A temporada de Carlos Alcaraz pode ter sofrido seu golpe mais cruel não numa quadra, mas numa clínica médica. O espanhol de 22 anos, atual número três do ranking ATP, confirmou que não disputará Roland Garros — segundo Grand Slam do ano, com início em 26 de maio em Paris — em razão de uma lesão no punho direito. A informação que circula nos bastidores do tênis mundial aponta para uma tenossinovite de De Quervain, inflamação na bainha que reveste o tendão ligado ao polegar, e o prognóstico pode se estender por até seis meses, o suficiente para comprometer o restante de 2025.
A lesão que paralisa o punho mais valioso do tênis
A tenossinovite de De Quervain é uma condição conhecida nos vestiários do circuito. Ela se manifesta com dor intensa, rigidez e limitação de movimento — exatamente o tipo de obstáculo que transforma cada backhand cruzado numa agonia e cada serviço num risco calculado. A sobrecarga de gestos repetitivos, como o violento topspin que Alcaraz projeta do fundo de quadra, está entre as causas mais comuns. O entorno do tenista mantém sigilo rigoroso sobre a gravidade real do diagnóstico, e o próprio Alcaraz, ao anunciar sua ausência no Masters 1000 de Madri, limitou-se a confirmar o problema sem revelar detalhes clínicos.
"Después de los resultados de las pruebas realizadas hoy, hemos decidido que lo más prudente es ser cautos y no participar en Roma y Roland Garros, a la espera de valorar la evolución para decidir cuándo volveremos a la pista. Es un momento complicado para mí", escreveu Alcaraz em comunicado oficial.
O especialista Martínez Romero, consultado pela agência EFE, desenhou dois cenários possíveis com diferenças abissais entre si. Uma inflamação aguda, detectada e tratada na origem, costuma responder ao repouso e à fisioterapia em quatro a seis semanas. O problema surge quando o histórico da lesão sugere um quadro crônico, com dor anterior que foi sendo gerenciada dentro da competição.
"Se é uma tenossinovite aguda a recuperação se estima em um período de entre quatro e seis semanas, mas se a lesão vem de trás e é crônica já podemos estar falando de três a seis meses, e isso suporia ter que dizer adeus à atual temporada", afirmou Martínez Romero à EFE.
Quando o pior cenário inclui bisturi
O médico apontou ainda uma possibilidade que nenhum torcedor quer considerar: no cenário mais adverso, pode haver lesão óssea ou ruptura do fibrocartilagem triangular, estrutura responsável pela estabilização lateral do punho. Nesse caso, uma intervenção cirúrgica entraria no horizonte — e o impacto técnico poderia ir além do tempo de recuperação. Martínez Romero alertou que complicações mais sérias poderiam alterar até a mecânica de Alcaraz ao contato com a bola, comprometendo a potência e o controle que tornaram o espanhol uma obra de arte em movimento. Segundo levantamento do SportNavo, a ausência de Alcaraz nas próximas semanas já reorganiza as probabilidades em pelo menos três torneios de piso variado antes de Wimbledon.
O protocolo conservador inclui repouso absoluto, imobilização do punho, aplicação de gelo, anti-inflamatórios e sessões de fisioterapia dirigida. São medidas que funcionam — mas que exigem tempo, paciência e, sobretudo, a disciplina de não acelerar o retorno antes da cura completa. Para um atleta da geração Alcaraz, acostumado a encadear torneios com a naturalidade de quem troca de calçados, cada semana longe das quadras pesa como um break point desperdiçado num set que não se repete.
O vazio de Paris e o efeito dominó no ranking
Roland Garros sem Alcaraz é uma das frases mais estranhas que o calendário do tênis poderia produzir em 2025. O espanhol conquistou o título em Paris em 2024, numa final inesquecível contra Alexander Zverev, e é o atual campeão a defender pontos fundamentais no ranking. A ausência significa não apenas a perda dos dois mil pontos de campeão, como abre espaço para que Jannik Sinner — número um do mundo — e Novak Djokovic ampliem a distância no topo da classificação ATP antes da temporada de grama.
A análise do SportNavo indica que, caso o retorno aconteça apenas em Wimbledon — torneio previsto para começar em 30 de junho — Alcaraz chegaria ao Grand Slam inglês com ritmo de jogo comprometido e sem a sequência de partidas que constrói confiança em quadra. Se o retorno se arrastar até o US Open, em agosto, a temporada terá sido amputada exatamente em sua parte mais rica e decisiva.
A incógnita que o circuito aguarda
Martínez Romero foi honesto sobre as lacunas da avaliação externa: sem acesso aos exames completos de Alcaraz, qualquer prognóstico permanece condicional. O que a comunidade médica e os aficionados do tênis têm diante de si é um quebra-cabeça montado com peças propositalmente escondidas pela equipe do espanhol. O que se pode afirmar com precisão clínica é que o punho direito de Alcaraz — o mesmo que fabrica drop shots de tirar o fôlego e aces nas horas decisivas — precisará de silêncio antes de voltar a gritar nas quadras. A próxima janela de avaliação pública será o anúncio oficial sobre a participação ou não em Wimbledon, esperado para as primeiras semanas de junho.








