Três gols sofridos em menos de 45 minutos, time dominado do primeiro ao último minuto e uma escalação que não resistiu à altitude de Quito. O Palmeiras foi goleado pela LDU por 3 a 0 no jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores, na noite desta quinta-feira (23), e o principal réu do banco de reservas tem nome: Abel Ferreira.

Uma escalação que não funcionou

Abel optou por uma formação que expôs o Palmeiras às transições rápidas da LDU, comandada por Tiago Nunes. O lateral Khelven foi um dos mais criticados após o jogo, recebendo nota 3 do jornalista Vitor Birner, da ESPN — mesma pontuação do meia Emiliano Martinez. O próprio técnico português levou nota 2,5, a mais baixa entre todos os avaliados por Birner na análise pós-jogo.

"Abel Ferreira merece a nota mais baixa da noite. A equipe não tinha identidade tática nenhuma em campo", apontou Vitor Birner, da ESPN, em sua avaliação dos jogadores alviverses.

Com espaços enormes entre as linhas e uma marcação que nunca funcionou coletivamente, o Verdão entregou ao adversário toda a liberdade necessária para construir a goleada.

Os três gols que expuseram os erros táticos

O primeiro gol saiu aos 15 minutos, com Villamíl, maior destaque equatoriano em campo, aproveitando o espaço oferecido pela defesa alviverde. Menos de dez minutos depois, Andreas Pereira tocou a bola com a mão dentro da área — pênalti assinalado sem auxílio do VAR —, e Alzugaray bateu firme para ampliar.

O terceiro gol ainda no primeiro tempo selou o placar e a noite: Villamíl recebeu cruzamento rasteiro e a bola desviou em Khelven antes de entrar. Um erro individual que foi, ao mesmo tempo, consequência direta do caos tático armado por Abel. A análise exclusiva do SportNavo mostra que nenhum dos três gols teria sido convertido com uma linha defensiva minimamente organizada.

Substituições tardias e sem impacto

No segundo tempo, Abel promoveu duas alterações: Giay e Ramón Sosa entraram nos lugares de Khelven e Raphael Veiga. As mudanças, porém, chegaram tarde e sem plano claro. O Palmeiras seguiu sem criar chances reais de gol e sem impor pressão sobre a defesa da LDU.

O único destaque positivo do Verdão em Quito foi o goleiro Carlos Miguel, que recebeu a maior nota entre todos os avaliados por Birner. Sem Carlos Miguel, o placar poderia ter sido ainda mais humilhante.

"Carlos Miguel foi o único que salvou o Palmeiras de uma derrota ainda mais vergonhosa", resumiu Birner em sua análise para a ESPN.

O que precisa mudar para o jogo de volta

Reverter um 3 a 0 em casa é uma missão que beira o impossível nos padrões históricos da Libertadores — apenas raríssimos clubes conseguiram virada de tal magnitude em fases eliminatórias. Para o Palmeiras ter alguma chance, Abel precisará repensar a estrutura defensiva, escalar um meio-campo mais combativo e encontrar solução para o ataque que ficou apagado em Quito, onde Flaco López também não conseguiu criar perigo real.

O jogo de volta acontece no Allianz Parque, em São Paulo, na semana que vem. O Palmeiras precisa vencer por quatro gols de diferença para avançar no tempo normal — ou por três para forçar a prorrogação. Com a escalação e o planejamento tático vistos em Quito, a missão parece distante.