Três variáveis definem se um port é viável ou ilusório: densidade de mundo aberto, orçamento de memória e largura de banda de armazenamento. GTA 5 e Red Dead Redemption 2 tensionam as três ao limite — e é exatamente aí que a ambição da Virtuos encontra a física do hardware do Nintendo Switch 2.
Em entrevista ao site Pocket Tactics, Andy Fong, diretor técnico da Virtuos, foi direto sobre o desejo do estúdio.
"Nossa equipe estaria interessada em adaptar Grand Theft Auto V e Red Dead Redemption 2 para o Switch. Somos grandes fãs e acreditamos que esses jogos podem brilhar novamente no console, conquistando ainda mais jogadores."Fong não revelou conversas ativas com a Rockstar Games ou a Take-Two Interactive — o projeto permanece no campo declaratório, sem confirmação de nenhuma das partes envolvidas.
O que a Virtuos já comprovou com a Rockstar
A credibilidade técnica do estúdio, sediado em Singapura, não é construída em retórica. Em 2017, a Virtuos foi responsável por adaptar L.A. Noire para Xbox One, PlayStation 4 e o próprio Nintendo Switch original — plataforma com hardware consideravelmente mais restrito que o Switch 2. Esse trabalho envolveu reengenharia dos sistemas de iluminação e streaming de texturas do engine da Rockstar, processo que exige familiaridade profunda com a arquitetura proprietária do estúdio americano.
O currículo recente reforça a capacidade operacional da empresa. A Virtuos colaborou no desenvolvimento de Metal Gear Solid Delta: Snake Eater para PS5, Xbox Series X/S e PC, além de ser parceira da Bethesda na remasterização de The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered — título que, segundo as fontes, está em desenvolvimento para Switch 2 com lançamento previsto ainda neste ano. Ports de XCOM 2 e The Outer Worlds para o Switch original completam o perfil de um estúdio acostumado a trabalhar com orçamentos de memória apertados.
GTA 5 e RDR2 impõem gargalos que L.A. Noire nunca teve
L.A. Noire é um jogo linear, com ambientes controlados e streaming de assets previsível. GTA 5 e Red Dead Redemption 2 operam em lógica oposta: mundos abertos com carregamento dinâmico de geometria, simulação de tráfego, ciclos climáticos em tempo real e densidade de NPCs que exige CPU e GPU trabalhando em paralelo constante. O Switch 2 apresenta um salto expressivo em relação ao modelo original — com chip customizado da Nvidia e suporte a DLSS —, mas ainda opera com TDP (thermal design power) significativamente abaixo de um PS5 ou Xbox Series X.
RDR2, lançado em 2018, exige cerca de 150 GB de armazenamento em sua versão completa para PC. Mesmo com compressão agressiva e remoção de assets de alta resolução, o volume de dados a ser gerenciado pelo cartucho ou pelo armazenamento interno do Switch 2 representa um desafio de engenharia real. GTA 5, mais antigo e originalmente lançado em 2013, oferece margem técnica maior — mas seu engine RAGE ainda impõe demandas de streaming de texturas que precisariam ser rearquitetadas para o hardware híbrido da Nintendo.
A solução técnica mais provável envolveria escalonamento dinâmico de resolução via DLSS, redução do draw distance em modo portátil, LOD (level of detail) mais agressivo e compressão de áudio adaptativa. A Virtuos já aplicou estratégias similares em outros projetos, mas a escala aqui é qualitativamente diferente.
O ponto de decisão está na Rockstar, não na Virtuos
Tecnicamente, a Virtuos tem o perfil para executar o projeto. A questão operacional central é outra.
A Rockstar Games e a Take-Two Interactive não fizeram qualquer declaração sobre versões de GTA 5 ou RDR2 para Switch 2. Sem licenciamento ativo, sem contrato e sem sinal público da publicadora, o desejo de Andy Fong permanece exatamente isso — um desejo. A Virtuos não desenvolve projetos por iniciativa própria; ela é contratada. E a Take-Two tem histórico de decisões comerciais conservadoras em relação ao ecossistema Nintendo.
O argumento comercial a favor é robusto: GTA 5 vendeu mais de 200 milhões de cópias globalmente e continua gerando receita via GTA Online. Uma versão Switch 2 abriria o título para uma base de jogadores que nunca teve acesso portátil à franquia — mercado com apetite comprovado, dado o desempenho de outros ports AAA no console. RDR2, com mais de 67 milhões de cópias vendidas, carrega potencial semelhante.
"Somos grandes fãs deles e acreditamos que esses jogos podem brilhar novamente no Switch, para a alegria de ainda mais jogadores", reforçou Fong ao Pocket Tactics.
A Tokyo Game Show, prevista para setembro de 2026, é o próximo grande palco onde a Take-Two costuma movimentar anúncios para o mercado japonês — e o Switch 2 é prioritário nesse território. Se a Rockstar decidir viabilizar os ports, setembro de 2026 seria o momento natural para uma confirmação. Até lá, o placar técnico está definido: Virtuos tem capacidade, RDR2 tem o gargalo mais crítico, e a decisão pertence inteiramente a Strauss Zelnick.









