A última vez que Copa do Mundo colocou Alemanha e Costa do Marfim numa mesma fase de grupos foi exatamente em 2014, no Brasil — e os marfinenses saíram de campo com uma derrota por 2 a 1 no Castelão, em Fortaleza, após Didier Drogba entrar no segundo tempo e ainda assim não conseguir reverter os gols de Müller e Klose. Doze anos depois, o cenário é radicalmente diferente: os dois times chegam ao BMO Field, em Toronto, neste sábado, 20 de junho, às 17h (de Brasília), como líderes do Grupo E, com três pontos cada, e o que estava resolvido em 2014 agora está em aberto.

Como a goleada sobre Curaçao colocou a Alemanha num pedestal perigoso

A Alemanha abriu sua participação na Copa do Mundo de 2026 com uma exibição de força bruta sobre Curaçao. O placar não foi divulgado nas fontes disponíveis com exatidão total, mas o termo utilizado pelos próprios enviados ao torneio foi "goleada" — suficiente para alimentar a narrativa de potência europeia que o técnico Julian Nagelsmann prefere evitar. O treinador alemão, de 38 anos, adotou um discurso de cautela antes do confronto com os marfinenses.

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"A Copa do Mundo apresentou muitas surpresas na primeira rodada e é bom ficar com o sinal de alerta ligado", alertou Nagelsmann, segundo informações da ESPN.

O alerta não é retórica vazia. A escalação confirmada pelo técnico mantém Manuel Neuer na meta — apesar de o veterano goleiro ter sofrido críticas por falha no gol de Curaçao — além de Joshua Kimmich, Jonathan Tah, Nico Schlotterbeck e Nathaniel Brown na defesa. No meio, Aleksandar Pavlovic, Felix Nmecha, Jamal Musiala e Florian Wirtz formam um quarteto de altíssima qualidade técnica. Na frente, Leroy Sané e Kai Havertz completam um ataque que, no papel, seria capaz de incomodar qualquer defesa do torneio… e aí vem o problema.

O que a vitória sobre o Equador revela sobre a Costa do Marfim de Emerse Faé

A Costa do Marfim venceu o Equador por 1 a 0 na estreia — e o placar mínimo esconde uma eficiência que merece análise mais cuidadosa. O gol foi marcado por Amad Diallo, o jovem extremo do Manchester United que, aos 22 anos, desponta como a principal arma ofensiva da equipe de Emerse Faé. O técnico marfinense trabalhou o aspecto psicológico do grupo antes do duelo com os alemães, pregando leveza e confiança.

Segundo a ESPN, Faé orientou os jogadores a "entrar em campo pensando em se divertir" — uma estratégia que, em tese, reduz a pressão sobre um elenco que sabe que, mesmo perdendo para a Alemanha, ainda chegará à última rodada com boas condições de classificação.

A lógica matemática sustenta esse raciocínio: com três pontos já garantidos, a Costa do Marfim enfrentará Curaçao na rodada final, time que foi goleado pelos alemães na estreia. A questão que Faé prefere não colocar em voz alta é que uma derrota neste sábado deixaria os marfinenses dependendo de outros resultados para avançar em primeiro lugar — e a diferença de saldo de gols pode ser decisiva numa chave tão equilibrada.

A dúvida na escalação da Costa do Marfim recai sobre Nicolas Pépé, que atuou abaixo do esperado na estreia. Amad Diallo, justamente o autor do gol decisivo contra o Equador, é o candidato natural a assumir a vaga. O provável time tem Yahia Fofana no gol; Guéla Doué, Singo, Emmanuel Agbadou e Konan na defesa; Franck Kessié, Seko Fofana, Bazoumana Touré e Ousmane Diomande no meio; Elye Wahi e Pépé (ou Diallo) no ataque.

Quem sai perdendo se o Grupo E se definir neste sábado

O Grupo E tem uma lógica cruel: se Alemanha e Costa do Marfim vencerem suas respectivas partidas desta rodada, o duelo entre os dois neste sábado pode selar antecipadamente a classificação de ambos — e decretar a eliminação precoce de Equador e Curaçao antes mesmo da última rodada. O Equador, que enfrenta justamente Curaçao também neste sábado, chega ao jogo já sob pressão depois da derrota na estreia para os marfinenses. Uma segunda derrota praticamente encerra qualquer esperança equatoriana.

Historicamente, a Alemanha tem um aproveitamento notável nas fases de grupos de Copas do Mundo: entre 1982 e 2018, os alemães venceram 26 das 42 partidas disputadas na fase inicial, com apenas 6 derrotas. A campanha de 2018 na Rússia quebrou esse padrão de forma traumática — eliminação na fase de grupos pela primeira vez desde 1938, com derrotas para México e Coreia do Sul. Nagelsmann, que assumiu a seleção após o fiasco russo e a eliminação nas quartas da Euro 2024, sabe que qualquer tropeço precoce em 2026 reacenderia o debate sobre o declínio do futebol alemão.

O efeito cascata no Grupo D e os outros jogos desta sexta e sábado

Enquanto o duelo de líderes do Grupo E acontece neste sábado, o Grupo D também vive seu próprio drama nesta sexta-feira, 19 de junho. Os Estados Unidos enfrentam a Austrália às 16h, em Seattle — e os americanos chegam ao jogo como líderes após golearem o Paraguai por 4 a 1 na estreia, com três gols sofridos pelos paraguaios antes do intervalo. Já a Austrália vem embalada por uma surpreendente vitória sobre a Turquia por 2 a 0, com destaque para o goleiro Patrick Beach, que foi decisivo na partida.

Turquia e Paraguai, as duas seleções derrotadas na estreia do Grupo D, se enfrentam na madrugada de sábado, às 0h (de Brasília), no Levi's Stadium, em Santa Clara. Para os turcos de Vincenzo Montella, Kenan Yıldız deve ganhar espaço entre os titulares, enquanto Can Uzun aparece como reforço na criação. Pelo lado paraguaio, o técnico Gustavo Alfaro deve apostar em Isidro Pitta — atacante do RB Bragantino — no lugar de Antonio Sanabria. Uma derrota de qualquer um dos dois neste confronto praticamente encerra as chances de classificação, tornando o jogo num mata-mata disfarçado de fase de grupos, em matéria do SportNavo.

Como a goleada sobre Curaçao colocou a Alemanha num pedestal perigoso Alemanha e
Como a goleada sobre Curaçao colocou a Alemanha num pedestal perigoso Alemanha e

O efeito cascata é direto: se a Alemanha vencer a Costa do Marfim neste sábado e os EUA derrotarem a Austrália nesta sexta, dois grupos terão seus líderes praticamente definidos antes da última rodada — reduzindo o suspense das partidas finais e antecipando o confronto das oitavas de final. É o mesmo cenário que a Espanha viveu em 2010, quando venceu Honduras e Chile nas duas primeiras rodadas e chegou à terceira já classificada — só que agora a aposta de Nagelsmann é transformar essa comodidade em vantagem, não em armadilha.