3 de março de 1991. Nessa data, em Erechim, cidade do interior gaúcho, nasceu um zagueiro que levaria décadas para encontrar o Nordeste — e que, aos 35 anos, parece ter chegado exatamente onde precisava estar.
Saimon Pains Tormen não é o tipo de jogador que domina manchetes. É o tipo que domina a área. Com 183 centímetros e 74 quilogramas, o defensor construiu uma carreira discreta nos números, mas densa em experiência — uma trajetória que passa por Grêmio, Vila Nova, Londrina, CRB e Ponte Preta antes de desembocar em João Pessoa, onde hoje veste a camisa do Botafogo PB na Copa do Nordeste.
Início de carreira
Erechim fica a quase 500 quilômetros de Porto Alegre. A distância não impediu que o jovem Saimon chegasse ao Grêmio — e que chegasse bem. Em 2010, ainda nas categorias de formação em transição para o profissional, ele fez parte do elenco gremista que conquistou o Campeonato Gaúcho. Era o primeiro título. Não seria o último, mas o intervalo entre eles seria longo o suficiente para testar a resiliência de qualquer atleta.
A carreira de Saimon seguiu o roteiro de muitos zagueiros brasileiros que não se consolidam nos grandes centros: passagens por clubes do interior, adaptações constantes, temporadas inteiras de reconstrução. Esse nomadismo, no entanto, não foi sinal de instabilidade — foi escola. Cada mudança de clube adicionou uma camada de leitura de jogo que só o tempo e o volume de partidas conseguem fornecer.
Números que importam
Na temporada atual, Saimon soma 32 jogos disputados pelo Botafogo PB, com uma assistência registrada e nenhum gol. Para um zagueiro, esse volume de partidas em 2026 fala mais do que qualquer estatística ofensiva: significa que ele está em campo, semana após semana, como titular consolidado.
O pico de produção ofensiva em sua carreira recente veio em 2024, quando anotou 2 gols em 23 jogos — números modestos para a posição, mas coerentes com o perfil de um defensor que prioriza a organização da linha sobre a participação nas jogadas de ataque. Conforme registrado pelo SportNavo, a consistência de presença é o dado mais revelador do perfil de Saimon: raramente ausente, raramente protagonista — sempre presente.
Estilo de jogo
Zagueiro de 183 centímetros e 74 quilogramas não é um gigante da área. Saimon não foi construído para dominar pelo físico bruto. Seu jogo é de posicionamento — a capacidade de antecipar o movimento do atacante antes que ele aconteça, de fechar o espaço sem precisar do carrinho desesperado. É o tipo de defensor que os técnicos valorizam em conversas de bastidor, mas que a torcida raramente transforma em ídolo.
A longevidade confirma essa leitura. Aos 35 anos, ainda com 32 jogos na temporada, Saimon mantém um ritmo de utilização que poucos defensores da mesma faixa etária sustentam no futebol brasileiro. O desgaste físico da posição é real — o corpo de um zagueiro absorve impactos que não aparecem em nenhuma planilha de estatísticas — e resistir a ele por mais de uma década de futebol profissional exige mais do que talento.
Conquistas e momentos marcantes
A lista de títulos de Saimon atravessa o mapa do Brasil. Começou no Sul, com o Campeonato Gaúcho de 2010 pelo Grêmio. Desceu para o Centro-Oeste, onde conquistou a Série C do Campeonato Brasileiro de 2020 com o Vila Nova. Subiu para o Norte do Paraná, levantando o Campeonato Paranaense de 2021 com o Londrina. Migrou para Alagoas, onde foi bicampeão alagoano com o CRB, em 2023 e 2024. E fechou o ciclo mais recente em São Paulo, com a Série C de 2025 pela Ponte Preta.
Há ainda um capítulo que antecede tudo isso e que define o teto de sua trajetória: em 2011, Saimon integrou a Seleção Brasileira Sub-20 que conquistou o Campeonato Sul-Americano. Era jovem, tinha 20 anos, e o futebol parecia prestes a abrir portas maiores. O caminho que se seguiu foi diferente — mais longo, mais tortuoso, mais rico em experiência acumulada do que em holofotes.
- Campeonato Gaúcho 2010 — Grêmio
- Campeonato Sul-Americano Sub-20 2011 — Seleção Brasileira
- Série C do Brasileiro 2020 — Vila Nova
- Campeonato Paranaense 2021 — Londrina
- Campeonato Alagoano 2023 e 2024 — CRB
- Série C do Brasileiro 2025 — Ponte Preta
O que esperar daqui pra frente
Aos 35 anos, Saimon está na fase em que cada temporada precisa ser justificada em campo. O Botafogo PB disputa a Copa do Nordeste de 2026 com um defensor que já venceu a Série C duas vezes e que conhece o peso de uma competição regional como poucos jogadores do elenco. Esse capital de experiência tem valor concreto — não sentimental.
O cenário mais realista para os próximos 12 meses é a continuidade no Nordeste. Clubes da região têm valorizado defensores experientes que trazem estabilidade para elencos jovens, e o histórico de Saimon em campeonatos estaduais e séries nacionais o torna um perfil atraente para essa função. Uma renovação com o Botafogo PB ou uma migração para outro clube nordestino são os caminhos mais prováveis.
O que ele não tem mais é tempo para projetos longos. O que ele tem, e em quantidade, é repertório — o tipo que se acumula em duas décadas de futebol profissional, em seis estados diferentes, sob seis bandeiras diferentes. Está em campo — falta o título que faz o nome durar.









