Um metrônomo que acelera quando o jogo pede. É assim que Adenízia Silva, 39 anos, central do Dentil Praia Clube, opera dentro de quadra — e foi exatamente essa cadência controlada que definiu o tricampeonato da Superliga Feminina de Vôlei 2025/2026 neste domingo (3), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
O Praia Clube derrotou o Gerdau Minas por 3 sets a 0, com parciais de 29-27, 25-21 e 25-13, e somou seu terceiro título na história da competição. A conquista repete os feitos das temporadas 2017/2018 e 2022/2023, tornando o clube de Uberlândia um dos mais vencedores do vôlei feminino brasileiro na última década.
O que aconteceu
O primeiro set — o mais disputado da noite, encerrado em 29-27 — foi o termômetro de toda a final. O Minas chegou a reagir quando o Praia abriu vantagem na reta final, levando a parcial para os detalhes. Foram trocas de ponto a ponto nos momentos finais, com erros adversários sendo aproveitados pelo Praia para fechar a parcial. A capitã Adenízia foi a referência do time nos momentos de maior pressão, especialmente nas jogadas de bloqueio que travaram o sistema ofensivo mineiro.
No segundo set, o Minas começou melhor — abriu vantagem com sequência no saque — mas o Praia reagiu com consistência para virar e fechar em 25-21. O terceiro set seguiu roteiro parecido: Minas à frente nos primeiros pontos, Praia retomando o controle e disparando até o 25-13 que sacramentou o título. A ponteira Payton Caffrey foi um dos pilares ofensivos da virada, enquanto Michelle Pavão recebeu o Troféu Viva Vôlei pelo desempenho na partida.
Por que isso importa
Adenízia Silva não é apenas uma atleta veterana que sobreviveu ao tempo — ela é um estudo de caso sobre como se adaptar sem perder a essência. Aos 39 anos, ela acumula três títulos da Superliga pelo Praia Clube (2017/2018, 2022/2023 e 2025/2026), uma trajetória que a coloca entre as jogadoras mais vitoriosas do circuito nacional na era moderna da competição.
Conforme o levantamento do SportNavo sobre o histórico de finais da Superliga Feminina, nenhuma outra central ativa no circuito brasileiro conquistou três títulos por um mesmo clube em janelas temporais tão distintas — o que evidencia não apenas longevidade física, mas também capacidade de se reinventar taticamente a cada ciclo.
A comparação com outras veteranas do vôlei nacional é inevitável. Sheilla Castro encerrou sua carreira em alto nível, assim como Fabi Alvim, que se aposentou com o prestígio intacto. Adenízia, no entanto, segue em atividade — e não como figura decorativa, mas como capitã e liderança técnica de uma equipe que derrotou o Minas em três sets diretos numa final da Superliga.
"A conquista passa diretamente pelo protagonismo da capitã Adenízia Silva", destacou a cobertura oficial da partida, sintetizando o papel da veterana no título.
Os números por trás
O placar de 25-13 no terceiro set — o mais elástico das três parciais — revela o nível de domínio técnico que o Praia Clube exerceu sobre o Minas no momento decisivo. Uma diferença de 12 pontos numa parcial de final é rara no vôlei de alto nível, onde o equilíbrio entre as equipes tende a comprimir os placares. O primeiro set, com 56 pontos disputados (29-27), é o contraponto perfeito: quando os times estavam equilibrados, o jogo durou; quando o Praia abriu vantagem técnica, o adversário não sustentou.
A análise por fundamento do Praia ao longo da temporada 2025/2026 — segundo apuração do SportNavo — mostra que o time de Uberlândia apresentou melhora consistente no bloqueio coletivo nas fases eliminatórias, área em que Adenízia tem influência direta tanto pela execução quanto pela leitura do jogo adversário. O desempenho de Caffrey no ataque e a regularidade de Michelle Pavão — premiada com o Troféu Viva Vôlei na final — completaram o sistema que sufocou o Minas.
O terceiro título coloca o Praia Clube — fundado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro — na mesma prateleira de clubes como Osasco e Minas em termos de relevância histórica na Superliga Feminina, competição que existe desde a temporada 1994/1995.
O próximo capítulo
Com o tricampeonato garantido, o Dentil Praia Clube encerra a temporada 2025/2026 no topo do vôlei feminino nacional. A atenção agora se volta para a montagem do elenco da próxima temporada — e, principalmente, para a decisão mais aguardada do circuito: Adenízia Silva vai renovar contrato para a Superliga 2026/2027?
A central completará 40 anos em agosto de 2026. Se confirmar a continuidade, será a primeira vez que uma jogadora desta faixa etária disputará uma Superliga como titular e capitã de um clube campeão — um marco sem precedente direto na história recente da competição. Se optar pela aposentadoria, encerra a carreira no ponto mais alto possível: campeã, capitã e melhor versão de si mesma.
Você acredita que Adenízia tem condições físicas e técnicas de disputar mais uma temporada completa pela Superliga e brigar pelo tetracampeonato pelo Praia Clube?








