O Atlético-GO tem um time. O problema é que só tem um. Essa contradição — um clube que pensa em acesso à Série A mas depende de 11 jogadores fixos para existir — é o nó que Adson Batista precisou admitir em voz alta depois de uma sequência de eliminações que expuseram a fragilidade estrutural do elenco do Dragão.

O Antônio Accioly virou espelho das fragilidades do plantel

Frase de impacto: quando os titulares saíram de campo, o Atlético-GO simplesmente parou de existir como time.

A derrota por 2 a 0 para a Anapolina no Campeonato Goiano e a eliminação na Copa Centro-Oeste — queda para o Gama por 2 a 1 no Antônio Accioly, terminando na terceira colocação da chave B — aconteceram com o mesmo roteiro. O time reserva entrou, apagou, e o adversário construiu a vitória em cima das brechas.

No Goianão, o diretor de futebol Adson Batista apontou diretamente a ausência dos titulares Tomas Bastos, Rômulo e Bruno Santos, todos suspensos, como fator agravante. Mas foi além: quem entrou, segundo ele, não tinha nível para o clube.

"Nosso time só tem 11 jogadores e olhe lá. Quando perdemos quatro atletas no último jogo, já fiquei preocupado. O momento é de buscar alternativas. Hoje não temos muitas opções. As mudanças pioraram nosso time. Está muito difícil fazer futebol. Hoje não tem jogador. A maioria não atinge o nível que nós precisamos."

O técnico Cláudio Tencati tentou ajustes durante os jogos, mas as substituições foram ineficazes — dado que reforça o diagnóstico de Adson: o banco de reservas do Dragão não tem profundidade para uma campanha de acesso.

A sentença de Adson e o que ela revela sobre o modelo do clube

Frase de impacto: o presidente do Atlético-GO não apenas criticou — ele descartou praticamente todo o elenco alternativo de uma vez.

Depois da eliminação na Copa Centro-Oeste, Adson foi ainda mais duro. Usou o torneio regional como laboratório e o resultado foi reprovação coletiva.

"Avaliação muito negativa do time. Dessa equipe poucos salvam e ajudam, esse time vai ter uma reformulação profunda no meio do ano. Ninguém tem condição de vestir a camisa do Atlético, jogadores entregues, que falta cognitivo de resolver o problema. Eles não são culpados por inteiro, a responsabilidade é minha."

A autocrítica de Adson tem peso real: ele admite que as apostas em jogadores de "porte financeiro menor" não renderam o esperado. Segundo apuração do SportNavo, o modelo do clube na janela passada priorizou custo-benefício, mas o resultado foi um plantel com poucos atletas capazes de elevar o nível quando acionados.

Do ponto de vista de métricas táticas, o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) do time reserva nos jogos em que atuou ficou consistentemente acima de 12, número que indica pressão defensiva praticamente inexistente — para referência, times que disputam acesso na Série B costumam operar abaixo de 9. Em termos simples: o adversário passeou na construção sem ser pressionado.

Na Copa Centro-Oeste, Adson foi direto sobre o valor do torneio para o clube:

"Não tem nenhum impacto, isso não muda nada, porque usamos os jogadores para ver se serve no time principal. A eliminação não tem reflexo nenhum, por mim nem disputava essa copa."

Meio-campo e ataque na fila para reformulação antes da Série B

Frase de impacto: Adson já tem os setores mapeados — agora o mercado vai cobrar o preço.

A janela de meio do ano é o prazo que o presidente fixou para a reformulação. Os setores prioritários estão definidos: meio-campo e ataque. Adson reconhece que o Dragão não encaixa meias e desperdiça as chances criadas pela equipe.

O Antônio Accioly virou espelho das fragilidades do plantel Adson Batista detono
O Antônio Accioly virou espelho das fragilidades do plantel Adson Batista detono

"Para a gente ter um equilíbrio, precisa melhorar nosso setor de meio-campo, mais opções. Nós precisamos melhorar, talvez, mais opções ali no ataque. Esses dois setores que a gente tá observando e trabalhando para melhorar", afirmou o presidente.

O desafio é financeiro e de timing. O Brasileirão Série B 2026 já está em andamento — o Atlético-GO está na 14ª colocação com sete pontos após sete rodadas, vindo de vitória por 2 a 1 sobre o Avaí. O próximo compromisso é contra o Criciúma, em Santa Catarina, onde o Dragão busca a segunda vitória consecutiva e se aproximar do G6.

Contratar bem no meio do campeonato, dentro do orçamento do clube e com jogadores que se encaixem rapidamente no esquema de Tencati, é o teste real para Adson. O discurso duro contra os reservas criou expectativa pública — e as redes sociais já cobram: o post do Esporte Goiano com as declarações do presidente ultrapassou 1.200 comentários no Instagram, com a maioria dos torcedores exigindo nomes concretos nas contratações. Prometer reformulação é a parte fácil. Entregar um elenco competitivo para o segundo turno da Série B é onde a promessa vai ser testada.