Todo mundo sabe que Jordi está na Série A defendendo o Novorizontino com regularidade de metrônomo — 35 jogos disputados na temporada 2026 e uma presença que já virou dado, não surpresa. O que pouca gente parou para contar é o caminho que um goleiro de Volta Redonda precisou trilhar, passando por Portugal e voltando ao interior paulista, para chegar a esse ponto sem que ninguém percebesse exatamente quando ele se tornou indispensável.

Sob a lente do treinador

Para qualquer comissão técnica, o goleiro é o jogador mais difícil de substituir — não por escassez de mercado, mas porque a leitura de jogo de um arqueiro é construída em meses de treino, de reconhecimento de padrões, de cumplicidade com a zaga. Jordi Martins Almeida, nascido em 3 de setembro de 1993, chegou aos 32 anos com um currículo que combina consistência doméstica e experiência europeia. Em 2022, atuou pelo Paços de Ferreira na Primeira Liga portuguesa — sete partidas na competição, mais aparições na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Não foi uma temporada de protagonismo, mas foi uma temporada de aprendizado em outro ecossistema tático, onde o ritmo de jogo e a pressão sobre o goleiro têm textura diferente.

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De volta ao Brasil, Jordi reencontrou o Novorizontino e passou a construir algo mais sólido. Em 2023, foram 32 jogos na Série B. Em 2024, outros 31 na mesma competição, com médias de avaliação acima de 7,0 — o tipo de número que não aparece nas manchetes, mas que os analistas de desempenho registram com atenção. Decidiu. Não voltou a Portugal, não foi para outro clube, apostou na continuidade. E a continuidade, no futebol, é frequentemente o ativo mais subestimado.

Sob a lente do torcedor

Há uma cena que o torcedor do Novorizontino conhece bem: o goleiro de 192 centímetros e 81 quilos, camisa 93 — número que carrega a data do próprio nascimento como uma espécie de assinatura —, posicionado na área com aquela calma de quem já viu o suficiente para não se assustar com o ordinário. Jordi não é o tipo de goleiro que acumula defesas miraculosas para virar GIF nas redes sociais. É o tipo que evita que a situação chegue ao ponto do milagre.

Na temporada 2026 do Brasileirão Série A, com 35 jogos disputados, ele representa algo que o torcedor de clube menor — e o Novorizontino, com toda sua história recente de ascensão, ainda carrega esse DNA — aprecia de maneira visceral: a sensação de que o goleiro está lá, que o gol está guardado, que a equipe não vai desmoronar por fragilidade no último terço. É uma sensação intangível que só quem acompanha jogo a jogo consegue calibrar.

Existe algo de músico de sessão nessa trajetória — aquele instrumentista que você não vê na capa do disco, mas cujo baixo sustenta a melodia inteira. Tire-o da gravação e a música desmorona. O torcedor que assiste ao Novorizontino toda rodada sabe exatamente quem é esse músico.

Sob a lente da planilha de dados

A avaliação do SportNavo sobre o desempenho de Jordi parte de um dado simples e revelador: ao longo das temporadas de 2023 e 2024 na Série B, o goleiro manteve médias de desempenho acima de 7,0 em ambas as campanhas — 7,02 em 2023 e 7,03 em 2024. São números que, no contexto de uma posição onde a consistência vale mais do que o brilho episódico, indicam um profissional que raramente compromete e frequentemente resolve.

Sob a lente do treinador A volta de Jordi — do Paços Ferreira às
Sob a lente do treinador A volta de Jordi — do Paços Ferreira às

A transição da Série B para a Série A em 2026 é o teste mais rigoroso dessa trajetória. Trinta e cinco jogos disputados na elite representam uma participação integral — ou muito próxima disso — na temporada. Para um goleiro de 32 anos que passou a maior parte da carreira na segunda divisão nacional, com um breve interlúdio europeu, essa presença constante na Série A não é detalhe: é o capítulo mais importante do currículo.

Comparado a outros goleiros titulares na Série A 2026, Jordi se enquadra no perfil do arqueiro experiente que sustenta equipes de menor orçamento — aquele que não vai para a seleção, mas que seu clube não troca por ninguém disponível no mercado doméstico por um preço razoável.

Sob a lente do mercado

Aos 32 anos, Jordi está no que os analistas de mercado chamam de janela de maturidade — longe do pico de valorização dos 24, 25 anos, mas ainda dentro do período em que goleiros, diferentemente de atacantes ou meias, podem render em alto nível por mais quatro ou cinco temporadas. A biologia favorece a posição: o desgaste físico de um arqueiro é menor do que o de um lateral ou um centroavante, e a inteligência de jogo acumulada compensa qualquer eventual queda de reflexo.

O fato de ter jogado em Portugal — mesmo que em volume limitado — amplia o raio de mercado de Jordi. Ele tem registro em competições europeias, o que facilita uma eventual transferência para o Velho Continente caso surja interesse. No cenário mais realista, porém, a tendência é de continuidade no Novorizontino ou de uma eventual migração para outro clube da Série A que precise de um goleiro titular experiente e com histórico de estabilidade.

Nos próximos 12 meses, o caminho mais provável passa pela manutenção do Novorizontino na elite — e Jordi como peça central dessa missão. Um segundo ano consecutivo na Série A com participação integral seria o argumento definitivo para qualquer clube que precise de um goleiro sem drama e com currículo verificável. A conta ainda não fechou, mas os números estão alinhados.