"O árbitro está do outro lado, eu estou reclamando de uma falta que eu achava que era sobre o López. O bandeirinha deve ter confundido algo." A frase é de Abel Ferreira após ser expulso na estreia do Brasileirão, contra o Cuiabá. Absolvido naquele caso, ele repetiu o roteiro menos de três meses depois.

A absolvição que não encerrou o ciclo de expulsões

Em 16 de abril, o STJD julgou Abel Ferreira e o absolveu pela expulsão direta na partida contra o Cuiabá, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva registrou na súmula que o português teria dito "arbitragem de m…" ao assistente após sair da área técnica — conduta enquadrada no artigo 258 do CBJD, que trata de comportamento contrário à disciplina ou à ética desportiva. A pena máxima prevista era de seis jogos de suspensão ou afastamento de 15 a 180 dias. O departamento jurídico do Palmeiras obteve a absolvição.

Antes mesmo de esse processo ser encerrado, Abel já havia acumulado o terceiro cartão amarelo — recebido no jogo contra o Red Bull Bragantino —, o que o impediu de comandar o time no clássico contra o Santos. Quem não tem cão caça com gato: João Martins, auxiliar da comissão técnica, virou presença recorrente nas coletivas e no banco de reservas.

A absolvição que não encerrou o ciclo de expulsões Abel Ferreira acumula expulsõ
A absolvição que não encerrou o ciclo de expulsões Abel Ferreira acumula expulsõ

Expulsão no Choque-Rei e nova denúncia no STJD

No dia 11 de maio, pela oitava rodada do Brasileirão, o São Paulo foi derrotado por 1 a 0 na Arena Barueri, gol de Vitor Roque nos acréscimos. Mas o placar dividiu espaço com a expulsão de Abel aos 16 minutos do segundo tempo. O árbitro Rafael Klein o mandou embora diretamente após reclamações sobre lance em que Alan Franco segurou o pé de Estêvão sem receber punição.

Quando reclama e o árbitro cede, Abel segue no banco. Quando reclama e o árbitro reage, o português vai para o vestiário — e o clube vai ao STJD. Desta vez, a denúncia já foi formalizada pelo tribunal, e a pena pode chegar a seis jogos de suspensão, o mesmo teto da acusação anterior.

O Palmeiras optou por não levar Abel à coletiva após o Choque-Rei, mesmo havendo previsão regulamentar da CBF que autorizava sua presença. Quem falou foi João Martins. O clube divulgou nota criticando a arbitragem:

"Abel não foi à coletiva a pedido do Departamento de Futebol, que preferiu preservá-lo após a expulsão. O clube entende que a reclamação do Abel foi justa e o árbitro Rafael Klein cometeu um erro crasso ao não dar o amarelo para o Alan Franco, que segurou o Estêvão pelo pé."

Padrão que se repete e consequências imediatas no Brasileirão

O histórico de 2026 já registra ao menos três episódios de punição a Abel: expulsão contra o Cuiabá (absolvido no STJD), expulsão contra o Fluminense em fevereiro — quando o árbitro Felipe Fernandes de Lima relatou que o técnico chamou a assistente Fernanda Gomes Antunes de "cega" e precisou ser contido por integrantes da comissão —, e agora a expulsão no Choque-Rei.

Quando acumula cartões amarelos, Abel perde o banco por suspensão automática. Quando leva vermelho direto, o processo vai para o STJD com risco de até seis jogos. Nos dois cenários, o Palmeiras perde o treinador à beira do campo em datas críticas.

A consequência imediata da expulsão de 11 de maio é objetiva: Abel Ferreira está suspenso automaticamente para o confronto contra o Red Bull Bragantino, no dia 18 de maio, pela nona rodada do Brasileirão. O Palmeiras lidera a competição e entra em campo sem seu principal estrategista no banco, enquanto o STJD ainda analisa a extensão da nova punição.