O Choque-Rei desta segunda-feira no Morumbi terminou com dois resultados distintos: 0 a 0 nos 90 minutos e uma reconciliação histórica nos bastidores. Diante de 55.000 torcedores no estádio são-paulino, Palmeiras e São Paulo protagonizaram um clássico travado taticamente, mas que ganhou relevância pelo gesto de fair play entre Abel Ferreira e Carlos Belmonte.
Os números da partida comprovam o equilíbrio: apenas três finalizações certas para cada lado, com destaque para a defesa de Alisson em finalização de Lázaro e o chute de Calleri na trave de Weverton. O empate deixou o São Paulo com quatro pontos em quatro jogos, ocupando a 14ª posição, enquanto o Palmeiras chegou aos cinco pontos, subindo para o 12º lugar na tabela.
A reconciliação que marcou o clássico
Antes do apito inicial, Carlos Belmonte, diretor de futebol do São Paulo, procurou Abel Ferreira para um pedido público de desculpas. Em março, o dirigente tricolor havia chamado o técnico português de "português de merda" durante uma discussão acalorada. O gesto foi bem recebido pelo comandante palmeirense.
"Eu perdoo e não esqueço, mas não é o caso. Um homem é homem quando assume sua responsabilidade. O futebol brasileiro é de todos, não é só meu. Foi uma atitude bonita que ele teve depois de um erro de cabeça quente. Está perdoado, não tem absolutamente mais nada"
A atitude de Belmonte exemplifica como as rivalidades devem se limitar aos 90 minutos de jogo. Abel Ferreira, que já havia demonstrado maturidade em situações similares, destacou a importância do respeito mútuo entre profissionais do futebol brasileiro, independentemente das cores que defendem.
Análise tática do empate no Morumbi
O primeiro tempo apresentou poucas emoções, com ambas as equipes priorizando a organização defensiva. O São Paulo, jogando em casa, teve 52% de posse de bola, mas criou apenas uma chance clara com Calleri. O Palmeiras, por sua vez, apostou nos contra-ataques, especialmente pelas beiradas com Endrick e Lázaro.
A segunda etapa trouxe maior intensidade. A melhor oportunidade palmeirense surgiu aos 23 minutos: Endrick roubou bola de Arboleda, serviu Lázaro, que finalizou rasteiro. Alisson fez defesa espetacular, salvando o que seria o gol da vitória verdiana. O São Paulo respondeu aos 31 minutos com jogada ensaiada: Michel Araújo, Ferreira, Luciano e letra de Calleri que explodiu na trave.
Ambos os técnicos reconheceram as limitações ofensivas. Abel Ferreira lamentou a falta de efetividade nas duas chances claras criadas pelo Palmeiras, enquanto Zubeldía destacou a solidez defensiva de sua equipe como ponto positivo para sequência da temporada.
Impacto na classificação e próximos desafios
O empate não beneficiou nenhuma das equipes na tabela. Com nove pontos, Botafogo e Atlético-MG dividem a liderança do Brasileirão, enquanto os rivais paulistas precisam de vitórias urgentes para se aproximarem do G6. O São Paulo soma apenas uma vitória em quatro jogos, enquanto o Palmeiras ainda não emplacou sequência positiva.
Este foi o terceiro encontro entre as equipes na temporada, todos terminados em empate. A regularidade dos resultados equilibrados demonstra como a rivalidade técnica entre Abel Ferreira e o comando são-paulino se mantém acirrada, independentemente das questões extracampo.
O São Paulo volta a campo na quinta-feira contra o Água Santa, às 19h30, no Mangueirão, pela Copa do Brasil. O Palmeiras enfrenta o Botafogo-SP no mesmo dia, às 21h30, no Allianz Parque, também pela terceira fase da competição nacional.

