30 jogos disputados em 2026 — um índice de aproveitamento elevado para um plantel que luta pela manutenção na elite —, Ramon já ultrapassou o limiar de presença mínima exigido por equipes europeias para reabrir negociações. Em matéria do SportNavo sobre o mercado da bola para a janela de julho, o perfil de zagueiros com passagem europeia e regularidade no Brasileirão aparece como um dos mais procurados por agentes que operam no corredor Brasil-Grécia-Espanha.
O próximo capítulo já começou
Aos 25 anos, Ramon está no ponto de inflexão mais delicado de uma carreira: jovem o suficiente para ser projeto, experiente o suficiente para ser solução imediata. A combinação de Libertadores, Segunda División espanhola e Série A no currículo é rara para um zagueiro brasileiro que ainda não completou 100 jogos profissionais.
Os 2 gols marcados nesta temporada pelo Vitória também têm peso contratual. Zagueiros com participação ofensiva — especialmente em bola parada — têm cláusulas de bônus por gol com frequência crescente nos contratos da Série A. Cada gol pode representar entre R$ 15 mil e R$ 40 mil em bônus, dependendo da estrutura negociada com o clube baiano.
A janela de transferências de julho de 2026 abre em menos de cinco semanas. O Vitória, clube que historicamente opera com orçamento enxuto, dificilmente resistiria a uma proposta acima de € 2 milhões por um ativo que já demonstrou capacidade de adaptação europeia. A questão não é se haverá interesse — é se Ramon prefere consolidar mais uma temporada completa no Brasil antes de aceitar uma terceira passagem pelo exterior.
Se o Vitória terminar o primeiro turno do Brasileirão com Ramon entre os titulares e o zagueiro mantiver a média atual de participações, qual clube europeu você apostaria que fará a primeira proposta concreta na janela de julho?










