A última vez que o Vasco levantou a Copa do Brasil, em 2011, Pedrinho tinha 16 anos e ainda dava os primeiros passos nas categorias de base do Corinthians. Quinze anos depois, ele é o presidente que transformou a competição em prioridade institucional — e os resultados dessa escolha estão escritos em cada fase eliminatória desde 2024. Nesta quarta-feira, às 19h, São Januário recebe o Paysandu com o Vasco em vantagem de 2 a 0 no agregado e a confiança de quem construiu um novo patamar na principal competição mata-mata do país.

Três anos de Copa do Brasil que redesenharam o Vasco

A campanha de 2024 foi a primeira vez em 13 anos que o Vasco chegou às semifinais da Copa do Brasil — e ela não foi construída com facilidade. O time de Rafael Paiva passou pelos pênaltis em três fases consecutivas: Água Santa, Fortaleza e Athletico-PR, antes de cair diante do Atlético-MG, que venceu por 2 a 1 na Arena MRV e empatou em 1 a 1 em São Januário. Era uma campanha para ser digerida com orgulho, não com vergonha.

Três anos de Copa do Brasil que redesenharam o Vasco A última vez que o Vasco le
Três anos de Copa do Brasil que redesenharam o Vasco A última vez que o Vasco le

Em 2025, sob o comando de Carille, o Vasco foi mais longe ainda. Goleou o União Rondonópolis por 3 a 0 fora de casa na estreia, despachou o Nova Iguaçu com o mesmo placar, eliminou Operário, Botafogo e Fluminense nos pênaltis — seis disputas de pênaltis nas duas campanhas combinadas, uma marca que mistura tensão com competência psicológica — e chegou à final contra o Corinthians. Precisava apenas vencer no Maracanã após o empate em 0 a 0 em São Paulo. Perdeu por 2 a 1. O título ficou na gaveta mais uma vez.

Segundo o próprio clube, essa é a 35ª participação do Vasco na história da Copa do Brasil. Uma eventual classificação às oitavas desta noite será a 27ª vez que o time alcança essa fase — dado que contextualiza bem a tradição vascaína na competição, mesmo nos anos de campanha mediana.

O Vasco que chega ao jogo desta noite não é o mesmo que caiu no Maracanã

Quatro partidas sem derrota, três vitórias, um empate heroico de 2 a 2 no clássico com o Flamengo pelo Brasileirão — quando o time chegou a estar perdendo por 2 a 0 — e uma vitória sobre o Athletico-PR por 1 a 0 na última rodada que jogou o clube para o 8º lugar na tabela com 20 pontos. Esse é o Vasco de Renato Gaúcho que recebe o Paysandu nesta quarta-feira.

A tendência é que o técnico poupe parte do time titular, aproveitando a vantagem confortável. Thiago Mendes e Rojas, suspensos para o próximo compromisso pelo Brasileirão, devem ser escalados justamente para este jogo. Léo Jardim e Lucas Piton também aparecem no provável time: Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Lucas Freitas, Lucas Piton; Barros, Thiago Mendes, Rojas, Marino Hinestroza, Nuno Moreira e David. O SportNavo acompanhou o histórico das últimas temporadas do clube e o padrão é claro: quando o Vasco administra vantagem em mata-mata, o aproveitamento defensivo melhora significativamente.

O Paysandu chega a São Januário em boa fase — cinco vitórias consecutivas na temporada — e viajou com delegação praticamente completa, 21 jogadores, buscando a primeira classificação às oitavas da Copa do Brasil em sete anos. Mas reverter dois gols de diferença fora de casa, contra um time que não perde há quatro partidas, exige um nível de desempenho que o clube paraense ainda não demonstrou na competição.

O caminho até o título passa por quem o Vasco já sabe enfrentar

Classificado às oitavas, o Vasco entrará na fase em que o torneio começa a revelar seu verdadeiro nível de exigência. Nas duas campanhas anteriores, foi justamente a partir das quartas que os cruzmaltinos alternaram o melhor e o pior de si: pênaltis dramáticos contra rivais cariocas em 2025, eliminação para um Atlético-MG que chegaria ao tricampeonato em 2024. A diferença agora é que a equipe carrega a memória muscular de duas campanhas longas — algo que times que chegam às oitavas pela primeira vez em anos simplesmente não têm.

Este é o último ano do mandato de Pedrinho, e a Copa do Brasil foi definida como o troféu prioritário da gestão desde o início de 2026. Títulos custam caro em termos de concentração de elenco, planejamento de calendário e escolhas táticas — e o Vasco tomou essas decisões cedo. A vantagem de 2 a 0 construída em Belém, contra um Paysandu que jogava em casa, é o produto mais direto dessa prioridade.

A última vez que o Vasco levantou a Copa do Brasil, Pedrinho ainda jogava bola — mas hoje ele dirige o clube que mais evoluiu dentro dessa competição nos últimos três anos, e o jogo desta quarta-feira em São Januário é mais um degrau numa escada que o próprio presidente ajudou a construir. Quem avançar às oitavas descobre o adversário no sorteio marcado para os próximos dias pela CBF.